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by STANLEY23KUBRICK | created - 22 May 2014 | updated - 3 weeks ago | Public
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1. Hatari! (1962)

Approved | 157 min | Action, Adventure, Comedy

A group of men trap wild animals in Africa and sell them to zoos before the arrival of a female wildlife photographer threatens to change their ways.

Director: Howard Hawks | Stars: John Wayne, Elsa Martinelli, Hardy Krüger, Red Buttons

Votes: 11,085 | Gross: $14.00M

[Mov 01 IMDB 7,2/10] {Video/@}

HATARI!

(Hatari!, 1962)


"Moral ecológica deprimente (capturar animais selvagens e derrubar árvores) e romance de segunda categoria são as marcas desse longo trabalho de Hawks. Somente se salva por ter alguns momentos divertidos." (Alexandre Koball)

"Para Hawks, a virtude não é algo exclusivo é raro; é habitual e inerente. Por isso que Hatari!, mesmo episódico, consegue ser tão envolvente, tenso e emocionante. Antes de mais nada, é uma obra sinceramente apaixonada pelo que representa." (Bernardo D.I. Brum)

"Hatari!" não podia ser senão um filme improvisado, pois, como dizia Howard Hawks, seu diretor e produtor, não se pode jamais saber o que fará um rinoceronte durante uma caçada. Portanto, a vida desses caçadores é feita de imprevistos e improvisos, como a dos cineastas, no caso. Sabe-se que para Hawks o maior imprevisto na vida de um homem é uma mulher. Ela surge aqui na pele de Elza, a fotógrafa enviada pelo zoológico para o qual trabalham os caçadores. John Wayne, o líder deles, gostaria de vê-la à distância, mas não pode. Vai, é claro, apaixonar-se pela garota. O filme tem uma estrutura moderníssima: uma série de cenas de caça, no meio das quais se desenvolve a história. Ou antes, um núcleo de eventos que pode até, por vezes, desembocar numa história. Mas a estrutura é deliberadamente frouxa, abre-se a todas as mudanças de roteiro possíveis. Melhor, porque assim um filme que em vários aspectos foi pensado para se parecer com outros filmes de Hawks não se parece com nenhum, nem com Rio Vermelho, nem com Uma Garota em Cada Porto. Essa liberdade foi permitindo captar as coisas à medida que aconteciam. E suprimir o que falhava, como Michèle Girardon, atriz que faz Brandy. Há quem diga que o papel murchou porque ela não deu bola ao assédio do diretor. O tempo provou que, à parte disso, Girardon era uma atriz fraca." (* Inácio Araujo *)

''No tempo em que a "Sessão da Tarde" da Globo era capaz de formar uma geração de cinéfilos, lá pelos anos 1970, 1980, "Hatari!" era uma referência. Depois, veio a concorrência entre canais, os abacaxis, e o público que pôde migrou para a TV paga. Por uns tempos. Agora, o que mais tem são nulidades. De vez em quando reaparece um "Hatari!" e, com ele, a aventura das caçadas, o perigo, o amor. Quase todo filme tem, dirá alguém. Ok. Mas, raramente, num filme como este de Howard Hawks, um longa-metragem em que não desgrudamos o olho da tela, mas onde não há mais que um esqueleto de história, que permite seguir em frente. Isto é, em suma, a arte de fazer cinema." (** Inácio Araujo **)

"Pelamor de Deus, Rodrigo, o dia em que "Hatari"!, do Hawks, for considerado um filme ruim eu corto meus pulsos. É ótimo! Desde o começo, John Wayne e os amigos emboscados, numa atmosfera de filme de guerra… Acho que, a despeito de sua aparente simplicidade é um dos mais belos e complexos filmes de Hawks. Existe ali uma idéia muito interessante sobre o homem no mundo e os problemas do casal contemporâneo. Wayne, que se chama Sean Mercer, reúne os homens na planície, para o combate, isto é, para a caçada. Elsa Martinelli, ou Dallas, os reúne em casa, em torno do piano. A mulher identifica-se com a natureza – o elefantinho que segue, ao som de Henry Mancini, Elsa/Dallas como se fosse sua mãe. O homem se mede com a natureza, tenta domá-la – os animais vivos que Sean caça. Daí a diferença essencial entre os sexos. É da natureza do homem querer domar a mulher… E "Hatari"! é um filme, no limite, sobre o cinema. Sem que uma só palavra seja dita, Hawks quer que a gente perceba isso. Um diretor, do mais intuitivo ao mais intelectual, caça imagens como Sean caça animais. A vida captada ao vivo. É divertido, é leve e é um grande filme." (Luis Carlos Merten)

"Hawks tinha algo de, digamos, imbatível." (David Campos)

35*1963 Oscar

Malabar

Diretor: Howard Hawks

7.386 users / 599 face

Check-Ins 19

Date 03/07/2012 Poster - #

2. Halloween (2007)

R | 109 min | Horror

47 Metascore

After being committed for 17 years, Michael Myers, now a grown man and still very dangerous, escapes from the mental institution and immediately returns to Haddonfield to find his baby sister, Laurie.

Director: Rob Zombie | Stars: Scout Taylor-Compton, Malcolm McDowell, Tyler Mane, Brad Dourif

Votes: 105,180 | Gross: $58.27M

[Mov 01 IMDB 6,0/10] {Video/@@} M/47

HALLOWEEN - O ÍNICIO

(Halloween, 2007)


"Que este filme seja incluído na longa lista de refilmagens desnecessárias e inferiores (aqui, amplamente) ao seu material original." (Alexandre Koball)

"Prefiro ver todos Jogos Mortais em seqüência e sem pausa a terminar de ver esta atrocidade de Zombie. Primeiro WO do ano, ou de muitos. Joselito fazendo escola." (Daniel Dalpizzolo)

"Quebra todas as regras mais elementares para se fazer um bom filme de terror para o público adolescente, mesmo tendo como referência um dos maiores exemplares do gênero. Ainda bem que o original de 78 é intocável e não será abalado por essa atrocidade." (Heitor Romero)

Tentativa de recriar a lenda de Mike Myers falha em praticamente todos os aspectos.

''Mais conhecido pela música do que pelo cinema, Rob Zombie trouxe a si um pouco de atenção em 2003 quando dirigiu A Casa dos 1000 Corpos. Os genuínos fãs de terror viram algum potencial naquela obra, e uma sequência foi lançada com resultados também positivos. Sua próxima obra dentro do gênero seria um grande desafio: recomeçar a franquia Halloween, de 30 anos de idade, a partir do zero, reapresentando Mike Myers e o seu mundo de violência exarcebada. Com seus dois primeiros filmes, Zombie provou ter capacidade para fazer jus às expectativas – nada baixas – dos milhões de fãs da série. A pergunta fundamental, porém, é um tanto mais complicada para responder: para quê? A única resposta plausível para a pergunta acima seria dinheiro. Após várias franquias terem ganhado um recomeço - O Massacre da Serra Elétrica, Sexta-Feira 13 (embora o filme seja posterior a Halloween, no Brasil ele chegou bem antes), Superman, Batman... - Hollywood expandiu a praga das refilmagens com esses reinícios: agora não apenas um filme pode ser refeito, e sim séries completas. Com raras exceções (como a do Homem-morcego), essas experiências de modernização (o termo mais correto seria idiocratização, já que hoje em dia o cinema popular é muito mais limitado em ideias do que já foi um dia, em termos gerais) têm resultados semelhantes: são infinitamente inferiores a seus originais, e os fãs de cinema ganham todos os motivos do mundo para ficarem emburrecidos e anunciarem, pela enésima vez, que antigamente os filmes eram melhores. Halloween, a série, nunca foi especialmente conhecida por qualidades artísticas primorosas. Ora, trata-se tão somente de apenas mais um conjunto de slasher movies às vezes aterrorizante e outras vezes risível, principalmente no que tange às interpretações. Revelou ao mundo Jamie Lee Curtis e seu par de seios fenomenais, isso não se pode negar. Também a música-tema que, ainda hoje, é especialmente assustadora quando aplicada corretamente. Neste recomeço da série, pouco disso permaneceu. Os personagens adolescentes continuam burros, em um nível um pouco maior agora. E, dentre todas as atrizes femininas expostas pelas lentes de Rob Zombie, não há chances do filme ter descoberto uma nova Jamie Lee. Principalmente pelo fato que as cenas de grito são totalmente artificiais – há volume, mas não há sinceridade, fluidez, ou o que quer que seja necessário para tornar um grito de cinema marcante e real. Danielle Harris, a principal das mocinhas do filme, que interpreta uma adolescente de boa índole, tinha na realidade 29 anos durante o período de filmagens. É a força da maquiagem sempre presente em Hollywood. Nos dias de hoje ainda mais do que nunca. As outras atrizes fazem o básico dentro do gênero: gritam o tanto quanto podem, esperneiam na hora de serem arrastadas pelos cabelos pelo assassino, e quando abrem a boca fazem o público torcer um pouquinho mais por Myers. Com relação à violência, Halloween versão 2007 consegue demonstrar força nesse quesito sem apelar demais, comparando-o com séries como Jogos Mortais e a refilmagem de O Massacre da Serra Elétrica. Há um pouco de bom gosto no meio de tanto sangue. Só um pouco. Inicialmente, o estúdio planejava lançar não uma revisão do filme original, e sim uma prequel, cobrindo apenas os eventos sobre a vida de Mike Myers jovem e os motivos que o levaram a se tornar o assassino serial cruel. O resultado final é um misto disso com a matança tradicional. Conhecemos, de fato, Mike Myers criança. Conhecemos superficialmente os motivos que o levaram a ser a pessoa que acabou sendo – e não há nada de novo, pois o filme mostra apenas mais uma família disfuncional – mãe prostituta, irmã vagabunda, pai abusivo etc. O porquê Mike assassinava animais desde seu tempo de infante permanece um mistério. Enfim, na tentativa de analisar o aspecto emocional do assassino (tal como O Silêncio dos Inocentes fez tão esplendorosamente com Hannibal Lecter), somos apresentados a cenas-padrão de bullying escolar, o que, claro, é o esperado para o filme que é. O problema dessa superficialidade toda é que ela apenas torna o filme excessivamente longo, ao invés de ajudá-lo. Agora, de todos os problemas apresentados por ''Halloween - O Início'', a maioria era bastante previsível e mesmo o mais otimista fã não poderia deixar de saber isso. O roteiro, do próprio Rob Zombie, pecou muito quando fez de Mike Myers um ser indestrutível. Enorme para todos os lados, certamente imponente em tela, Myers é tão resistente quanto um tanque de guerra, podendo levar inúmeros tiros sem que isso seja um problema para si. No mínimo, o filme perde boas doses de tensão ao tomar esse caminho. A sensação de indestrutibilidade torna as cenas de ação bastante enfadonhas, pois é fácil prever o final de cada uma delas. Mesmo o aspecto emocional dessas cenas falha, com as vítimas apelando para a psique do assassino: não há um resquício de emoção em Myers, que age como um trator todo o tempo. Aí está uma grande diferença – para o mal – com relação aos filmes originais. O filme não é um desperdício completo pois possui uma fotografia bonita e a trilha sonora, vinda de Rob Zombie e somando-se ao tema original, ficou bastante decente. Comercialmente fez sucesso moderado nos Estados Unidos, tanto que ganhou continuação. Antes de ser lançado, o filme chegou a ter cenas e trechos completos refilmados após testes de plateia que acabaram mal. Mesmo com esse trabalho, o resultado final é absolutamente medíocre, dispensável e apenas um pouco divertido para os fãs do gênero. Os espectadores que endeusam o filme original não têm motivos para dar maior atenção a esta tentativa de recriar uma lenda, pois ela falha em praticamente todos os aspectos." (Alexandre Koball)

Rob Zombie acaba com o mistério do passado de Michael Myers.

''Alguns dos vilões e anti-vilões mais assustadores e fascinantes da indústria do entretenimento têm nos mistérios sobre suas origens suas qualidades mais fascinantes. Ou melhor... tinham, já que Darth Vader, Wolverine, Hannibal Lecter e até o demônio Pazuzu de O Exorcista, entre outros, foram extirpados de suas origens secretas em histórias bastante inferiores ao legado que tinham. Agora é a vez de Michael Myers ter seu próprio Esta é Sua Vida. O assassino surgiu no suspense Halloween, que cimentou em 1978 o gênero dos filmes-de-maníaco (ou slasher movies) gerando um sem-fim de matadores na sequência, entre eles Jason Vorhees e Freddy Krueger. Mas se o original tinha o cultuado John Carpenter na direção, ''Halloween - O Início'', reinício da longeva série no cinema, tem apenas o roteirista e diretor Rob Zombie, músico famoso e cineasta por desejo, que até aqui havia realizado apenas os medianos A Casa dos 1000 Corpos e Rejeitados Pelo Diabo. A trama começa acompanhando o menino esquisito Michael Myers (Daeg Faerch) em seu cotidiano. Apanha dos valentões da escola, tem problemas em casa, mata toda a sua família em uma noite de Dia das Bruxas. Obcecado por máscaras, vai parar no sanatório de segurança máxima de Smith’s Grove, onde fica encarcerado 17 anos, sob tratamento pelo Dr. Samuel Loomis (Malcolm McDowell). Uma noite, porém, Myers (agora o gigantesco Tyler Mane) foge - e o terror recomeça. A primeira metade do filme quase gera algum interesse, mas derrapa logo sob a péssima construção de personagens e a psicologia barata que a acompanha. Padrasto abusivo, mãe prostituta, irmã vadia... já vimos esse filme antes e ele continua não funcionando. Há alguns momentos razoáveis, especialmente quando o menino Myers começa a matar, mas no geral é mesmo péssimo. A segunda parte, com o psicopata fugindo do sanatório, é ainda pior. A suspensão de descrença vai às favas com o encontro sem querer entre o matador e sua irmã, Laurie Strode (Scout Taylor-Compton, em papel que tornou famosa Jamie Lee Curtis). McDowell também parece deslocado, em um tremendo erro de seleção de elenco, como o doutor bonzinho. Só mesmo Tyler Mane se salva, já que não abre a boca e precisa apenas parecer ameaçador em sua máscara sem face. Zombie é mais um diretor preguiçoso, mais interessado no sangue escorrendo e usando a história como mera desculpa para tanto, do que em criar suspense e tensão de verdade, em dar relevância aos personagens para que os espectadores sintam suas mortes. Ao chacinar estereótipos, Michael Myers é mais um a apulhalar o bom cinema de terror moderno. Justo ele, que costumava ser tão bom nisso..." (Erico Borgo)

''Na falta de novas ideias, uma solução do cinema comercial tem sido olhar para trás. Não somente refilmando antigas produções, mas também imaginando como teria sido a gênese de famosos personagens da tela grande. Recentemente, isso já foi feito em Batman Begins, 007 Cassino Royale, Star Trek - O Filme, X-Men Origens: Wolverine, O Exterminador do Futuro: A Salvação, só para citar alguns exemplos. Agora, chegou a vez de Halloween. Por que Mike Myers teria se transformado no serial killer psicopata que apavorou milhões de adolescentes em oito longas-metragens, entre 1978 e 2002? Esta é a premissa básica deste ''Halloween – O Início'', dirigido por Rob Zombie, líder da banda White Zombie. Premissa que, diga-se, não foi cumprida. Utilizando como pretexto contar a infância de Mike Myers, Zombie fez apenas um filme-carnificina, de roteiro pífio, verdadeiro caça-níqueis que busca aproveitar a fama do personagem criado em 1978 por John Carpenter. Carpenter, este sim, um cineasta hábil para os assuntos de terror. Contrariamente ao seu mestre, Zombie nada mais fez que apenas mais um filme de violentas e desconexas mortes bizarras. Sem estilo, sem nenhum tipo de inventividade e – pior – sem o humor sarcástico que seu antecessor sabia realizar muito bem. Aos 10 anos, Mike Myers é um garoto problemático vindo de uma família disfuncional. Mãe stripper e padrasto agressivo. E pronto. É o que basta para ele se transformar no assassino mascarado que conhecemos. Pouco papo, muito sangue e pau na máquina: o que importa é faturar. E faturou. O filme, que estreou nos EUA em 2007, chegou perto dos US$ 60 milhões nas bilheterias norte-americanas, arrecadando praticamente o triplo de seu custo. Tanto que já está prevista para estrear aqui no Brasil a continuação deste ''Halloween – O Início''. Quando? No Halloween, é claro...." (Celso Sabadin)

Dimension Films Nightfall Productions Spectacle Entertainment Group Trancas International Films Weinstein Company, The

Diretor: Rob Zombie

74.064 users / 3.223 face

Soundtrack Rock = KISS + Blue Öyster Cult + Alice Cooper + The Misfits + Rush + Peter Frampton + Iggy Pop + Nazareth + Bing Crosby + Bachman-Turner Overdrive

Check-Ins 59 18 Metacritic

Date 19/09/2012 Poster -#

3. Hotel Desire (2011)

38 min | Short, Drama, Romance

A young single mother drops her son of at the bus stop to visit his dad in Paris. After being late for work, she almost gets fired. At the end of her duties she gets into a tricky situation which she handles, with the advice her colleague gave her.

Director: Sergej Moya | Stars: Saralisa Volm, Clemens Schick, Jan-Gregor Kremp, Herbert Knaup

Votes: 2,233

[Mov 09 IMDB 5,8/10] {Video/@@@@@}

HOTEL DESIRE

(Hotel Desire, 2011)


TAG SERGEJ MOYA

{excitante}


Sinopse

''O filme conta a história de mãe solteira Antonia. Nos oito anos que se passaram desde o nascimento de seu filho, ela parou para tomar, além de deveres maternos e seu lugar como uma mulher. E parece que ela já chegou a um acordo com o seu triste destino. Resignada, ela observa que é para os homens da sua idade tornaram-se aparentemente invisível. Eles rotineiramente realizada neste dia insuportavelmente quente, o seu trabalho no Mare Mira hotel. É um dia como todos os outros. Até seu caminho cruza com um convidado que vê o mundo com olhos diferentes ..."
''O Cinema alemão sempre premiou os cinéfilos com ótimas obras, o movimento chamado Novo Cinema Alemão é uma prova: Produções cinematográficas das décadas de 1960 e 1970, influenciadas pela Nouvelle Vague francesa e pelos movimentos de protestos de 1968. De lá pra cá, ótimos filmes foram produzidos, mas desconhecidos do grande público. Hotel Desire é uma produção modesta e curta, com apenas 39 minutos e escrita e dirigida por Sergej Moya. Aviso: Esse filme contém cenas de sexo explícito, com os sexos dos atores expostos em determinados momentos, mesmo de maneira suave. Não é um filme feito para puritanos e moralistas. E claro, filme exclusivo para maiores! E vamos para a sinopse: Antonia é uma mãe solteira que há oito anos se conformou com sua sina de ser invisível para os outros homens de sua idade, ao ponto de abdicar de seu lugar como Mulher no mundo. Era o dia mais quente do ano, mesmo assim, era um dia como todos os outros em seu trabalho no Mare Mira Hotel, até que seu caminho se cruza com um hóspede que vê o mundo com outros olhos... Antonia (Saralisa Volm) é uma mulher que abdicou o título de fêmea, sua vida é exclusivamente voltada para seu filho. Como tantas outras mães solteiras pelo mundo, sua história não é tão incomum. Estabanada e aflita com a viagem do filho, que foi para França visitar o pai, Antonia acaba chegando atrasada no seu emprego no luxuoso hotel e daí a história se desenrola. Não se pode esperar uma história mega-desenvolvida de um (curta) filme de apenas 39 minutos. Mas alguns detalhes (preste atenção no rádio do carro de Antonia) complementam a trama, dando uma profundidade. A fotografia com cores em alta temperatura e o suor estampado nos personagens retratam bem o dia mais quente do ano como o filme anuncia. Ótimo trabalho da direção de arte. Em alguns momentos, pode-se jurar que é uma obra de Tinto Brass (cineasta italiano). A sensualidade já começa nos primeiros minutos de película. A trilha sonora é sensacional, emulando um clima vintage. Sem dúvida o filme é de uma beleza plástica indescritível. Como já havia dito, o roteiro é limitado, mas todas as situações do início servem para forjar a cama para o grande clímax do filme. O ensolarado quarto do Mare Mira Hotel torna-se palco do desejo carnal, da paixão e da leveza do toque. Os planos-sequência do diretor Sergej Moya mostram toda beleza do sexo. As câmeras bem sacadas mostram até as leves estrias de Antonia, que particularmente, achei bonito. Longe de toda aquela aparente perfeição das cenas de sexo de Hollywood. Lembrando que as cenas são de sexo explícito, por tanto, de verdade. A trilha sonora só complementa a beleza do momento visto na tela, que merecia ser emoldurada. Por fim, o filme fala do risco: A vida fica mais emocionante quando o indivíduo permite-se arriscar algumas vezes. Afinal, não é isso que é viver?" (Ismael Souza)

Von Fiessbach Film teamWorx Television & Film

Diretor: Sergej Moya

1.334 users / 110 face

Check-Ins 657

Date 20/08/2014 Poster -

4. Harakiri (1962)

Not Rated | 133 min | Drama, History

85 Metascore

When a ronin requesting seppuku at a feudal lord's palace is told of the brutal suicide of another ronin who previously visited, he reveals how their pasts are intertwined - and in doing so challenges the clan's integrity.

Director: Masaki Kobayashi | Stars: Tatsuya Nakadai, Akira Ishihama, Shima Iwashita, Tetsurô Tanba

Votes: 29,589

[Mov 08 IMDB 8,4/10 {Video/@@@@}

HARAKIRI

(Seppuku, 1962)


"Uma das grandes obras sobre o tema samurai, Harakiri tem profundidade, mensagem, ação, drama e uma direção tecnicamente perfeita de Masaki Kobayashi." (Alexandre Koball)

"Uma das obras-primas máximas do cinema japonês de todos os tempos." (Demetrius Caear)

"Uma verdadeira aula de condução narrativa, que ainda prima pela estética e, junto com sua história arrebatadora, chega muito perto da perfeição." (Heitor Romero)

"A estrutura intrincada que revela pouco a pouco a história, a construção cuidadosa e linda de cada plano, a homenagem e ao mesmo tempo a crítica da honra samurai, a violência presente e bem inserida, tudo se combina para a construção de uma imensa obra." (Silvio Pilau)

"Um monumento do cinema japonês, Harakiri é sublime em cada ato, com recursos que o levam a uma das construções narrativas mais duras e tocantes que o cinema já produziu, sem qualquer exagero." (Marcelo Leme)

No Japão feudal, durante o shogunato dos Tokugawa em 1630, o ronin Hanshiro Tsugumo apresenta-se diante de um senhor, procurando um local apropriado para cometer seppuku, o ritual samurai de suicídio mais conhecido como harakiri no Ocidente. Antes de tudo, "Harakiri" é um filme sobre a perda da honra. Através de vários flashbacks, primeiro de um harakiri realizado por um outro samurai, Motome Chijiiwa, depois quando Tsugumo conta sua própria história de miséria, acompanhamos uma crise da classe dos samurais quando o Japão foi pacificado, e muitos guerreiros acabaram se tornando ronins, vagando pelo país, sem senhor e sem sustento. A primeira cena de seppuku, de Chijiiwa, é simplesmente impressionante, pois, por causa de sua pobreza, ele havia vendido suas espadas, consideradas a alma de um samurai, e subsituído-as por outras de bambu. O senhor do palácio, sabendo que muitos ronins batiam de porta em porta dos senhores, pedindo um local para realizarem seppuku, mas, no fundo, apenas esperando que alguém lhes dessem alguns trocados, resolve fazer o caso de Chijiiwa um exemplo, e obriga-o a se matar com sua espada de bambu. Este mesmo senhor pensa que Tsugumo também é um destes ronins sem honra e sem verdadeira intenção de se matar, contando-lhe a história de Chijiiwa para tentar dissuadi-lo. No entanto, Tsugumo tem suas convicções e, como saberemos posteriormente, ele tem uma razão muito específica para cometer seppuku no interior daquele palácio. A história de "Harakiri" é brilhante, que me fez recordar Ladrões de Bicicleta de Vittorio de Sicca. Tanto no filme japonês quanto naquele italiano, vislumbramos quão baixo um ser humano pode cair, e como neste desamparo estão dispostos a fazer qualquer coisa. Contudo, é também uma catártica trama de vingança e, eu lhe garanto, sentimo-nos vingados com o ato de Tsugumo! A fotografia e a iluminação são perfeitas, às vezes até trazendo à mente a do teatro japonês, e os planos-sequências são uma competência que raras vezes se vê em nossos dias. Posso dizer, sem hesitação, que foi o melhor filme de samurais que já assisti, daqueles que lhe prende na cadeira desde o primeiro segundo, e que continua reverberando em sua mente muitas horas depois." (Henry Alfred Bugalho)

"Aos meus quinze anos de idade conheci Akira Kurosawa e naturalmente me encantei. Durante anos vi e revi a sua extensa filmografia. Ele é o um dos meus diretores preferidos, não sem motivos. O problema é que por um bom tempo achei que o cinema japonês se resumia apenas ao mestre Kurosawa. Aos poucos, fui descobrindo o quão rico o cinema nipônico é. Recentemente, meu alvo foi Masaki Kobayashi e o seu magistral "Harakiri". Tudo começa com um samurai pedindo abrigo na casa de um lorde para poder executar o harakiri (abrir a própria barriga). Ele quer morrer de forma honrada, mas antes que isso seja feito o lorde local lhe conta a história de um outro samurai que havia feito o mesmo pedido pouco tempo antes. Boa parte do filme nos é mostrado em flashback. É impressionante o grande envolvimento que temos com a história. A cada instante somos surpreendidos por acontecimentos inesperados e situações violentas, tanto no campo físico como no moral. O senhor local desconfia do samurai pois o tal ronin que alegava querer realizar o harakiri tinha como verdadeiro objetivo ser alvo de pena do clã e quem sabe ganhar algum dinheiro com isso. Como sabemos, uma das virtudes mais valorizadas pelos samurais era a honra. Tal tipo de atitude é inadmissível e ele pagou caro por isso, tendo que utilizar espadas de bambu para consumar o ato. Tecnicamente primoroso, Harakiri é poesia visual do começo ao fim. O preto e branco deixa tudo mais belo e elegante. O filme acerta tanto nos momentos em que o diálogo é o destaque, como quando a ação com espadas toma conta. Acho que não é exagero chamá-lo de obra-prima." (Bruno Knott)

{Os olhos suspeitos dão boas-vindas ao diabo} (ESKS)

1962 Palma de Cannes

Top 100#03 Cineplayers (Editores)

Top 200#113 Cineplayers (Usuários)

Top Década 1960 #3 Top Japão #6 Top Drama #10

Shôchiku Eiga

14.478 users / 1.960 face

Check-Ins 245

Diretor: Masaki Kobayashi

Date 16/07/2013 Poster - ######

5. Spirits of the Dead (1968)

R | 121 min | Drama, Horror, Mystery

Anthology film from three European directors based on stories by Edgar Allan Poe: a cruel princess haunted by a ghostly horse, a sadistic young man haunted by his double, and an alcoholic actor haunted by the Devil.

Directors: Federico Fellini, Louis Malle, Roger Vadim | Stars: Jane Fonda, Brigitte Bardot, Alain Delon, Terence Stamp

Votes: 5,207

[Mov 05 IMDB 6,7/10] {Video/@@@@@}

HISTÓRIAS EXTRAORDINÁRIAS

(Histoires Extraordinaires, 1968)


TAG FEDERICO FELLINI / ROGER VADIM / LOUIS MALLE

{interessante}


Sinopse

''Três histórias, baseadas nos contos de terror de Edgar Allan Poe: Metzengerstein (Roger Vadim) é sobre uma mulher de família nobre que se apaixona pelo primo, mas não consegue tê-lo; William Wilson (Louis Malle) é sobre um homem que, durante toda vida, foi atormentado pelo seu duplo; Toby Dammit (Federico Fellini) é sobre um ator inglês que está constantemente atormentado pelos fãs, repórteres e pelo demônio.''
Três contos distintos de grandes diretores trazem resultados diversos entre si.

''A idéia de adaptar para o cinema três contos de Edgar Allan Poe, cada um pelas mãos de um grande diretor, é, sem dúvida, louvável. No entanto, para que funcionasse como longa-metragem, seria essencial que fosse definida uma unidade para a forma de trabalhar a adaptação. Pelo resultado, é possível deduzir que cada um teve total liberdade para trabalhar da forma que quisesse. Com isso, foi-se a possibilidade de um longa coeso, e o que resta são três curtas que não travam nenhum diálogo um com o outro. Assim, o melhor é traçar comentários de forma independente para cada um deles. Episódio 1 – Metzengerstein Conta a história de uma nobre que vive na ostentação, guiada somente pelo prazer; até que se encontra com um primo, o qual lhe desperta estranha admiração, e seguem situações que a levam a uma condição próxima da insanidade. Nesse episódio, dirigido por Roger Vadim e com Jane Fonda e Peter Fonda no elenco, não há o menor clima de tensão. O diretor não consegue passar as emoções dos personagens, e tudo soa gratuito e falso. Além disso, o filme peca no visual, especialmente nos figurinos, ao parecer mais anos 60 do que século XIX. Por outro lado, a fotografia é ótima e traz alguma qualidade estética, mas é pouco para salvar um filme sem alma. Nota: 4,5 Episódio 2 – William Wilson Conta a história de um homem atormentado, desde a infância, pela presença macabra de um duplo, que o persegue nos mais diversos eventos de sua vida, desde a infância até o derradeiro fim. Contando com o mais rico material entre os três, Louis Malle aproveita e faz um excelente filme. Desde a primeira cena, a tensão do personagem está apresentada, a estranheza está proposta, e o clima é sempre de terror e asfixia. A produção conta com ótima atuação de Alain Delon, que tem o melhor momento ao contracenar com Brigitte Bardot numa cena brilhante. Roteiro redondo e coerência na história completam os méritos e fazem o filme ser ótimo de assistir. Nota: 8,5 Episódio 3 – Toby Dammit Conta a história de um ator inglês, típico superstar, que vai à Itália para uma filmagem. Lá, ele lida com a sua decadência, exposta em um programa de auditório. Livremente adaptado do conto Nunca aposte sua cabeça com o diabo, a obra de Fellini manda ao espaço a idéia de Poe e cria uma história própria sem muita conexão com as anteriores ou com a proposta. Trazendo um universo típico de Fellini, com delírios visuais e psicológicos dos personagens, mistura de uma realidade com imagens oníricas, o filme peca por sua irregularidade – tanto dos diálogos como da construção dos personagens – e, acima de tudo (ou abaixo!), torna-se uma grande decepção para quem tenha criado a expectativa de ver um material com o clima de Poe. Nota: 3,5 Assim, no fim das contas, é possível perceber que cada um dos realizadores tomou seu caminho particular, e isso trouxe grande prejuízo à obra. Se uma das características mais fortes da literatura de Poe era a capacidade de criar um efeito sobre o leitor, apenas Louis Malle conseguiu fazer o mesmo no meio cinematográfico." (Rodrigo Rosp)

1968 Palma de Cannes

Les Films Marceau Produzioni Europee Associati (PEA)

Diretor: Federico Fellini / Roger Vadim / Louis Malle

3.776 users / 522 face

Check-Ins 679

Date 02/09/2014 Poster - #####

6. Hiroshima Mon Amour (1959)

Not Rated | 90 min | Drama, Romance

A French actress filming an anti-war film in Hiroshima has an affair with a married Japanese architect as they share their differing perspectives on war.

Director: Alain Resnais | Stars: Emmanuelle Riva, Eiji Okada, Stella Dassas, Pierre Barbaud

Votes: 25,885 | Gross: $0.09M

[Mov 07 IMDB 8,1/10] {Video/@@@@}

HIROSHIMA MEU AMOR

(Hiroshima Mon Amour, 1959)
Obra Prima

TAG ALAIN RESNAIS

{poético}


Sinopse

"Durante sua participação num filme sobre a paz, rodado em Hiroshima, uma atriz francesa tem uma aventura amorosa com um japonês, o que reaviva nela lembranças de uma trágica paixão durante a Ocupação. Entre o passado de guerra e o presente de incertezas, ele e ela tentam tornar imortal este encontro fortuito, através da mistura de tempos, recordações e corpos."
"É um filme completo, que abusa do experimentalismo em prol de uma história super tocante; aliás, uma não, três! Como um passado pode traumatizar todo um futuro. Poesia em forma de filme e montagem." (Rodrigo Cunha)

"Obra-prima de Resnais. Há algo de intenso naquele casal tão improvável que faz o espectador vibrar." (Alexandre Koball)

"O impacto da revolução formal proposta por Resnais se perde nos dias de hoje, mas a obra ainda impressiona pela força das imagens e pela sinergia entre literatura (que diálogos!)e cinema para falar sobre a memória e a influência do passado. Lindo filme." (Silvio Pilau)

***** "Hiroshima Meu Amor" é a história de uma renegada: a jovem francesa que, com seu país ocupado, ousou apaixonar-se por um alemão. Ela carregará a lembrança do episódio, uma década depois. Então, o pessoal se deixará recobrir (não anular) pela tragédia humana: a bomba, Hiroshima. O passado se reencontra no presente, como permanência. A catástrofe se faz reviver em cada gesto de cada personagem. Hiroshima é um filme da memória, com certeza. Mas é, mais do que isso, um filme do som, da poesia, da perda, do tempo, da sensualidade dos corpos e das palavras, do tempo obsessivo, do coração, do perigo. E também da incerteza.'' (* Inácio Araujo *)

***** ''A história é de uma francesa que, nos anos 50, apaixona-se por um homem japonês. Suas lembranças cruzam-se: para ele, a 2.ª Guerra foi o desastre atômico. Para ela, um caso de amor com um alemão (portanto, ocupante de seu país). Essas cicatrizes, a maneira como permanecem e se transformam, fazem um filme fascinante (escrito por Marguerite Duras). Se tudo está dito sobre as relações com o tempo e a memória, vale observar este belíssimo trabalho sob outra ótica possível: o talento de Alain Resnais como documentarista (captador do real) é uma espécie de base a partir de onde se instaura a ficção. '' (** Inácio Araujo **)

{É preciso evitar pensar nas dificuldades que o mundo nos apresenta algumas vezes} (ESKS)

''O cinema contemporâneo tem transitado livremente entre a ficção e o documentário, ao ponto em que muitas vezes essas fronteiras são naturalmente abolidas. Nos anos 1950, contudo, um diretor que soubesse mesclar essas duas instâncias tinha a capacidade de explodir algumas mentes. É precisamente o que faz Alain Resnais com seu primeiro longa, o essencial "Hiroshima Meu Amor". É um dos marcos inaugurais da nouvelle vague francesa, lançado no Festival de Cannes de 1959 junto com Os Incompreendidos, de François Truffaut. Ambos fizeram eclodir o movimento, após magníficos antecedentes: os primeiros filmes de Claude Chabrol e Agnès Varda. O leitor deve estar se perguntando de que se trata obra tão deflagradora de uma modernidade cinematográfica. Convém responder que se trata da mesma coisa que envolve todos os grandes filmes: cinema em sua mais rica expressão. Do erotismo dos corpos entrelaçados logo no início, o que o fez ter sido lançado em VHS no Brasil na coleção Obras-primas do cinema erótico, aos encontros e desencontros do casal de protagonistas, tudo nele indica rigor e excelência artística. Na trama, uma atriz francesa (Emmanuelle Riva) vai ao Japão para trabalhar em um filme pacifista sobre a bomba de Hiroshima e vive um romance com um arquiteto japonês casado (Eiji Okada). Eles só aparecem de fato, como atores numa ficção, com mais de quinze minutos, após impressionantes imagens documentais. Antes eram só corpos sem rosto. Imagens do passado e do presente assombram esses amantes: pessoas mutiladas física e moralmente, construções em ruínas, hospitais e museus, andanças pela cidade que já retoma seu curso após o trauma, o soldado alemão que foi o primeiro amor da atriz. Tudo num asfixiante preto e branco. O horror testemunhado por uma câmera inquieta e inconformada, como no célebre Noite e Neblina, documentário dirigido por Resnais em 1956 sobre campos de concentração. Com roteiro (indicado ao Oscar) da escritora Marguerite Duras, que também foi diretora de excelentes filmes, como India Song, Resnais apresenta um belíssimo e original drama histórico e ajuda a avançar alguns degraus o cinema moderno.'' (Sergio Alpendre)

''Foi a longa metragem de estreia de Alain Resnais, depois de se ter dedicado durante 10 anos às curtas metragens documentais, onde já explorava conceitos presentes neste filme. "Hiroshima, Meu Amor", cujo argumento é da autoria da escritora Marguerite Duras, era para ter sido um documentário sobre a reconstrução de Hiroshima depois da destruição provocada pelo lançamento da primeira bomba atómica da História pelos Aliados na II Guerra Mundial. Não é de admirar, portanto, que tenha evoluído para um filme que é, antes de mais, uma evocação poética do tempo e da memória, para além de uma afirmação da necessidade de esquecer acontecimentos traumáticos para continuar a viver. É um simbólico caso amoroso entre Elle (Emmanuelle Riva), uma actriz francesa a fazer um filme anti-bélico em Hiroshima, e um arquitecto japonês (Eiji Okada), que serve o argumento. Apesar de serem casados e ambos terem consciência de que o romance está condenado, continuam a encontrar-se, unidos pela evocação de experiências, que estabelecem um contraste entre o passado e o presente. Marguerite Duras foi nomeada, em 1961, para o Óscar de melhor argumento original. Alain Resnais ganhou um prémio da Academia Britânica de Cinema, o prémio de melhor filme do Sindicato Francês de Críticos de Cinema e o de melhor filme estrangeiro do Círculo de Críticos de Cinema de New York." (Cine Cartaz)

Ao mesmo tempo cinema, literatura, política, história e filosofia, é um dos mais importantes filmes pós-modernos do cinema.

''Hiroshima Meu Amor'' é formado de três partes e fica ao gosto do freguês escolher qual delas é a que mais lhe interessa. A primeira é a antológica abertura em forma de documentário mostrando os horrores que a bomba atômica causou à população de Hiroshima. Entre cenas de gente mutilada, carbonizada e agonizando de câncer, o cineasta Alain Resnais passeia com sua câmera fantasmagórica ao som da música minimalista de Georges Delarue (habitual parceiro de Jean-Luc Godard) e a fotografia expressionista do fotógrafo Sacha Vierny (conhecido especialmente por suas colaborações na melhor fase de Peter Greenaway) pelos escombros, ruínas e museus da cidade japonesa. Hiroshima Meu Amor é um dos mais contundentes retratos da parte japonesa da Segunda Guerra Mundial.

Eu vi tudo em Hiroshima. Não, você não viu nada em Hiroshima.

A segunda parte da trama conta a talvez romântica, mas sem dúvida triste história de amor entre uma atriz francesa (Emmanuelle Riva), em Hiroshima para gravar um filme sobre a paz, e o amante japonês (Eiji Okada, o mesmo de A Mulher da Areia, de Hiroshi Teshigahara), ambos casados, ela atriz, ele arquiteto, que têm um descompromissado caso. Almas dilaceradas, sofridas, separadas em tudo, estranhamente unidas. A dilacerante atração física dos dois os levará a exorcizar suas memórias de amor e dor.

Eu nasci em Nevers. Eu cresci em Nevers. Eu aprendi a ler em Nevers. E foi em Nevers que eu fiz 20 anos.

A terceira parte é um flashback que remonta a adolescência dela em Nevers, na Bretanha, na época da ocupação nazista. Ela se apaixona por um oficial alemão, desonra toda a família, termina louca trancafiada no subsolo comendo lodo das pedras, gritando enlouquecida pelo amante (morto quando iria encontrar-se com ela), por fim obrigada a fugir para Paris de bicicleta aos 18 anos. Tudo mostrado em cenas amontoadas, dando a impressão de memória fugidia, técnica que o filme foi pioneiro.

Você me mata. Você me faz bem.

O que levou ''Hiroshima Men Amor'' a marcar toda uma geração de cinéfilos foi a possibilidade aberta pelo filme, em 1959, de um filme total, um produto refinado que fosse ao mesmo tempo cinema, literatura, política, história. Com seus personagens sem nome, seu engajamento ideológico, as inúmeras referências da alta cultura, o assimetria das imagens e a intensa exploração da arquitetura das cidades envolvidas, tudo levava a crer que o cinema se expandia e ia muito além da vulgar diversão para as massas, especializada em contar historietas com início, meio e fim, para firmar-se enfim como arte, uma grande arte que poderia envolver todas as outras. Para o cineasta Eric Rohmer, ''Hiroshima Meu Amor'' é o mais importante filme pós-moderno do cinema. Afinal, ''Hiroshima Meu Amor'' era a versão para as telas do movimento francês do Nouveau Roman. Escrito por uma de suas estrelas, Marguerite Duras (que foi indicada ao Oscar por este roteiro), é provavelmente a terceira versão para um episódio de sua adolescência, um caso que ela teve aos 15 anos com um amante japonês na Indochina. Em pelo menos dois de seus livros, o mais famoso e também levado às telas O Amante, e O Amante da China do Norte, ela escreveu sobre a mesma história, com as mesmas cenas, mas, como a memória não é confiável, deixa-se influenciar pelo presente, some em algum canto do cérebro e volta depois transfigurada, Duras, num espaço de 10 anos, escreveu o mesmo livro duas vezes mais esse roteiro, e o resultado é completamente diferente em cada um deles. ''Hiroshima Meu Amor'' foi o primeiro longa de Alain Resnais, que faria da memória o grande tema de seu cinema. Ele vinha de uma obra-prima, o média-metragem e pseudo-documentário Noite e Nevoeiro (Nuit et Brouillard, 1956) e, para criar a hipnótica narrativa do filme, inspirou-se na montagem dos filmes russos mudos, fazendo passado e presente coexistirem simultaneamente, com a memória se imiscuindo na realidade. Trouxe também o cubismo para o cinema. Venceu o Prêmio da Crítica no Festival de Cannes, em sua carreira multipremiada. Assim, enquanto a mulher vê crianças órfãs deformadas pela radiação, o japonês lhe morde a orelha dizendo Eu creio que eu te amo. Alguns das vítimas aparecem no meio da multidão sorrindo, enquanto fotos de seus corpos destroçados passeiam em cartazes numa passeata. Ao contar a história do amante alemão, ela pensa que o traiu, pois contar uma história é também uma forma de esquecê-la. A própria história de amor com o japonês se transforma em memória.

Seu nome é Hiroshima. E o seu é Nevers, na França." (Demetrius Caesar)

''O diálogo do incomunicável, a expressão do inexpressível, compreender e se livrar do passado que não se entende e não se liberta. Essas são tentativas frustradas dos personagens de “Hiroshima Meu Amor”, uma atriz francesa de passagem pelo Japão para gravar um filme contra a guerra se encontra com um arquiteto japonês, ambos perdidos de seus relacionamentos conjugais se encontram em uma país que tenta ainda se reencontrar emocionalmente numa pós catástrofe atômica. O diretor francês Alain Resnais tenta contar a história do incontável, em diálogos desconexos, distantes, sozinhos. O início do filme é composto de longos momentos de silêncio, contemplação do nada, imagens fortes do bombardeio do qual a cidade de Hiroshima foi alvo. A trilha sonora melancólica acentua o clima e cada sentimento dos personagens, enquanto estes são a justa contraposição de sentimentos e caminhos a ser percorrido. Elle (Emmanuelle Riva) é uma bela e sensível atriz, no entanto atormentada por um amor do passado que a mantém inerte, como se perambulasse através dos dias e pessoas. O olhar sempre angustiado parece buscar a visão daqueles dias perdidos. Lui (Eiji Okada), ao contrário, quer fugir dos dias passados, e do atual momento de sua vida com um casamento fracassado sem amor. Para isso, o arquiteto encontrará em Elle o caminho para sua fuga ou sua redenção. Nesse romance intenso e descompassado ''Hiroshima meu Amor'' alcança maiores vôos do que somente um relacionamento entre duas pessoas, segue inerente, toda uma carga política, e filosófica por trás de todo gesto que se vê na tela. Sendo um dos precursores da Nouvelle Vague, o diretor Resnais conta uma história densa, utilizando e misturando a linguagem literária à cinematográfica, formatando uma história quase estática, mas ainda sim não linear. Sem dúvida que Hiroshima Mon Amour não é um filme fácil, já que os cineastas da nova onda buscavam justamente o distanciamento de produções comerciais, buscando o conflito da imoralidade antes escondida. Por fim, cabe se dizer que: Para se ver livre do passado há de se entregar a prisão do esquecimento…'' (Ygor Moretti)

33*1960 Oscar / 1959 Palma de Cannes

Top 100#27 Cineplayers (Editores)

Top 200#79 Cineplayers (Usuários)

Top Década 1950 #32 Top França #29 Top Japão #48 Top Guerra #20 Top Romance #41

Argos Films Como Films Daiei Studios Pathé Entertainment

Diretor: Alain Resnais

19.043 users / 2.454 face

Check-Ins 703

Date 21/09/2014 Poster - #########

7. Iron Man 3 (2013)

PG-13 | 130 min | Action, Adventure, Sci-Fi

62 Metascore

When Tony Stark's world is torn apart by a formidable terrorist called the Mandarin, he starts an odyssey of rebuilding and retribution.

Director: Shane Black | Stars: Robert Downey Jr., Guy Pearce, Gwyneth Paltrow, Don Cheadle

Votes: 717,990 | Gross: $409.01M

[Mov 05 IMDB 7,4/10 {Video/@@@} M/62

HOMEM DE FERRO

(Iron Man 3, 2013)


''Lojas de brinquedo às vezes ajudam a medir a qualidade de um filme. A saga Star Wars, por exemplo, desandou quando George Lucas passou a se preocupar mais em vender bonecos e naves do que caprichar no roteiro. Para o terceiro Homem de Ferro criaram personagens para um batalhão de bonequinhos. O enredo? Bem, as ideias acabaram. Ainda diverte, e o carisma de Robert Downey Jr. segura o interesse. Mas é bom que seja o último. Um Homem de Ferro 4 já chegaria meio enferrujado." (Thales de Menezes)

"Piadinhas anti-climáticas, um vilão sem graça, roteiro horrendo (péssima montagem de ideias e vínculo com Os Vingadores), este é apenas mais um entre tantos filmes de super-heróis que se apoiam em marketing excessivo e ideias infantis." (Alexandre Koball)

"Exageraram na comédia. Faz os dois primeiros, que já são exagerados (especialmente o segundo, mas que eu GOSTO), parecerem dramas europeus. É praticamente uma comédia pastelona que tira sarro de si mesma." (Rodrigo Cunha)

"A fórmula parece ter desgastado de vez. Downey Jr. segue interessante, mas o sarcasmo de Stark perdeu muito da graça, prejudicado por um roteiro confuso, repleto de excessos, e a pirotecnia quase sempre sem sentido. Está na hora do reboot - ou do fim." (Silvio Pilau)

"É um passatempo e só. Não há nada de interessante no subtexto, na humanização do herói e muito menos na ação espalhafatosa. Está bem longe do padrão recente estipulado por Batman e Skyfall. Não que tenha que ser regra, mas, agora, se exige um novo patamar" (Emilio Franco Jr)

"A crise pessoal que todo herói sofre finalmente atinge Tony Stark, que agora passa a maior parte do tempo enfrentando os perigos de peito aberto e sem armadura, apenas para defender a mulher que ama. E as cutucadas nos EUA não passam de hipocrisia." (Heitor Romero)

"Não perca a cena pós-créditos! É, disparada, a única sequência genuinamente engraçada e à qual vale a pena assistir. O resto é terrivelmente desinteressante e genérico, bem aquém do que já foi mostrado na franquia (que é apenas razoável), já desgastada." (Rodrigo Torres de Souza)

Homem de carne e osso.

''Com o lançamento de Homem de Ferro (Iron Man, 2008) nos cinemas, a Marvel ascendeu com o que talvez seja seu mais prestigiado personagem nas telonas. Aproveitando-se do sucesso badalado, outros heróis ganharam adaptações e lotaram as salas de cinema de todo o mundo. Desde então ocorreram mais investimentos, motivações para desenvolvimentos tecnológicos e gráficos, e estratégicas operações de marketing. Um dos responsáveis pelo sucesso, Robert Downey Jr., elevou-se juntamente com seu personagem e tornou-se ainda mais popular. As coisas cresceram rápido; o problema é que, quando estão no alto, elas podem subitamente despencar. Se novos vieses vêm sendo testados nestes filmes, o tradicional humor que conhecemos desde o primeiro Homem de Ferro, por sua vez, nunca foi abandonado. A principal mudança nesse ''Homem de Ferro 3'' (Iron Man 3, 2013) foi na cadeira da direção. Jon Favreau saiu e se manteve no elenco, aparecendo em curtas pontas; Shane Black assumiu. Algo mudou? Pouca coisa: um agravo na estruturação da violência e uma esguelha política proposta por um surpreendente antagonista. E só. Se a pretensão é divertir a qualquer custo, chama a atenção, felizmente, perceber que há ambições superiores por parte dos realizadores em constituir mais do que um arquétipo, mas uma persona, já que observamos Tony Stark precisar da armadura e a armadura reciprocamente necessitar de Stark. Essa abordagem ressalta um paradigma filosófico do roteiro que visa se aprofundar no herói e no que este pode fazer enquanto um homem desprovido de munição. Não faltam cenas em que esse enfoque é realçado, às vezes pendendo para o humor pastelão, outras determinando sua impotência frente a limitações humanas, quando em um belo plano zenital observamos Stark arrastar sua armadura inutilizada sobre um campo coberto de gelo. Os rastros simbolizam o passado despedaçado edificado pelo poder. Enlaça-se timidamente ao que conferimos em 2005, com Batman Begins (Batman Begins, 2005), quando Bruce Wayne estava aprisionado em seus pesares emocionais. Ao filme sobra energia e disposição, mas falta vigor narrativo. Há um claro amadurecimento de seu personagem central, mais discussões e diálogos que tratam sobre quem ele é, e o que fez após tantos anos de excessos gozando de subsistências luxuosas e descomedidas. Tudo isso se restringe a um problema declarado do personagem, perceptível por nós espectadores, mas nunca desenvolvido. Aí o filme não decola, pois não cresce, obrigando-se a se reinventar em cima do que já fez anteriormente, como se precisasse acrescentar um capricho à cartilha receitada. Tony Stark é um ótimo personagem que não tem o aprofundamento merecido, sabotando a própria postura vista em cena, tornando-se penosamente cartunesco. Exemplificando essa tentativa idealizada de ser mais do que um filme de heroi igualmente a tantos outros, investiram no romance entre Tony e Pepper Potts (Gwyneth Paltrow). Uma intriga extra para a Pepper de Paltrow berrar quando observa o iminente perigo em volta de seu amante que não superou as ocorrências do ataque de Loki visto em Os Vingadores (The Avengers, 2012). O cenário político americano abre margens para a contextualização da sucessão de ameaças desta empreitada. O presidente entra na roda e sofre com as conseqüências e traições dentro do próprio país. A bandeira estadunidense não é honrada como em boa parte das produções hollywoodianas. Basicamente, essa política é um falso fio condutor da narrativa. A intriga é pessoal, o que explica as razões pelas quais um desafio proposto na televisão ganhou proporções assombrosas. Shane Black, que já havia trabalhado com Downey Jr. em Beijos e Tiros (Kiss Kiss Bang Bang, 2005), se dedica nas ágeis cenas de ação, favorecido ainda pela produção que dá impressionante dimensão as batalhas. Há uma cena, quando Stark está no meio de um tiroteio com James Rhodes (Don Cheadle), em que riscos emergem, já que o herói está fragilizado e mal sabe manobrar um revólver. De alguma maneira, remete a franquia de Máquina Mortífera, a qual o diretor escreveu. O texto desta terceira parte é conveniente às expectativas de reinvenção, fugindo da estagnação perigosa. A história volta no tempo e traça um arco dramático sem fundura, soando apenas como justificação a fim de nos apresentar os vilões e um ex caso romântico do bilionário, Maya Hansen, vivida por Rebecca Hall que se vale pelo gracejo, já que é irrelevante para o longa. Zelando pela ciência, a tecnologia Extremis – baseado numa série de quadrinhos – vem cumprir um milagre: a regeneração de membros amputados. Tal tecnologia tem suas atribulações. Todo essa perspectiva traçada se anula quando as piadas começam a se acumular numa crescente onda humorística comprometedora. Legal, o filme quer divertir, fazer rir. Consegue. E como consegue. Mas os sorrisos acabam ao fim da projeção – até depois dos créditos finais com a cena extra – e nada fica, a não ser a expectativa do próximo momento de Stark em cena, nem que seja em 2015 com Os Vingadores 2 (Avengers 2, 2015). Por ser baseado em uma história em quadrinhos, não significa que não possa ferir sua originalidade e deturpar fundamentos. É cinema, é preciso lembrar, e não há obrigatoriedades – a não ser segundo a vista crítica dos fãs das HQ’s – em ser legitimamente fiel. Todavia a terceira parte da franquia permanece branda, sem surpresas, a não ser pela composição do Mandarim. Atentem-se a essa figura vivida pelo ótimo Ben Kingsley. Também há lampejos de novas óticas quando testemunhamos os feitos de um outro cientista, Aldrich Killian (Guy Pearce). Cheio de furos, o roteiro se afunila na ação e em razoáveis sacadas – ao menos comparadas aos dois filmes anteriores, sustentados por tiradas sarcásticas. Os efeitos estão melhores, porém nada extraordinários. A notoriedade fica por conta da destruição da mansão de Stark. Algo verdadeiramente surpreendente acontece em determinado momento. Não demora para descobrirmos que fomos enganados. Como sustentar uma escolha que poderia causar severos danos em prováveis continuações? Talvez até correria o risco de ganhar antipatia dos fãs. É pura covardia de um roteiro que busca a diversão restringindo ousadias que muito acrescentaria a forma do império de Tony Stark sem o que este mais preza. No final, a conclusão é de que sobra novamente o que teve de melhor nos filmes anteriores: a ironia de Tony Stark e o jeito inconfundível de quem o interpreta. Robert Downey Jr. continua sendo o que há de melhor no filme. O diretor sabe disso e investe pesado no personagem, com as desenfreadas piadas que tiram o foco da narrativa. O ator comanda e ainda se vale de um novo desafio: questões emocionais de seu personagem que lhe traz prejuízos. Agora ele sofre com crises de ansiedade, algo não visto anteriormente, colaborando para uma composição mais humana desse sujeito megalomaníaco. Fica a incerteza das possíveis continuações e o envolvimento do ator com elas, já que está envelhecendo. Talvez o Homem de Ferro sofra num futuro por não encontrar um ator com tanta desenvoltura e carisma. Estigma inevitável, até aparecer alguém que dê dignidade ao herói. Eis uma questão preocupante ressaltada por fãs. Todavia, apagar o que Robert Downey jr. concebeu será impossível. Aí está uma das maravilhas do cinema: imortalizar nomes." (Marcelo Leme)

Novo filme humaniza Tony Stark e dá novos rumos à franquia.

"Há cinco anos, em 2008, os fãs de quadrinhos viam nos cinemas o início do Universo Marvel nos cinemas com a estreia de Homem de Ferro. O filme trazia uma história equilibrada entre a ação criada pelos computadores da ILM e o humor perspicaz que se encaixava perfeitamente ao estilo badboy de um ator cujo talento só podia ser comparado à sua incapacidade alguns anos atrás de se manter longe das confusões, Robert Downey Jr.. O sucesso foi instantâneo e nos anos que se seguiram, o ator aumentou não só o número de sócios no seu fã-clube como o de projetos, incluindo aí uma nova franquia, Sherlock Holmes. Mas o que o público queria mesmo ver era mais Tony Stark, e vieram Homem de Ferro 2 e Os Vingadores - The Avengers, quando Downey Jr. deixou o papel de líder militar nas mãos do Capitão America, mas era o maior nome nos créditos e no contracheque, que veio assinado no valor de 50 milhões de dólares. Passado um ano do estouro de bilheteria do supergrupo, o Homem de Ferro volta agora às telas reformulado, sem a presença de Jon Favreau na cadeira de diretor, agora ocupada por Shane Black - roteirista da série Máquina Mortífera e que só tinha comandado o divertido Beijos e Tiros, também com o astro. No novo filme, os dias ao lado dos Vingadores impactam na vida do playboy filantropo, que passa as noites trabalhando no porão, criando novas tecnologias e armaduras, e ganha agora uma fragilidade psicológica, que se materializa no formato de ataques de ansiedade. Enquanto isso, um terrorista conhecido como Mandarim (Ben Kingsley - ótimo!) atormenta o mundo com explosões nos mais diversos pontos do globo e ameaças feitas a partir de um sinal que invade todas as televisões ligadas. Em um destes atentados, o segurança pessoal de Stark, Happy Hogan (Favreau), é atingido, o que gera uma interessante cena à la CSI e a fúria de Tony, que desafia o vilão para um duelo em sua própria casa. Como já foi visto no trailer, a mansão de Malibu é destruída por helicópteros e mísseis, o estopim para toda a aventura do herói desarmado, atormentado e em busca de motivação para continuar lutando. A entrada de Shane Black na direção e também no roteiro trouxe uma nova dinâmica para o filme. Desta vez você verá muito mais Tony Stark na tela do que armaduras voando e atirando. O resultado é um filme bem diferente dos anteriores, que busca humanizar mais o personagem, principalmente depois de tudo o que ele passou em Nova York, quando enfrentou seres alienígenas ao lado de um supersoldado, um deus, uma espiã russa, um arqueiro e um Hulk - e se jogou dentro de um buraco de minhoca. E não é só Stark que ganha mais tempo de tela. Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) finalmente deixa de ser apenas um rostinho bonito e ganha importância real no desenvolvimento da história, para a infelicidade dos fãs de James Rhodes / Patriota de Ferro (Don Cheadle), que aparece menos. O que se vê na tela, no entanto é uma trama mais fantástica do que nos dois filmes solo anteriores, que eram mais tecnológicos. Apesar de darem toda uma explicação científica aos vilões, ao incluir na história elementos da saga Extremis e a presença dos doutores Aldrich Killian (Guy Pearce) e Maya Hansen (Rebecca Haal), ver vilões que cospem fogo não era o tipo de coisa comum até então.Outra novidade deste terceiro filme é o aspecto político, que antes se limitava apenas a um pano de fundo, mostrando líderes belicistas do Oriente Médio. O Mandarim chega para botar o dedo e seus dez anéis nas feridas e mostrar o mal que os Estados Unidos fazem para o mundo. Com seus discursos, todos muito bem ensaiados e planejados, ele aponta para a raiz do ódio que levou a atentados como o 11 de Setembro e, provavelmente, até mesmo às recentes bombas em Boston. Fala também do descaso com vazamentos de petróleo, criação de lobbies e conchavos visando favorecer apenas alguns grupos ou indivíduos, e como tudo isso vai levar o país a continuar sofrendo nas mãos de Bin Ladens e Mandarins. Tudo isso, porém, é feito de uma forma leve e acessível para quem quer apenas entrar no cinema e comer sua pipoca - afinal, estamos em um filme da Marvel, não em Syriana. E, não se preocupe, Tony continua engraçado. Aliás, seu humor está mais afiado do que nunca e ele encontra no meio do gelado estado do Tennesee um bom complemento ao seu estilo peculiar de lidar com as pessoas ao seu redor. Na terra ou no ar, a ação continua sendo outro trunfo da série. Desta vez sobra espaço até mesmo para Tony atacar de James Bond e invadir a casa do vilão de forma sorrateira, pulando muros e nocauteando sem fazer barulho, bem ao contrário do tom espalhafatoso e barulhento de suas armaduras. Mas é nas cenas de luta e batalhas aéreas que a mágica da computação gráfica mais uma vez aparece e deixa sorrisos nos rostos dos fanboys. Com a nova tecnologia, que permite controlar remotamente suas inúmeras Marks, Tony e Jarvis criam um exército de Homens de Ferro e fazem ótimo uso deste arsenal. O clímax é empolgante e as cenas de ação dissiparão todos os furos de roteiro encontrados no meio do caminho - e são mais furos do que a Mark 42 recebeu ao longo da jornada, acredite." (Marcelo Forlani)

86*2014 Oscar

Top 100#37 Cineplayers (Bottom Editores)

Top China #29

Marvel Studios Paramount Pictures DMG Entertainment

Diretor: Shane Black

403.766 users / 92.063 face

Soundtrack Rock = Dwight Yoakam + Imagine Dragons

Check-Ins 354

Date 06/10/2013 Poster - #####

8. Holy Motors (2012)

Not Rated | 115 min | Drama, Fantasy

84 Metascore

From dawn to dusk, a few hours in the shadowy life of a mystic man named Monsieur Oscar.

Director: Leos Carax | Stars: Denis Lavant, Edith Scob, Eva Mendes, Kylie Minogue

Votes: 38,422

[Mov 10 Fav IMDB 7,1/10 {Video/@@@@@} M/84

HOLY MOTORS

(Holy Motors, 2012)


"Fragmentos aleatórios e abstratos que podem receber interpretações demais, em conjunto ou de forma independente. Impossível não ligar com Cosmópolis, por causa da limousine, embora o filme de Cronenberg seja muito mais linear. Uma brincadeira divertida." (Alexandre Koball)

"Interpretar, reproduzir, construir realidades, readaptar-se constantemente ao mundo, ser imortalizado pela câmera, dobrar a velocidade da vida na carona de um automóvel, diluir-se pelo ciberespaço, confrontar a própria existência numa tela de cinema..." (Daniel Dalpizzolo)

"Até a metade eu embarquei na egotrip do Carax sem esforço e até com certo interesse. Contudo, após o "entr´acte" o filme vai se tornando tão abstrato, que meu contato com ele foi se perdendo completamente. Forte candidato ao prêmio O REI ESTÁ NU de 2012." (Régis Trigo)

"Boa parte do filme é interessante, em uma alegoria sobre a arte e sobre a própria vida. Mas quando as limousines falam entre si percebe-se que o objetivo é apenas chocar e confundir a plateia, sem sentido algum. Podem anotar: será esquecido em breve." (Silvio Pilau)

"Instigante! A construção de gêneros, o cotidiano, as múltiplas facetas de uma mesma pessoa, as diversas faces de uma sociedade. A máquina, o homem, o sujo, o pobre, o rico, o primitivo, o tecnológico. As antíteses. A vida, a morte. A imagem. O cinema!" (Emilio Franco)

"Inúmeras ficções, gêneros, tempos e personagens nascendo e morrendo a cada segundo. O cinema precisa de mais trabalhos como este, que resgatam sua linguagem pura, longe das cacofonias televisivas que andam contaminando uma boa parte dos filmes atuais." (Heitor Romero)

"Narrativa, personagem e situações muito bem filmadas, totalmente nonsenses e, por isso, fiéis ao conceito de Leos Carax, que privilegia a experiência e insere essa instigante obra na cabeça de todos que a veem - para o bem e para o mal - o que é só bom." (Rodrigo Torres de Souza)

"Pra a maior parte da crítica francesa, "Holy Motors", de Leos Carax, foi o grande acontecimento do último festival de Cannes e, depois, do verão cinematográfico (o filme estreou na França na quarta-feira passada e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil). Celebrado pela invenção e pela beleza, o filme deixou os críticos felizes por mostrar em grande forma artística um cineasta que eles acreditavam ser um caso perdido. Leos Carax foi o geninho do cinema francês nos anos 80, quando rodou Boy Meets Girl (no Brasil, Encontros e Despedidas e Rapaz Encontra Garota e depois Sangue Ruim. Seu terceiro filme, Os Amantes do Pont Neuf (1991), foi uma catástrofe financeira que manteve Carax longe do cinema por um bom tempo. Ele fez o belo e desigual Pola X em 1999, depois um segmento do filme coletivo Tokyo! em 2007, mas sem alcançar o sucesso. Ou seja, de 1992 até hoje, Leos Carax era mais um fantasma intermitente do cinema que um cineasta desenvolvendo sua obra. A beleza de "Holy Motors" reside talvez nessa longa ausência e no efeito ressurreição: afastado por diversas razões, um grande cineasta melancólico volta triunfalmente a seu reino." (Paulo Werneck)

"Desde seu primeiro longa, Boy Meets Girl, de 1984, o diretor francês Leos Carax oscila entre as classificações de gênio e de invenção de críticos de cinema pedantes. Sua filmografia tem elementos que servem de argumento para ambos os lados. E, muitas vezes, um longa foi igualmente exaltado e execrado. Seu mais recente, lançado agora em DVD, é um desses. "Holy Motors", com histórias fragmentadas um tanto sem pé nem cabeça, parece deixar o público perdido - e seus atores também. Entre eles, o francês Denis Lavant (ator cult lançado por Carax nos anos 1980). Lavant faz um personagem que se transforma em outros dez. As cenas podem ser sujas, líricas, sangrentas ou sensíveis - adjetivos sempre atribuídos aos filmes de Carax. Em casa, esse exercício de cinema como arte delirante pode ser visto de forma episódica. Fica ainda melhor." (Thales de Menezes)

''Em 30 anos, "Holy Motors" poderá ter se transformado em obra-prima conhecida apenas por cinéfilos caçadores de tesouros. Visto hoje, no entanto, o filme de Leos Carax aparece como um dos mais originais e instigantes do nosso tempo. Em vez de um fio com início, meio e fim, Carax propõe uma sucessão de tramas curtas que têm como elemento condutor um personagem interpretado por Denis Lavant. Numa limusine que circula por Paris, o milionário Monsieur Oscar troca de roupas, de disfarces, tornando-se ora uma velha mendiga, ora um assassino brutal, ora um amante nostálgico, ora um pai melancólico. Mais que temas, o que nos atrai nesses episódios sempre interrompidos são os climas, as imagens que transitam do sujo ao poético, do arcaico ao tecnológico, do amoroso ao sanguinolento.Por trás de todas, sobra o cinema, essa manifestação artística que dá corpo a mundos inexistentes, nos torna íntimos de desconhecidos, nos faz viver experiências únicas como matar ou morrer. A ambição maior de "Holy Motors" consiste em devolver o poder de mistério às imagens -as quais perderam muito de sua capacidade de significar ou sugerir à medida que foram ficando ao alcance de todos. No labirinto de "Holy Motors", é desnecessário tentar se localizar ou reconhecer, como pretenderá o cinéfilo em busca dos signos e associações com que Carax tece sua colcha de retalhos. As referências aqui são como as lembranças que guardamos dos filmes que amamos. Não há necessidade de explicá-las, pois a emoção estética é o que as torna parte de nossas vidas." (Cassio Starling Carlos)

''Aos 12 anos, Kylie Minogue já fazia séries na TV australiana. Aos 20, já estava descobrindo sua verdadeira vocação: cantora pop. A pulga da atuação, no entanto, não a abandonou. Apesar de ter vendido 60 milhões de discos e liderado turnês mundiais disputadas, a popstar sempre tentou emplacar um papel no cinema. Não que tenha ajudado protagonizar a bomba Street Fighter - A Última Batalha, adaptação do game de sucesso, com Jean-Claude Van Damme. A experiência serviu de lição. Hoje, Minogue escolhe a dedo suas atuações dramáticas, culminando no papel em "Holy Motors", do francês Leos Carax, que tem première no Brasil nesta terça no Festival do Rio e estreia em 12 de outubro no circuito de arte. Eu me senti como uma adolescente nas filmagens, despida de todos os mecanismos que cercam minha vida de cantora, diz Minogue, que foi indicada a Carax por uma amiga em comum, a diretora francesa Claire Denis. O mundo pop pode ser bem superficial, então atuar neste filme foi entender que pode existir algo bonito e desafiante ao mesmo tempo. Desafiante é a palavra. Não apenas porque o estilo surreal de Carax é de difícil digestão - a trama do filme gira em torno de um homem (Denis Lavant, ótimo) que viaja por diversas identidades. Mas Minogue precisou batalhar para conseguir o papel. Eu precisei fazer teste de elenco e eu morro de medo disso, confessa a australiana. "Leos não sabia nada sobre mim, a não ser que eu tinha feito um dueto com Nick Cave [o hit dark Where the Wild Roses Grow]. Ele deu um salto no escuro comigo. O salto não foi tão sem planejamento assim. Carax escreveu a personagem da aeromoça em crise em Paris com uma cena musical no meio, composta pelo cineasta e por Neil Hannon, líder do grupo The Divine Comedy. Foi estranho, porque eu estava mais confiante para cantar do que em pronunciar diálogos em francês, lembra Minogue. Mas quando precisei cantar no meio do filme, ficou mais esquisito ainda. Esquisitice é a marca do francês Carax, que não filmava há 13 anos -desde Pola X. Nem mesmo sua atriz, que viu o longa pela primeira vez em Cannes, compreendeu direito a trama. Preciso ver novamente para entender o significado completo da obra. Mas fiquei abobada com sua beleza, admite Minogue. Há nele momentos sombrios, mas sublimes", diz a atriz.'' (Leos Carax)

A decomposição de personagem.

''Primeiro longa-metragem que Leos Carax faz desde 1999, Holy Motors (idem, 2012), é a epopeia de um dia, ou de muitos deles. De uma pessoa, e de várias delas. O filme foi considerado por como estranho, incompreensível e quase que imediatamente ruim pelo mesmo fator. Que o autor de Os Amantes de Ponte Neuf (Lês Amants de Pont Neuf, não se incomode com reações presas a paradigmas e padrões não é novidade, e seu novo filme é outro atestado vivo disso: várias vidas, várias histórias, vários fragmentos. Nada começa, se desenvolve ou termina de verdade. Certamente metalinguístico, ''Holy Motors'' conta a história de Sr. Oscar, um homem que sai de manhã em uma limusine último tipo (e talvez uma comparação com Cosmópolis [Cosmopolis, 2012] seja interessante de ser feita) para, ao longo do dia, viver várias situações diferentes. Através de encontros pré-estabelecidos, ele vive uma ficção diferente, feita na vida real, em cada parte do dia. Denis Lavant não é apenas Oscar, ele também é uma pobre senhora pedinte. Também é um assassino de aluguel. E um fetichista tecnológico. E um bandido revoltado com a burguesia. E um pai de família. E um músico. E um idoso falecendo. Ele também é, pela segunda vez, o fantástico Senhor Merda, que protagonizava o segmento de Carax no filme-coletânea Tokyo! feito em conjunto com Michel Gondry e Bong Joon-ho. Com o seu início misterioso e impossível de se compreender narrativamente (e isso não é uma crítica negativa), o espaço não é respeitado e Carax logo faz com que nós encaremos a nós mesmos assistindo filme – através de uma plateia de rostos cobertos pelas sombras que, impassíveis, assistem a um filme. Nós mesmos assistiremos vários outros, assumiremos tal sequência como realidade através de cenários, figurinos e maquiagem, suspenderemos nossa descrença e logo então seremos frustrados mais uma vez. Passearemos pelo melodrama, pelo drama familiar, pela comédia grotesca, pelos filmes de crime e até mesmo pelo musical. Carax usa a própria narrativa que jamais se completa e jamais se explica para que os recursos do cinema tomem conta – Lavant mora debaixo da pele de dez homens ao longo de um dia, do qual vemos elipticamente duas horas e os planos demorados, a exigência da atenção ao detalhe e a valorização da emoção até que não exista nada além dela é uma constante. Seus movimentos de câmera são leves e econômicos. Não há tempo para monotonia, já que a jornada bizarra de Oscar parece nunca chegar ao fim: ele tem o dinheiro, tem a limusine, tem as condições, mas é um homem incompleto, que precisa viver várias vidas e experimentar todo tipo de situação porque não consegue mais saber qual é, então, sua verdadeira identidade – a mesma angústia que outro passageiro de limusine, Robert Pattinson, enfrenta no terço final de Cosmópolis. O passeio pelos gêneros é sinal da própria incompletude de identidade que domina nosso contexto. Somos tudo ao mesmo tempo agora, mas também não somos nada. Os atores sociais de Carax vivem vários tipos diferentes de identificação e trabalham com modalidades diferentes. No final, Oscar, o personagem por debaixo dos outros, sempre será deslocado no final. Ele não pertence realmente. Ele não está lá, naquelas locações. Assim como nós também não estamos, mas, por alguns minutos, a ficção é forte demais e acreditamos estar. Acreditamos sentir a excitação escatológica do Senhor Merda, o ímpeto furioso dos assassinos, a dor de partir desse mundo, a empatia pelos familiares. Quando a projeção para, seremos nós novamente, a identificação acabará, a experiência irá lentamente se diluindo até que uma hora ou outra, porventura, nos encontremos com ela de novo. O encontro com uma outra praticante do hobby, interpretada pela cantora pop Kylie Minogue, servirá para expor as angústias dessas pessoas. Minogue, responsável pela seção musical do filme, parodia a mando de Carax o maior clichê do gênero: uma pergunta cuja resposta acaba sendo cantada. Compondo um momento de extrema ironia, a letra acaba não respondendo nada: apenas transforma as dúvidas em música, transforma os enquadramentos e movimentos de câmera em dança compondo uma das muitas set pieces do filme que, apesar de curtas, são recheados de peso dramático em uma verdadeira sala de espelhos onde tudo tem seu peso próprio e ao mesmo tempo peso nenhum, já que são representações. É curioso notar que logo o musical, o gênero mais incoerente com a realidade, ocorra em um momento em que Oscar não encarna nenhum personagem. E a música que acompanha a voz da cantora vem do nada: mesmo a própria realidade de Oscar nada mais é do que, outra vez, uma mera composição de realidade. É a quebra total com o espaço-tempo diegético com o qual havíamos estabelecido o pacto até então; o mundo nunca é desenhado completamente; como tudo é ilusão, tudo pode acontecer em qualquer lugar. Essa é a recusa pelo lugar comum do autor da obra. Filme escorregadio, ''Holy Motors'' jamais para no mesmo lugar, jamais está satisfeito com uma potencialidade só. Assim como o próprio Carax. Assim como o próprio espectador atual no dia a dia que, quando vê o conflito exposto em tela, muitas vezes repudiará o filme como sem sentido. Como nossas vidas, o sentindo é muitas vezes expressado com todo um decoro calculado: as situações tristes exigem movimentos pequenos e pesados, a euforia insana, o ódio homicida poucas vezes liberado. Tudo é uma construção. Lavant atua não apenas para si ou Carax, mas para todos os olhos. Cada um com um anseio, angústia e expectativas para a vida. Não expressa uma visão, mas várias. Não expressa um absurdo, mas todos. Oscar, essa caracterização desconhecida, de cujo nome sabemos, mas não fazemos ideia de sua verdadeira natureza, é um mistério assim como cada um dos sete bilhões de indivíduos que pisam no planeta terra. Pai, assassino, aberração, miserável, moribundo, tantos outros. Muitas de nossas fantasias, perversões, idílios e fobias coabitam no espetáculo lento, trágico, sarcástico e ensandecido de Leos Carax. Irrequieto, assim como seus personagens, indefinível, assim como seus filmes. Maldito, estranho, bizarro, fora do tom, assim como Lavant, Oscar, Senhor Merda... Ou quem sabe, assim como o próprio espectador-indivíduo, o próprio conflito cinematográfico encarnado, sem gênero, meio ou fim. Não há a identidade, mas a ideia – e no final das contas dessa ideia nasceu o homem, e dele a arte. Da arte, filmes como ''Holy Motors'', um pensamento consistente como poucos sobre a incompletude que nos move desde os tempos primitivos." (Bernardo D I Brum)

A indústria do cinema enquanto arte do contorcionismo.

''O diretor francês Leos Carax, que tem as mesmas iniciais de Lewis Carroll e não rodava um longa-metragem desde Pola X (1999), tira o atraso com vigor em ''Holy Motors''. O filme começa com o próprio Carax em cena, saindo da cama e caminhando até um dos lados do quarto, onde um papel de parede com a ilustração de uma floresta pega o enquadramento inteiro. De pijama, Carax enfia o dedo médio num buraco. Vemos que o dedo - com um extensor metálico que o deixa mais fálico e mais robótico - serve de chave, e a porta que se abre dá em um cinema. Como a Alice de Carroll em Através do Espelho, a primeira imagem que temos do filme dentro do filme é a de uma menina duplicada pelo vidro de uma janela. Ela se despede de seu pai (vivido por Denis Lavant, contorcionista e gênio), que entra em uma limusine branca em direção a Paris. Digamos apenas que ele passará o filme inteiro cumprindo compromissos - e que, assim como em Cosmópolis, os homens e as suas limusines brancas mantêm um acordo surreal de transfiguração. Ao contrário de Cosmópolis, porém, que foi rodado em Toronto e cria uma Nova York deslocada no tempo e no espaço, Holy Motors é um filme que, ao longo de um dia, cobre Paris dos subterrâneos ao alto dos edifícios. Um duende transita pelos esgotos (o mesmo que estrelava o curta de Carax na antologia Tokyo!) e um casal se reencontra no alto da velha loja de departamentos La Samaritaine, com o par de torres da Notre Dame ao fundo, na paisagem. Daria pra dizer que ''Holy Motors'' é um filme apaixonado por Paris, enfim, se antes disso não fosse apaixonado pelo próprio ato de filmar. Essas duas coisas sempre se confundiram, de qualquer forma (Paris é tão Cidade dos Sonhos quanto Los Angeles), e outra paixão do cinema francês que o diretor revisita é pela produção de gênero. Há em ''Holy Motors'' musical, ficção científica (lápides no cemitério dizendo visite meu site são distopia pura), ação com captura de movimento e tramas de assassinato. Embora a máquina santa de fazer cinema de massa seja sempre a mesma, cada um desses gêneros tem seus mistérios, e é nisso que Carax está interessado. Entrar em mais detalhes só tiraria um pouco a graça de descobrir o filme. A certa altura, o protagonista resume: só a beleza do gesto importa. A frase dispensa mais explicações e aí ''Holy Motors'' revela-se por inteiro, um exercício coreográfico que exige entrega mas é absolutamente descomplicado na sua criação de um país das maravilhas onde pode-se viver muitas vidas, dia após dia, filme após filme." (Marcelo Hessel)

2012 Palma de Cannes / 2013 César

Pierre Grise Productions Théo Films Pandora Filmproduktion arte France Cinéma WDR / Arte Canal+ Centre National de la Cinématographie Programme MEDIA de la Communauté Européenne Région Ile-de-France Procirep Angoa-Agicoa Medienboard Berlin-Brandenburg Soficinéma 8 Wild Bunch

Diretor: Leos Carax

23.403 users / 11.279 face

Soundtrack Rock = Sparks + Kylie Minogue

Check-Ins 379

Date 04/12/2013 Poster - ##########

9. Hitchcock (2012)

PG-13 | 98 min | Biography, Drama, Romance

55 Metascore

The relationship between Alfred Hitchcock and his wife Alma Reville during the filming of Psycho (1960) in 1959 is explored.

Director: Sacha Gervasi | Stars: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Danny Huston

Votes: 69,608 | Gross: $6.01M

[Mov 06 IMDB 6,9/10 {Video/@@@} M/55

HITCHCOCK

(Hitchcock, 2012)


"Obviamente não haveria trabalho de ficção/realidade que fizesse jus ao diretor, acredito que o objetivo de Sacha Gervasi com esta obra menor tenha sido mais modesto, simbólico, e é dessa forma ele traz o mestre do suspense para o público atual." (Alexandre Koball)

"Um potencial enorme desperdiçado em um filme frio e duvidoso sobre um homem que pegava histórias duvidosas e as transformava em potenciais obras-primas." (Rodrigo Cunha)

"Um verdadeiro equívoco em quase todos os níveis, deixando de lado a história dos bastidores do filme para dar espaço a uma trama boba e infantil de ciúme entre Alfred e Alma, além de outras besteiras como as aparições de Gein. Vale mais ler o livro." (Silvio Pilau)

"Sofre do mesmo mal de A Dama de Ferro: elencão, personagens inspirados em grandes personalidades, ótima recriação de época, quilos de maquiagem, fotografia caprichada... e nada pra contar que não seja o óbvio. Hopkins está caricatural e constrangedor." (Heitor Romero)

Quando Psicose foi melhor que Hitchcock.

"1959. Alfred Hitchcock acabava de lançar seu mais novo trabalho: Intriga Internacional (North by Northwest, 1959). Assim como seus projetos imediatamente anteriores - Janela Indiscreta (Rear Window, 1954), Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1954), O Homem que Sabia Demais (The Man Who Knew Too Much, 1955), O Terceiro Tiro (Trouble With Harry, 1955) e Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958), todos produzidos pela Paramount, este mais recente, lançado pela MGM, era outro arraso nas bilheterias. Esse perfeito equilíbrio entre qualidade artística e sucesso comercial, fazia do famoso diretor inglês uma espécie de Rei na Hollywood dos anos 50, capaz de arrancar dos estúdios generosos orçamentos e o tão disputado direito ao corte final. Hitchcock era tão poderoso, que anos antes, em outubro de 1955, a rede de televisão CBS concordara em lhe pagar U$29 mil por episódio para que ele emprestasse seu nome e sua inconfundível silhueta à série Alfred Hitchcock Presents. Apesar da sua participação se limitar à leitura do texto de introdução e do epílogo de cada capítulo, sua imagem já provocava um considerável aumento nos índices gerais de audiência do programa. Ironicamente, todo esse sucesso e dinheiro trazia a Hitchcock um certa sensação de aprisionamento. De um lado, ele achava que a superexposição trazida pela televisão o banalizava. De outro, a imediata associação de seu nome a um tipo específico de cinema trazia implicitamente o risco do diretor virar um gênero de si mesmo. Hitch precisava sacudir a poeira e reinventar sua carreira. A resposta veio no obscuro livro escrito por um certo e despretensioso Robert Bloch, chamado Psycho. O romance de ficção tomava por base a história real acontecida em novembro de 1957, quando Ed Gein, um dos anônimos moradores da pequena e monótona cidade de Plainfield, no estado de Wisconsin, foi identificado como um dos mais perigosos assassinos em série dos Estados Unidos, responsável por atos que, segundo os jornais da época, variavam entre roubo de cadáveres, travestismo, incesto e até canibalismo (30 anos depois, Gein serviria de base para o personagem de Buffalo Bill, o serial-killer criado por Thomas Harris, em O Silêncio dos Inocentes [The Silence of the Lambs, 1991]). Tamanhas atrocidades estavam a anos luz do tipo de material que interessava a Hitchcock, que se mostrava mais à vontade em tramas sofisticadas e cenários mais classudos. No entanto, foram exatamente estes aspectos que o atraíram para o projeto. Em especial um deles: o assassinato da heroína logo nos primeiros 40 minutos da narrativa. É possível afirmar que Hitchcock decidiu fazer do livro de Bloch seu filme seguinte apenas por causa dessa cena. Ele sabia que o público da época, acostumado a épicos religiosos e a dramalhões xaroposos, não estaria preparado para tanta crueldade. Nascia ali Psicose, um dos trabalhos mais famosos da carreira do diretor e um dos maiores clássicos do cinema. ''Hitchcock'', o filme de Sacha Gervasi, ao contrário do que o seu título sugere, não pretende ser uma cinebiografia da vida do diretor. Antes disso, sua proposta é retratar exatamente os bastidores das filmagens de Psicose. Para tanto, baseia-se na obra-reportagem de Stephen Rebello, intitulada Alfred Hitchcock and the Making of Psycho, e lançada originalmente nos EUA em 1990. Espécie de combinação de A Sangue Frio, de Truman Capote, e Filme, de Lilian Ross, o livre de Rebello impressiona pela extensa pesquisa, que vai desde os fatos precedentes ao filme propriamente dito (os assassinatos de Ed Gein e o romance de Bloch), passa pela pré-produção (que aborda as diversas versões de roteiro, a escolha do elenco, e aos demais elementos fílmicos, como a direção de arte, os figurinos e maquiagem), pela produção (dedicando-se exaustivamente sobre a cena do chuveiro) e pós-produção (lançamentos, problemas com a censura etc.). Com tanto material de retaguarda assim, surpreende como o roteiro de Hitchcock (o filme) não apenas é superficial em relação a seu tema principal, mas também – o que é bem pior – altera a verdade de alguns fatos que compromete gravemente o resultado final. A principal diferença entre ''Hitchcock'' e a obra da qual ele se origina, é a participação de Alma Reville, esposa do diretor. No livro, ela aparece em momentos isolados da narrativa e sempre numa função secundária. Tanto assim que nas poucas vezes que seu nome é citado, Rebello, como que se sentindo na obrigação de lembrar o leitor de quem ele está falando, sempre faz referência à sua condição marital com o grande mestre. Se a adaptação para o cinema fosse fiel à reportagem de Rebello, Alma seria um personagem coadjuvante, se tanto. No entanto, o roteiro de ''Hitchcock'', de autoria de John McLaughlin, eleva Alma ao status de protagonista da trama, tão importante quanto o biografado. Veja-se que esse não seria um defeito dos mais graves se a proposta do roteiro fosse fazer jus a esta figura que, mesmo anônima do grande público, foi, de fato, uma colaborada fundamental na carreira de Hitchcock. O problema está nas perigosas liberdades do script em relação à verdade dos fatos. No filme, Alma, ainda uma mulher desejável e cansada das obsessões do seu marido pelas loiras gélidas que estrelavam seus filmes, quase se deixa envolver em um romance adúltero com o escritor e roteirista Whitfield Cook (Danny Huston), um personagem que sequer existe no livro. Essa potencial traição dita o rumo do filme as motivações de todos os seus personagens, algo no mínimo questionável, já que nem sabemos se esses fatos ocorreram na vida real. Assim, de acordo com a premissa adotada pelo filme, o Hitchcock que estava no set de filmagem para criar umas das mais famosas cenas da história do cinema (para muitos, tão ou mais influente que a sequência da escadaria de Odessa, em O Encouraçado Potenkim (Bronenosets Potyomkin, 1925), de Eisenstein), era um diretor corroído pela dúvida de estar sendo traído pela esposa. Pior ainda, para Gervasi e McLaughlin, a eficácia da cena seria decorrente do realismo com que Hitchcock – com a imagem do amante de Alma em mente – teria mostrado aos seus atores e dublês, o modo como as facadas deveriam ser desferidas no corpo de Janet Leigh. É evidente que esse ponto de partida é dos mais tolos possíveis. A cena do chuveiro não é fruto de um marido ciumento, mas sim de minucioso e prévio planejamento técnico e do talento de um dos maiores cineastas do Século XX. Outra opção duvidosa do roteiro são as conversas mediúnicas entre Hitchcock e Ed Gein, o assassino em série que servira de inspiração para o personagem de Norman Bates. Estas sequências, obviamente inexistentes no livro de Stephen Rebello, não apenas fazem com o que filme perca o foco dos bastidores de Psicose, mas também sugerem que o diretor, que já desconfiava que da traição da esposa, passou a compreender e aceitar as motivações e as justificativas de Gein. Menos, né? ''Hitchcock'' também não é totalmente eficaz no tratamento seu tema principal. A preparação do script de Psicose é resumida a apenas uma reunião entre o diretor e o roteirista Joseph Stefano (os que leram o livro de Rebello sabem que a coisa deu muito mais trabalho); a sequência do chuveiro, que ocupou mais de 1/3 do tempo de filmagem, é encenada uma só vez (e mesmo assim, como se disse, com o enfoque no ciúme de Hitchcock e não nos aspectos cinematográficos); e os nomes de alguns colaboradores como o compositor Bernard Herrmann, o designer gráfico Saul Bass, e o montador George Tomasini, não têm um tempo de tela proporcional à respectiva importância de cada um deles para o sucesso do projeto. Essa superficialidade incomoda e prejudica o resultado final. Se Hitchcock falha ao retratar o que aconteceu por trás das câmeras de Psicose, também não se coloca como uma biografia do diretor. Pouco sabemos da sua infância, dos seus pais, do seu casamento assexuado com Alma (apenas os vemos dormindo em camas separadas), da sua filha Patrícia (que também é limada da história), do início da sua carreira na Inglaterra, da sua parceria com David O. Selznick, da sua paixão platônica pelas atrizes que dirigia. ''Hitchcock'' não fala nem mesmo da indicação ao Oscar que o diretor recebeu por Psicose (que seria vencido por Billy Wilder, em Se Meu Apartamento Falasse [The Apartment, 1960]). Em vez de fornecer este estofo de informações sobre o seu protagonista, o roteiro de Hitchcock prefere retratá-lo como um sujeito até meio infantil, que não consegue respeitar sua dieta alimentar, e que bebe destilados em plena luz do dia, bem além do recomendável. Em contrapartida a todos estes defeitos, alguns fatos conhecidos dos bastidores de Psicose estão lá: a determinação de Hitchcock proibir a entrada do público após o início da projeção do filme, de modo a manter intacto a surpresa da revelação final; a tensa relação entre o diretor e a atriz Vera Miles (no filme feita por Jessica Biel), por ter ela, dois anos antes, engravidado no início das filmagens de Um Corpo que Cai; a sugestão da homossexualidade de Anthony Perkins; a dificuldade de Hitchcock extrair uma interpretação decente de John Gavin; o alerta de Alma para a piscadela de Janet Leigh no último frame da cena do chuveiro; o reconhecimento de Hitchcock que esta sequência funcionaria melhor com o uso da trilha cortante de Herrmann, e por aí vai. São trivias interessantes, algumas mais outras menos conhecidas, que, se de um lado, são divertidas para todo o cinéfilo que se preze, de outro, não são suficientes para transformar Hitchcock em um bom filme. O elenco de ''Hitchcock'' é all-star, mas não por isso isento de críticas. No papel central, Anthony Hopkins, auxiliado – ou atrapalhado – por uma pesada camada de maquiagem, faz o possível para reproduzir as características principais de Hitchcock, em especial sua fala arrastada, o estilo bonachão e a silhueta avantajada. Se a interpretação está longe de ser um desastre total, também não se compara aos grandes trabalhos que Hopkins realizou no início dos anos 90 (O Retorno a Howard´s End [Howards End, 1992], Vestígios do Dia [The Remains of the Day, 1993] e Terra das Sombras (Shadowlands, 1993]). Helen Mirren, que na vida real também é casada com um diretor de cinema, sai-se bem como Alma Hitchcock, mas o papel é daqueles que a atriz faz com o pé nas costas (sua indicação ao Globo de Ouro foi um exagero). Scarlet Johansson (como Janet Leigh) e, especialmente, Jessica Biel, parecem desperdiçadas. Psicose (assim como, por exemplo, Cidadão Kane [Citizen Kane, 1941], Casablanca [idem, 1942], O Poderoso Chefão [Godfather, 1972], Cleópatra [Cleopatra, 1963], O Portal do Paraíso [Heaven's Gate, 1980], Apocalypse Now [idem, 1979], entre outros) pertence a um específico rol de obras cinematográficas cujos bastidores rendem um filme à parte. Daí que a opção de encenar essa história era altamente válida. Infelizmente os inúmeros problemas de Hitchcock (o próprio título do filme já é um erro) impedem que a coisa dê liga e a sensação que fica é de bela uma oportunidade perdida." (Régis Trigo)

Mestre do suspense é tema de um filme cheio de astúcia e presentes para seus fãs.

"Muito se fala sobre o estilo cruel com que Alfred Hitchcock tratava seus atores nos sets de filmagens, principalmente as mulheres. Sua predileção por escalar algumas das mais belas e famosas atrizes daqueles dias, como Grace Kelly, Ingrid Bergman e Janet Leigh, sempre geraram especulações sobre um certo sadismo que ele gostava de infringir às mulheres que ele nunca teria. O seu fascínio por elas é um dos temas abordados no longa-metragem Hitchcock (2012), que se passa durante a produção de uma de suas obras-primas, Psicose (1960). Interpretado por um irreconhecível Anthony Hopkins cheio de prostéticos que o deixam em muitas cenas idêntico ao cineasta britânico, Alfred Hitchcock começa o filme em crise. Deitado na banheira ele lê uma crítica dizendo que seu último filme, Intriga Internacional (1959), mostrava que ele deveria pensar na sua aposentadoria. Foi um golpe duro, que acertou em cheio os brios do diretor. Sem um próximo projeto em mente, ele começa a buscar à sua volta algo que prove ao mundo que ele ainda tinha outras histórias para contar antes de pendurar a claquete. O filme dirigido pelo estreante Sacha Gervasi, ficcionaliza de forma bastante inteligente e divertida tudo o que aconteceu deste momento até o lançamento de Psicose, que não apenas reergueu a carreira do diretor, como é, até hoje, uma de suas obras mais famosas. E este humor todo poderia deixar os fãs mais ardorosos de Hitchcock desgostosos, pois mostra o lado mais caricato do mestre do suspense, muito pinçado do personagem que ele criou de si mesmo para a sua série de TV Alfred Hitchcock Presents. Mas para estes mesmos fãs, há escondidas ali no meio inúmeras referências a outros filmes, de maneirismos a frases de outros clássicos seus. No melhor estilo hitchcockiano de escolher atrizes, o longa tem as lindas Scarlett Johansson e Jessica Biel fazendo os papéis de Janet Leigh e Vera Miles. As relações do cineasta com elas mostram o rancor que ele guardava de Vera Miles, que o deixou na mão às vésperas do início das filmagens de Um Corpo que Cai, quando descobriu que estava grávida. Ele não entendia como ela preferiu ser mãe a virar uma estrela de Hollywood em suas mãos. Já no caso de Janet Leigh, Gervasi e o roteirista John J. McLaughlin preferiram aumentar um pouco os fatos em prol da história, dramatizando a famosa cena do chuveiro, que a própria atriz diz ter sido tranquila de filmar. Procure também a participação especial de Ralph Macchio, o Karatê Kid. Hitchcock'' se baseia no livro Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose (Ed. Intrínseca), de Stephen Rebello, mas não tenta ser um filme documental, que mostra passo a passo o que aconteceu atrás das câmeras. E toda esta liberdade criativa é bem-vinda, pois dá a Gervasi espaço para mostrar também o Hitchcock safado, o romântico (ao seu jeito), aquele que tratava bem seus atores, o que gostava de tomar seu uísque, o que tinha pavor da dieta, o que dialogava com seus personagens a ponto de se confundir com eles e dizer em voz alta que todo ser humano é um psicopata em potencial. Voltando a falar da mítica em torno do diretor, é preciso falar do MacGuffin, termo que ele criou para explicar aquilo que motiva seus personagens. Basicamente, é o que faz a história andar. Ele próprio, Hitchcock, é o MacGuffin desta sua cinebiografia, criada, na verdade, para mostrar a importância de sua esposa, Alma Reville. Graças à belíssima atuação de Helen Mirren, Alma finalmente ganha reconhecimento na posição de pilar que sustentava todos estes Hitchcocks que não eram vistos pelos espectadores, ávidos apenas pelo próximo susto. E isso não é pouca coisa pois, como um outro personagem diz durante o filme: Como todo grande artista, é impossível conviver com Alfred Hitchcock, mas vale toda a pena do mundo." (Marcelo Forlani)

''Para que servem os biopics, os filmes que representam, segundo os códigos da ficção, situações vividas por celebridades? De um lado, funcionam como entretenimento, ao dramatizarem histórias ricas em peripécias, amores, descobertas e perdas. De outro, podem agregar sentido e até mesmo conhecimento, quando capazes de se libertar do demônio da fidelidade e reinterpretar o original, explorando aspectos que iluminam o humano por trás do renome. Indeciso de seguir uma ou ambas possibilidades, "Hitchcock" é o típico filme que não serve para nada. Na origem do projeto, está o valioso trabalho de pesquisa realizado pelo escritor norte-americano Stephen Rebello em"Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose" (recém-lançado no Brasil pela editora Intrínseca). Os riscos assumidos pelo diretor, aos 60 anos de idade, ao insistir em realizar "Psicose", os enfrentamentos com o estúdio Paramount e a censura, os bastidores da elaboração do roteiro, das escolhas de elenco e as inovações narrativas são reconstituídos em ritmo de thriller por Rebello. Na adaptação assinada pelo roteirista John J. McLaughlin, os aspectos profissionais da feitura de Psicose se misturam a situações livremente ficcionais. Entre as quais estão um quase-caso extramatrimonial de Alma, mulher e parceira criativa do cineasta, e uns delirantes diálogos de Hitchcock com Ed Gein, o serial killer cuja história inspirou o romance adaptado pera o cinema em Psicose. Tais liberdades, em vez de agregarem intensidade dramática ou humor paródico, diluem o foco e dispersam o eventual interesse do público pelo biografado. Incapaz de lidar com as múltiplas camadas de seu personagem, "Hitchcock" reduz o cineasta britânico à caricatura, fazendo apenas suceder tipos (o soberbo, o algoz, o tarado, o mimado, o ranzinza), sem nunca conseguir nos fazer crer em algum aspecto, mesmo que inverídico ou maldoso, revelador da pessoa atrás da persona. Em razão disso, recomenda-se a quem queira conhecer Hitchcock ir direto ao original. Psicose passa neste domingo na Sala Cinemateca e no filme se podem encontrar muitos Hitchcocks escondidos dentro de cada um de nós." (Cassio Satarling Carlos)

"Trinta e dois anos após sua morte, um dos diretores mais famosos de todos os tempos, Alfred Hitchcock está em alta. Além de seu filme Um Corpo que Cai ter destronado Cidadão Kane como o melhor da história, em votação pela prestigiosa revista Sight & Sound, ele ainda ganhou duas cinebiografias. The Girl, para a TV, trata sobre sua obsessão por protagonistas loiras, enquanto Hitchcock é um thriller bem humorado sobre a produção de Psicose, sua obra-prima. Livremente baseado no livro Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose, de Stephen Rebello, o longa não é um documentário, mas sim uma obra divertida que mostra a obsessão do cineasta em produzir Psicose, sem apoio dos estúdios e obrigado a bancar tudo de seu próprio bolso. O filme traz Anthony Hopkins irreconhecível no papel do mestre do suspense, não só pelo magnífico trabalho de maquiagem, tão bom a ponto de esquecermos que não estamos diante do falecido cineasta, mas também pela confiança e sagacidade de sua atuação. Outra estrela do filme é Helen Mirren, que interpreta com dignidade a tranquila Alma Reville, esposa, assistente de direção, roteirista e editora do cineasta por mais de 50 anos, que nesse filme recebe o devido crédito por seu trabalho, já que não a coloca no papel de vítima. As estrelas mais jovens também brilham. Scarlett Johansson usa todo seu charme e sensualidade para dar vida a Janet Leigh, a mais famosa loira de ''Hitchcock''. A atriz consegue entender a dinâmica entre musa e cineasta, até por já ter vivido algo parecido com Woody Allen em sua carreira. James D'Arcy captura com maestria todas as incertezas enfrentadas por Anthony Perkins, recriando até os trejeitos do veterano ator, pena não ter mais espaço para mostrar seu trabalho. Apesar do elenco afiado, o filme falha ao demonizar não só Ed Gein, assassino real e inspiração para a criação de Norman Bates, mas também o próprio cineasta. Em cenas que misturam fantasia e realidade, Hitchcock conversa com o maníaco e até passa a mostrar sinais dos mesmos impulsos. Não importa se o diretor tinha ou não algum lado obscuro, a questão é que a forma como essas cenas foram criadas tiram o charme da produção e transformam o mestre do suspense em um clichê ambulante. Psicose é tão bom por fazer exatamente o contrário, humanizava a figura monstruosa de Bates, intrepretado como um homem sensível à mercê de compulsões que nem ele podia compreender. Outro problema é que, devido a restrições legais, nenhuma imagem de Psicose pôde ser mostrada nem recriada. Isso tira o impacto de certos momentos chave, como a dificuldade para gravar a famosa cena do chuveiro – que demorou uma semana inteira para ficar pronta – e é mostrada de forma superficial neste longa. É claro que é divertido imaginar que Alfred espionava as atrizes se trocarem no camarim e fazia de tudo para manter uma aura de mistério sobre si, mas tudo isso é verdade ou fantasia? A trama te envolve de tal forma que isso não importa de verdade." (Daniel Reininger)

{Vocês sabem o que dizem em Hollywood: Você é tão bom quanto seu próximo filme} (ESKS)

''Época de Natal é aquela coisa: quase todo mundo em casa (fora quem saiu de última hora para comprar presente), conferindo o panetone, organizando os presentes, ajudando na cozinha... E a programação vai buscando um astral melhor, aquela coisa de filmes mais consagrados, de preferência familiares, mas não só. É o caso de "Hitchcock", simpática tentativa de imaginar como foram os dias do grande mestre no momento em que preparava (sobretudo) e realizava "Psicose", seu estrondoso, assustador sucesso. Não se trata de uma obra-prima, mas reencontra um certo modus operandi que fez parte do gênio de Hitch, assim como gostos, manias e, claro, o que o povo mais gosta: suas pequenas taras." (* Inácio Araujo *)

"É estranho o fascínio que exerce Alfred Hitchcock. Nenhum diretor de cinema, antes ou depois dele, esteve tão em evidência, foi sentido pelos espectadores como tão próximo deles. É o que justifica, provavelmente, "Hitchcock" ter sido um filme popular, embora nada traga de especial sobre o mestre inglês. Mais ainda: ele é visto num momento particular - quando, depois de alguns fracassos, resolve jogar pesado com este mesmo público que naquele momento ele sentia afastar-se de seus filmes. Ou seja, quando concebe e realiza Psicose. Um filme acusado de ser de mau gosto, por conta dos excessos, a tal ponto que a Paramount não quis bancá-lo. Mas, no fim das contas, foi o maior de seus sucessos, o filme que a todos convenceu: quanto mais nos aterroriza, mais Hitchcock nos encanta." (** Inácio Araujo **)

85*2013 Oscar / 70*2013 Globo

Fox Searchlight Pictures Cold Spring Pictures Montecito Picture Company, The

Diretor: Sacha Gervasi

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Date 25/12/2013 Poster - ##

10. Hannah Arendt (2012)

Not Rated | 113 min | Biography, Drama

69 Metascore

A look at the life of philosopher and political theorist Hannah Arendt, who reported for 'The New Yorker' on the trial of the Nazi leader Adolf Eichmann in Jerusalem.

Director: Margarethe von Trotta | Stars: Barbara Sukowa, Axel Milberg, Janet McTeer, Julia Jentsch

Votes: 9,742 | Gross: $0.71M

[Mov 08IMDB 7,2/10 {Video/@@@@} M/69

HANNAH ARENDT - IDEIAS QUE CHOCARAM O MUNDO

(Hannah Arendt, 2012)


"Empolgante e intelectualmente instigante cinebiografia de uma das mais polêmicas intelectuais do século 20. Filme exigente, belo, bem interpretado. Pérola rara." (Demetrius Caesar)

{A vida nos dá a família, mas nós escolhemos os amigos} (ESKS)

''Margarethe von Trotta pertencia ao novo cinema alemão surgido nos anos 1960. Era um movimento contrário ao chamado cinema do papai. Cineastas como Alexander Kluge, Werner Herzog, Rainer Werner Fassbinder e Wim Wenders revolucionaram o cinema do país com filmes modernos e politizados. Trotta e seu marido, Volker Schlöndorff, eram do segundo escalão. Mesmo assim realizaram, juntos ou separados, filmes importantes, como A Honra Perdida de Katharina Blum (1975). Com este "Hannah Arendt", Trotta encara um desafio e tanto - mostrar parte da história da pensadora alemã radicada nos EUA. São dois os principais elementos do filme. O primeiro é a incapacidade de grande parte das pessoas entender além do óbvio. Adolf Eichmann, julgado em Jerusalém em 1961, é um assassino nazista, e nada mais do que isso. A judia Arendt tenta mostrar que as coisas não são tão simples. Para ela, Eichmann é um burocrata sem alma ou traços de antissemitismo. Obedecia ordens, viessem elas de Hitler ou de Jesus. É a banalidade do mal, segundo a expressão usada por ela. Sabemos que alguns judeus tornaram-se colaboradores para obter regalias nos campos de concentração. Arendt diz que deveria haver algo entre a resistência e o colaboracionismo, e esse algo poderia ter diminuído o número de mortos no Holocausto. A questão é simples: ela não estava pregando ali uma verdade absoluta. Queria que as pessoas pensassem. Foi mal entendida. Mas Trotta lhe dá voz e razão no filme. O segundo elemento é a força da arte de pensar, perceptível sobretudo em dois momentos: quando a própria Arendt, jovem, se encanta com as palavras do filósofo Martin Heidegger durante uma aula (força que a leva a se tornar amante dele); e quando vemos uma aluna, por duas vezes, arregalar seus olhos com puro interesse durante falas de Arendt. São momentos que ultrapassam a simples cinebiografia e fazem de "Hannah Arendt" uma ode ao questionamento e à inteligência." (Sergio Alpendre)

"Como não existe um absoluto, cada um interpreta as coisas como melhor lhe parece. Em "Hannah Arendt", a diretora Margarethe von Trotta parece ver nos escritos da pensadora sobre o julgamento de Eichmann em Israel mais uma condenação de Israel do que outra coisa. Von Trotta enfatiza dois aspectos distintos: a proximidade com Martin Heidegger, filósofo cujo grande pecado teria sido a proximidade com o nazismo, e a oposição que uma editora da revista na qual serão publicados os textos faz aos originais. O filme é inconclusivo, como deveria mesmo ser, mas parece lhe faltar a fineza do pensamento de Hannah Arendt, que tanto irritou os israelenses. Sem isso, bate meio vazio." (* Inácio Araujo *)

''É delicada a empreitada de "Hannah Arendt": captar a pensadora e seu pensamento no momento em que produz uma grande reportagem sobre o julgamento do nazista Adolf Eichman em Jerusalém para a revista The New Yorker. Além das implicações próprias ao fato, a eles se acrescem o fato de Arendt achar que o julgamento é, antes de tudo, um espetáculo. Isso desperta enorme resistência na colônia judaica nos EUA, aqui representada por uma editora que quer barrar a publicação. As dificuldades, angústias, resistências e as ideias propriamente ditas formam um conjunto árduo, e não é de estranhar que a diretora Margarethe von Trotta sofra para dar conta de tudo. Para além das dificuldades, porém, qualquer senão será compensado por Barbara Sukova, no papel título. Ainda uma vez ela demonstra suas virtudes como atriz." (** Inácio Araujo **)

A banalidade do pensar.

''A filósofa Hannah Arendt foi uma das figuras mais influentes e polêmicas do pensamento ocidental no século XX. Sua influência se deu por conta de trabalhos como As Origens do Totalitarismo e A Condição Humana, prêmios mundo afora e uma sólida carreira acadêmica numa das universidades mais importantes dos Estados Unidos, onde se estabeleceu em decorrência do Holocausto. Já o aspecto controverso de sua história advém da cobertura do julgamento do nazista Adolf Eichmann - evento este que a diretora Margareth Von Trotta enfoca no desenvolvimento do filme sobre a pensadora teuto-americana. Nas palavras da própria cineasta, sua opção por um fato concreto é decorrente da impossibilidade de se filmar alguém pensando. De fato, ''Hannah Arendt - Ideias que Chocaram o Mundo" é bem mais que isso. A obra é uma reconstituição fidedigna do contexto social, temporal, geográfico, histórico e intelectual da pensadora, o que permite ao espectador (inclusive àquele que sequer ouviu falar da cinebiografada) compreender plenamente o seu pensamento, da base à essência. É um trabalho especialmente importante, já que as discordâncias com o livro publicado pela teórica alemã à época geraram distorções que perduram até hoje. Para tal, Von Trotta invade a casa da pensadora alemã, sede de reuniões e debates da elite intelectual nova-iorquina. A câmera também adentra a sala de aula de Hannah Arendt, e assim conhecemos a professora e um pouco da escola filosófica continental que a formou. A cineasta se beneficia de um elenco que confere naturalidade e fluidez à narrativa, que emperra quando interrompida por flashbacks. Porém, todos esses elementos da estética convencional de Von Trotta servem a um objetivo muito claro e nobre: o de fornecer o máximo de informações sobre a vida e a obra de Hannah Arendt com a precisão e honestidade necessárias para se desfazer mal-entendidos históricos e entender o que ela disse de fato. Entender, aliás, foi o que motivou Hannan Arendt a se oferecer ao New Yorker para cobrir o julgamento de Adolf Eichmann. Na posição de tenente-coronel da SS, ele foi o responsável pela logística da solução final, sistema de distribuição, transporte e extermínio de milhões de judeus nos campos de concentração. Ao fim da Segunda Guerra Mundial, Eichmann foi o único militar do alto escalão do Terceiro Reich a fugir e conseguir exílio, quando uma operação da Mossad conseguiu encontrá-lo na Argentina e sequestrá-lo para ser julgado em Israel. Com direito a transmissão ao vivo, o julgamento foi transformado num verdadeiro evento em que o réu foi diminuído a um sádico pervertido, imagem esta que não era suficiente a Arendt. Enquanto jornalistas de todo o mundo acompanhavam àquele festival de justiça ao povo judeu apenas para reportar um acontecimento de resultado definido, Arendt se pôs a pensar e estabeleceu um julgamento próprio, concebendo um dos trabalhos mais universais e atemporais - além de polêmico, e ainda incompreendido - da humanidade: a banalidade do mal. É nesse momento que Von Trotta mais acerta: se Hannah é interpretada pela ótima Barbara Sukowa, econômica e muito objetiva em meio a franzidas de cenho, o julgamento é ilustrado com o máximo de imparcialidade, através de imagens de arquivo. A cineasta, assim, se exime do risco de uma caracterização caricata ou complacente de Eichmann. Ali vemos exatamente o que Hannah viu, o que permite fazermos nosso próprio julgamento antes mesmo de revelada a posição da pensadora. Na contramão de todos, ela observa que o executor-chefe do Reich não apresenta sinais de antissemitismo, psicopatia ou qualquer outra característica que comprovasse que o réu tenha agido por puro sadismo. Em sua análise, ele não passava de um burocrata medíocre, a cumprir ordens sem qualquer intervenção moral ou ética - como qualquer outro nazista faria em seu lugar. Ou seja: o mal não estaria no indivíduo, mas no regime. Bem verdade que Hannah bateu duro quando, nessa mesma série de artigos, denunciou a negligência das lideranças judaicas durante a ascensão do Nazismo. Mas ninguém se preocupou em apurar a informação; ignoraram o fato de Hannah - baseada em suas convicções políticas e filosóficas - ter sido uma militante do sionismo ainda em 1933, quando muitos judeus ainda nem percebiam a gravidade da ameaça do nacional-socialismo, e a atacaram de traidora. Nesse sentido, é curioso perceber como os ataques a Arendt comprovam uma das bases de sua tese sobre A Banalidade do Mal: na recusa em pensar por indivíduos medíocres submetidos a um sistema estabelecido - ou, nesse caso específico, uma ideia unânime: a de que Eichman era um monstro. Ávidos pela vingança do povo judeu, os detratores de Arendt não deram crédito ao que dizia quem também fora uma vítima do Nazismo, não tendo lido todo o material sobre o julgamento de Eichmann ou debatido o tema intelectualmente (mesma via truculenta que forma unanimidades fascistas nas redes sociais cinco décadas depois). Por isso não viam estar comprovando a tese da pensadora alemã de que, tanto quanto banalizar o mal, os medíocres banalizam o pensamento. Fina ironia. Arendt jamais absolveu o Nazismo. Tampouco Eichmann. Tamanha desonestidade intelectual trouxe à tona sua relação amorosa com o professor e mentor Martin Heidegger, identificando o tenro affair como base de suas ideias, desconsiderando que ela rompeu com o filósofo alemão por ele ter aderido ao partido nazista. Alienante, a caça à bruxa impediu que um ponto importante, ato falho de Arendt, não ganhasse a devida relevância: o fato da pensadora ter ignorado uma entrevista de Eichmann a um repórter argentino, anterior a seu julgamento, em que o nazista assumia a crueldade de seus atos e se regozijava por ter chefiado um sistema tão perfeito. Um debate mais rico poderia nascer dali. Não aconteceu, mas nem mesmo esse equívoco invalida a contribuição do trabalho de Hannah Arendt. Isso porque nada abala a espantosa atualidade da banalidade do mal. Ela está no militar com autorização pra torturar e no fundamentalista que promove o terror em nome de uma crença (cenário muito bem explorado no subestimado Ameaça Terrorista, por exemplo); no policial que atende à ordem de dispersar uma multidão pacífica, composta de professores, com gás lacrimogênio e tiros de borracha. Esse é o estado de violência institucionalizada em que se vive, em que o cidadão de bem vende voto, se deixa corromper por "coisa boba" e depois banca a Rachel Sheherazade, sem se conscientizar de que suas atitudes egoístas promovem a corrupção, a desigualdade e o preconceito que depois refletem em si. Pois a lógica é sempre essa: o torturador e o terrorista, o policial e o professor, aparentemente em lados distintos, ambos peças e vítimas de um mesmo sistema, falido moral e eticamente. Quando dispensou uma reflexão profunda ao caso Adolf Eichmann, Hannah Arendt estipulou o óbvio: que, diante de uma situação de violência ao outro, é o raciocínio que nos diferencia de outros animais. O que vemos é gente nua presa ao poste com trava de bicicleta. Ousaram dizer que a banalidade do mal estava errada." (Rodrigo Torres de Souza)

“Hannah Arendt”, de Margarethe von Trotta, é um bom filme para quem quiser se familiarizar com a grande polêmica filosófica e moral criada por Eichmann em Jerusalém. Acompanhamos a viagem de Hannah Arendt a Israel, onde o criminoso nazista foi julgado em 1961. O filme alterna cenas reais do julgamento –closes na figura rígida, mas não monstruosa, do acusado — com a encenação das reações do público, por vezes dividido entre o horror das lembranças da Shoah e a raiva diante de alguns líderes judeus que teriam colaborado com as autoridades nazistas. É em torno desse problema que a atitude de Hannah Arendt causou ondas de indignação, mesmo entre alguns de seus melhores amigos, como Hans Jonas e Kurt Blumenfeld. A solidão teimosa da filósofa ganha muito vigor no ponto alto do filme, quando se encena uma palestra de Arendt num auditório abarrotado, respondendo com altivez, lógica e grandeza às críticas que seu livro suscitou. Dito isso, o filme de Margarethe von Trotta está longe de ser vivo e convincente. Parece feito para televisão; todos os atores parecem estar usando roupas um modelo acima de seu corpo, muito normaizinhos e sem vida para o tipo de personalidades que estavam em confronto na história real. Saem-se melhor os atores puramente caricaturais, como a grã-fina dona do New Yorker, desde o começo um bocado refratária à ideia de contratar uma filósofa para cobrir o julgamento de Eichmann nas páginas da revista. Ou então o antipático Norman Podhoretz, um dos principais acusadores intelectuais no debate contra Arendt. Em seu livro Ex-Friends, Podhoretz tem um texto admirável sobre seu desentendimento com Arendt. Narra sua visita ao apartamento da amiga, e o medo que tinha ao ver seu texto de críticas a Eichmann em Jerusalém anotado minuciosamente nas margens. Conforme a tarde avançava, a discussão ia se tornando mais dura, e nenhum dos dois se animou a acender a luz no apartamento. Na escuridão, os dois se despediram para sempre. O debate sobre a suposta responsabilidade de líderes judeus na ajuda e na organização do Holocausto não pode ser mais difícil e doloroso. No discurso brilhante de Hannah Arendt, a plateia não reage ao que provavelmente é o ponto mais frágil de sua argumentação. Havia um espaço, diz ela entre baforadas de cigarro, entre atos de resistência que seriam impossíveis no momento, e a atitude de ajudar os nazistas. Havia? Como, quando, para quem, com quem? Seria preciso dar detalhes; e, mesmo assim, talvez exista algo de desumano em acusar tais pessoas, quando se estava a milhares de quilômetros dos fatos, em segurança, nos Estados Unidos. Se a acusação viesse de alguém que estava sob o domínio nazista naquele momento, e tivesse feito algo de diferente, seria bem mais difícil responder. Esse e outros problemas –como o da normalidade psicológica do carrasco, que deu origem à expressão banalidade do mal - são de qualquer modo expostos com clareza no filme de von Trotta. Pena que o filme seja tão rotineiro; cria uma banalidade de Hannah Arendt, certamente inadequada à personagem que o inspirou." (Marcelo Coelho)

Top Histórico #45

Heimatfilm Amour Fou Luxembourg MACT Productions Sophie Dulac Productions Metro Communications ARD Degeto Film Bayerischer Rundfunk (BR) Westdeutscher Rundfunk (WDR)

Diretor: Margarethe von Trotta

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Date 03/03/2014 Poster - #####

11. Hemingway & Gellhorn (2012 TV Movie)

TV-MA | 155 min | Biography, Drama, Romance

A drama centered on the romance between Ernest Hemingway and World War II correspondent Martha Gellhorn, Hemingway's inspiration for For Whom the Bell Tolls, and the only woman who ever asked for a divorce from the writer.

Director: Philip Kaufman | Stars: Nicole Kidman, Clive Owen, David Strathairn, Rodrigo Santoro

Votes: 8,413

{Video/@@}

HEMINGWAY E GELLHORN

(Hemingway & Gellhorn, 2012)


''Drama centrado no romance entre o escritor Ernest Hemingway (Clive Owne) e a correspondente de guerra Martha Gellhorn (Nicole Kidman), sua inspiração para o livro Por Quem os Sinos Dobram, grande sucesso dos anos 40." (Filmow)

''Martha Gellhorn foi uma escritora e jornalista norte-americana, considerada uma das maiores correspondentes de guerra do século XX. Ernest Hemingway foi um famoso escritor norte-americano, que também trabalhou como correspondente de guerra durante a Guerra Civil Espanhola. Hemingway e Gellhorn estiveram juntos na Espanha e lá desenvolveram uma relação que resultaria num conturbado casamento. Durante muito tempo, porém, Gellhorn foi lembrada por ser a terceira esposa de Hemingway, fama da qual se ressentia dizendo que não tinha intenção de ser uma nota de rodapé na vida de outra pessoa. Hemingway & Gellhorn" conta um pouco da história por trás do relacionamento entre essas duas figuras ilustres da literatura norte-americana. Mas, sobretudo, é uma homenagem à jornalista Martha Gellhorn e sua importância por apresentar ao mundo a verdadeira tragédia mascarada pelas gloriosas imagens de uma guerra. No equivalente emocional às cenas de combate, o diretor Philip Kaufman, a partir do roteiro de Jerry Stahl e Barbara Turner, recria as duras batalhas de Gellhorn por ser esposa de Hemingway. A romantização insana com a qual seus personagens são apresentados dá o tom da história. ''Hemingway & Gellhorn'' é o tipo de filme em que seus protagonistas (Clive Owen e Nicole Kidman, respectivamente) consumam seu caso enquanto fascistas bombardeiam o hotel onde estão hospedados. A transição do medo para o desejo é plausível, proveniente de um momento em que o homem pressiona a mulher contra uma parede para protegê-la. Mas logo depois eles estão friamente trocando carícias num colchão, com seus corpos eroticamente salpicados pelo pó do gesso que despencou do teto enquanto eles faziam sexo. Isso é o que se pode esperar do filme: exagero! Não é algo de todo ruim, uma vez que valorizada a figura idealizada de ambos os personagens. Por outro lado, é uma forma narrativa que afeta a credibilidade da história em alguns momentos e impede que Hemingway e Gellhorn sejam completamente humanizados na tela. Num filme que fala o tempo todo sobre humanidade, é uma perda considerável explorar seus personagens sob um ponto de vista frio e idealizado. Todavia, mesmo com o exagero, os intérpretes dos protagonistas são os grandes responsáveis por manter o filme no eixo. Clive Owen tem o perfil adequado para esbanjar toda a presunção e exaltação da masculinidade de Hemingway. Ele surge em sua primeira cena num barco, bebendo rum e disputando forças com um peixe-espada que luta para escapar de seu anzol enquanto um séquito de amigos faz coro animadamente em respeito a sua macheza. É uma cena icônica, que se desenrola em preto-e-branco até que o peixe é jogado no convés do barco, derrotado e com o sangue escorrendo em vermelho. A sequência reforça o que podemos esperar do personagem, um homem que acredita que o homem deve ser sujo e feio, não uma tulipa. Mas também é uma cena que contribui com a perversidade fascinante da história ao mostrar que o mundo pode ser tão sujo e feio quanto um homem com delírios de grandeza. Depois da viagem de pesca, Hemingway conhece Gellhorn durante um momento de bebedeira e auto-adulação no bar Sloppy Joe. Eles trocam uma conversa e ela se revela uma escritora cujos talentos foram comparados por uma crítica literária aos dele. Nesse momento, o espírito da rivalidade acende a paixão entre ambos — rivalidade e paixão, duas forças que constantemente andam juntas durante uma guerra. Juntos, os dois viajam para cobrir a Guerra Civil Espanhola. Hemingway, para produzir um filme propaganda contra as forças facistas ao lado do romancista John Dos Passos (David Strathairn), do cineasta Joris Ivens (Lars Ulrich) e do revolucionário Paco Zarra (Rodrigo Santoro, no papel do personagem baseado no revolucionário José Robles). Gellhorn, para cobrir os acontecimentos da guerra civil pela revista Collier’s. A história é contada pelo ponto de vista da própria Gellhorn, que aparece idosa enquanto relata os fatos numa entrevista — mais ou menos como a Rose conta sua história em Titanic. É aqui que Nicole Kidman se destaca. Seu desempenho como a mulher que teve uma vida difícil, porém importante, como jornalista é excepcional, mesmo sob a maquiagem para deixá-la mais velha. Ela se coloca numa posição defensiva o tempo todo quando aparece idosa, enquanto suas cenas na juventude refletem uma mulher arrogante, emotiva e sensual. Testemunhar essa mudança de uma garota valente correndo no meio de um bombardeio em uma veterana marcada pelas visões trágicas da guerra é o maior prazer do filme. Tais visões trágicas, aliás, são outro ponto interessante. As cenas constantemente oscilam do colorido para o preto-e-branco para tons sépia, misturando imagens de arquivo às sequências. Eventualmente, os atores também são inseridos nessas imagens através de efeitos especiais, como quando eles aparecem em meio às imagens de arquivo da marcha em Madri ou dos pedestres transitando em Manhattan. É uma mistura que dá um tom mais documental à obra, mas também é cheia de altos e baixos. A cena em que Hemingway e Gellhorn estão num telhado assistindo a um grupo de rebeldes atirando granadas e Hemingway convida um deles para beber depois é ridícula. Algumas cenas desse recurso funcionam, outras não. Porém, Hemingway & Gellhorn ainda é um relato apaixonado que tem seu valor, seja como homenagem, seja como ficção, seja como documento. Um pouco de ilusão e mentira não é de todo mal. É como diz o próprio Hemingway - Os melhores escritores são todos mentirosos." (Alan Barcelos)

A felicidade para pessoas inteligentes é algo raro (ESKS)

Os melhores escritores são todos mentirosos (ESKS)

70*2013 Globo

Date 08/03/2015 Poster - ##

12. Heli (2013)

Not Rated | 105 min | Crime, Drama, Romance

59 Metascore

Heli must try and protect his young family when his 12-year-old sister inadvertently involves them in the brutal drug world. He must battle against the drug cartel that have been angered as well as the corrupt police force.

Director: Amat Escalante | Stars: Armando Espitia, Andrea Vergara, Linda González, Juan Eduardo Palacios

Votes: 4,456

{Video} M/59

HELLI

(Helli, 2013)


''Único representante latino-americano na disputa pela Palma de Ouro neste ano, "Heli", de Amat Escalante, parece ter sido feito exclusivamente para chocar as plateias de festivais com sua mistura de denúncia, estilização visual, cenas de tortura explícita e toques de cinismo. A aparição, nos créditos iniciais, do nome de Carlos Reygadas - ganhador do prêmio de melhor direção em 2012, aqui assinando como produtor -, e o fato de se tratar de uma coprodução entre México, França, Alemanha e Holanda, também são dados reveladores de como um título, entre mil, pode se destacar diante dos olhares de uma comissão de seleção. "Heli" se passa em uma cidade do México dominada pelo tráfico de drogas. O personagem que dá título ao filme é um jovem operário que mora com seu pai, sua irmã adolescente, sua mulher e o filho bebê em uma pequena casa, isolada. O cenário é desértico; o vento, constante. A paixão da irmã de Heli por um cadete que rouba uma carga de cocaína de policiais corruptos faz com que a violência irrompa na vida da família de forma abrupta. As cenas de tortura, de uma brutalidade atroz, garantiram ao filme o posto de film choc de Cannes 2013. Amat Escalante oferece um retrato do México que obedece exatamente àquilo que se espera de um olhar exótico, estrangeiro e superficial. Às vezes, o diretor parece estar debochando dessa visão com cinismo, mas esse aparente distanciamento não chega a se configurar como uma crítica ao exotismo - é, antes, uma chave de defesa do cineasta, um olhar supostamente distanciado, mas que em nenhum momento se configura como uma crítica real. O que é uma pena, porque a história tem um ponto de partida interessante e o personagem central possui uma riqueza interior que nunca chega a ser desenvolvida." (Pedro Butcher)

"Escalante combina o lirismo de Reygadas e a violência de Iñarritu para mostrar um México miserável, arcaico, corrupto, violento, quase primata. Não é um novo "Amores Brutos", mas o saldo é bem acima de média. As cenas de tortura não são fáceis de tolerar." (Régis Trigo)

"Um estupor de violência implícito capturado com certa elegância. Não vai muito além, ao menos não é gratuito, porém é repulsivo." (Marcelo Leme)

A imagem grita, os personagens silenciam.

''Heli abriu a Competição do 66º Festival de Cannes. É o terceiro longa-metragem do diretor mexicano Amat Escalante, bastante apreciado pelo Festival, visto que estreou seus dois outros longas – Sangre e Os Bastardos – na mostra Un Certain Regard. É possível esboçar alguns temas que se repetem em sua obra, como a juventude, a violência, as situações limite, tendo sempre como cenário a sociedade mexicana contemporânea e sua relação com a cultura americana. Essa relação de poder lhe interessa em especial: ele próprio a vivencia intensamente, por ser americano por parte de mãe e mexicano por parte de pai. A produção de ''Heli'' distribuiu um press kit que continha uma entrevista com Escalante. Nela, podemos entender várias das motivações e intenções do diretor. Ainda que informações extra-filme, acredito que sejam interessantes para tentar compreender algumas perguntas e desejos a que Heli tenta responder. Ao longo da entrevista, o diretor coloca, de diversas formas, que ambiciona uma mise en scène naturalista. E, para tanto, lança mão de alguns recursos, como o uso de lentes 50mm (ou mesmo 40mm) – que aproxima a imagem do filme da visão do olho humano; o trabalho com não-atores (com exceção do personagem do pai); e a predominância de iluminação natural por um chefe maquinista vindo do cinema documentário. Eu queria que os espectadores mexicanos vissem a realidade de frente. Escalante se refere aqui à realidade social de seu país: o tráfico de drogas, a corrupção, a violência, o medo e a tensão permanentes. Um cotidiano ao qual ele tem acesso apenas indiretamente. Vemos ali cenários de sua infância, elementos que lhes são familiares (Sangre foi filmado em sua cidade natal e Heli em uma região vizinha). Mas sua relação com a violência é mediada: muitos dos elementos dramáticos foram inspirados em recortes de notícias publicadas e veiculadas pela mídia mexicana. A própria escolha do título pode servir como exemplo anedótico: era o nome de uma criança de 10 anos envolvida em um tiroteio entre sua gangue e a polícia e cuja história foi publicada em um pequeno artigo de jornal. Escalante disse ter gostado da sua sonoridade. O cineasta parece não levar em conta que seu filme também projeta uma mediação (do espectador com o mundo) que passa necessariamente por um ponto de vista – o seu. Afinal, o cinema, assim com qualquer forma de expressão artística, não nos oferece uma janela transparente para a realidade (para citar aqui uma metáfora bastante corrente). Estamos sempre diante de um olhar, uma perspectiva. Interessaria mais pensar, então, qual é a realidade construída por Escalante ou de que formas a violência é representada em seus filmes. A escolha de Heli é clara: a frontalidade. O filme busca sua força na dureza do que se vê (que, pretensamente, quer ser confundido com o que é). A aposta na força da imagem que escancara a realidade infelizmente não encontra correspondência em seus resultados. Faltam sutilezas e ambiguidades. A impressão é de uma ficção “sociologizante” e é muito simbólico e sintomático que, logo no início do filme, apareça uma entrevista de recenseamento (ou algo semelhante) quando mal começamos a conhecer os personagens. O filme opta também pela literalidade. Se existe uma vontade de mostrar como a cultura americana impregna a vida dos mexicanos, a direção de arte abusa da Coca-Cola em primeiro plano. Se há um desejo em pensar a naturalidade da violência no universo infantil, somos colocados diante de uma rima visual gritante, em que o movimento de espada de um personagem de videogame é replicado, logo ao lado, por uma criança batendo em um adolescente, numa sessão de tortura. Sem falar na cena intragável do abuso sexual por parte da policial feminina, num ponto do filme em que já estava mais do que claro que as instituições eram corrompidas e não ofereciam possibilidades de fuga. A vontade de adentrar a dimensão psicológica dos personagens não ecoa nas atuações endurecidas, nas movimentações engessadas. Eles têm dificuldade de se expressar, de reagir às situações e traumas que os acometem. Mas antes que o espectador possa encontrar algum interesse nesse emudecimento, um dos personagens, de fato, emudece. Abordar a realidade por meio da frontalidade e da literalidade pode construir efeitos de verdade e trazer força a um filme. Só não parece ter sido o caso de Heli." (Lygia Santos)

''O mundo proibido e milionário dos traficantes de drogas é uma sedução constante na cultura pop. No último domingo, 10 milhões de pessoas nos EUA viram o episódio final da série Breaking Bad, sobre um professor que vira um lorde da metanfetamina. "Heli", do mexicano Amat Escalante, é uma espécie de anti-Breaking Bad. O drama, exibido hoje na programação do Festival do Rio, deixa de lado o glamour criminoso e foca Heli (Armando Espitia), um jovem trabalhador afetado pela guerra entre a polícia corrupta e os cartéis na região de Guanajuato. É o oposto dos filmes de gângsteres", diz Escalante, que saiu do último Festival de Cannes com o prêmio de melhor diretor. Escrevo meus roteiros sempre me imaginando na situação e queria saber como o tráfico afeta uma pessoa normal. Quando "Heli" foi exibido em Cannes, suas cenas chocaram não apenas os europeus, mas provocaram a ira dos mexicanos. A abertura do filme, por exemplo, é a jornada de um traidor dos cartéis rumo ao seu enforcamento público. No auge da trama, uma criança joga videogame em um barraco enquanto um torturador ateia fogo nos órgãos genitais de outra vítima. Um jornalista mexicano escreveu que gostaria de me colocar na cadeia por difamar o país", afirma o diretor. Mas ele nem viu o longa e disse que o filme faria ao México o mesmo que O Expresso da Meia-Noite fez à Turquia. A referência ao filme de Alan Parker sobre um americano preso e abusado ao ser pego com drogas na Turquia é de um engano assombroso. "Heli", por boa parte da projeção, parece mais um drama familiar, no qual o protagonista precisa cuidar da mulher (Linda González), do filho recém-nascido e da irmã, uma pré-adolescente de 12 anos (Andrea Vergara) que deseja fugir e casar com um homem mais velho. A gravidez na adolescência é absurdamente alta na região por causa da ignorância das pessoas. O governo não cuida de ninguém, não há educação, diz Escalante. Talvez por isso haja jornalistas mexicanos com raiva de mim, porque reforço certos clichês sobre meu país. Mas tudo isso está à minha volta." (Rodrigo Salem)

2013 Palma de Cannes

Top México #41

20 Metacritic

Date 12/03/2015 Poster - #

13. Museum Hours (2012)

Not Rated | 107 min | Drama

84 Metascore

When a Vienna museum guard befriends an enigmatic visitor, the grand Kunsthistorisches Art Museum becomes a mysterious crossroads that sparks explorations of their lives, the city, and the ways in which works of art reflect and shape the world.

Director: Jem Cohen | Stars: Mary Margaret O'Hara, Bobby Sommer, Ela Piplits, Marcus O'Hara

Votes: 1,839 | Gross: $0.08M

{Video/@@@@@} M/84

HORAS DE MUSEU

(Museum Hours, 2012)


''No seu primeiro longa de ficção, o americano Jem Cohen traz para a tela a influência de seus documentários e trabalhos em vídeo-arte, cujo foco é o homem e seu entorno estritamente urbano. “Horas de Museu” é uma surpresa tão inesperada, que poderemos até esquecer do seu hibridismo, tal a gentileza com a qual Cohen nos convida a participar de sua pequena e delicada história. Bobby Sommer (que ficou conhecido como promotor de shows de bandas famosas, entre os anos 60 e 70) é Johann, um guarda do Museu de História da Arte (o Kunsthistorisches), em Viena. Seu trabalho consiste em vigiar as pessoas que visitam o Museu, além de, já que o tempo lhe permite, tecer comentários sobre os visitantes e, também, sobre as obras ali expostas – com uma especial atenção ao trabalho do pintor flamengo Pieter Brueghel. Um dia ele se depara com Anne (Mary Margaret O'Hara), uma americana que está na cidade para visitar uma prima, que há muito não via e que está em coma num hospital. Sem muito dinheiro, Anne passa as horas no Museu até pedir informações a Johann e, a partir daí, ele demonstrar interesse em lhe ajudar e ser o seu guia por Viena. Entre o Museu e as obras, a cidade e as pessoas, o diretor tece um belo e misterioso comentário sobre a vida, a arte e os afetos sinceros. Com uma sutileza e sensibilidade rara, “Horas de Museu” nos pede aquilo que parece ser a “condição” primitiva do cinema: o olhar. Mas não um olhar qualquer. Há de ser atencioso, delicado e, tal como o filme, gentil. E olhar com atenção, parece nos avisar Jem Cohen, através de uma cena de fulgurações epifânicas, é como desnudar-se. Um belo e delicioso cinema." (Filmow)

''Estamos no Museu de Arte de Viena. Vemos um guarda (Bobby Sommer) sentado, estático em seu espaço de trabalho, enquanto a banda sonora apresenta uma colagem de sons externos. É este o plano de abertura de Museum Hours, primeiro longa de ficção do documentarista Jem Cohen, e uma carta dos princípios que organizam suas ideias e sua proposta estética: o espaço institucional do museu, o mundo à sua volta, a forma como a arte se relaciona com os dois e as formas como nós nos relacionamos com ambos. "Museum Hours" é um filme bastante ambicioso, porém também muito refrescante, justamente pela maneira como lida com uma série de elementos já bastante codificados. Os documentários de Cohen sempre se destacaram pela forma que recorrem, sem culpa, a princípios narrativos externos a eles. Museum Hours, porém, inverte a lógica: há um enredo de ficção – a amizade entre o guarda do plano inicial e uma turista que ele conhece no museu, uma das premissas dramatúrgicas mais essenciais possíveis, reforçada por múltiplos significantes de figuras deslocadas e solitárias que povoam os festivais de cinema – que nos é apresentado por um olhar rarefeito que associamos não só ao filme documental, mas sobretudo ao filme híbrido, tão popular no cinema de festivais contemporâneo quanto seu fiapo dramatúrgico sempre o foi. Mas a forma como Museum Hours articula suas ideias é inseparável da maneira com que dialoga com tal herança. Se o híbrido entre documentário e ficção se tornou um dos principais nortes da produção de cinema para festivais desde o aparecimento, no começo da década passada, de No Quarto de Vanda, de Pedro Costa, e La Libertad, de Lisandro Alonso, isso acontece a partir de alguns princípios bem claros de autoficção e de aproximação entre cineasta e personagem. É um sub gênero que progrediu conduzido sobretudo por um desejo de um retorno ao campo, um certo fetiche pelo rústico, e também uma tentativa de se aproximar de o que é popular, sejam tipos, espaço ou costumes. Trata-se, portanto, de uma atualização da parcela mais realista dos cinemas novos da década de 1960, mas que troca a sociologia pela antropologia. Museum Hours causa um deslocamento nesse processo: é um filme híbrido que se aproxima de seu espaço de uma maneira que guarda vários pontos de contato com de outros exemplares do gênero (incluindo a crença um tanto ingênua numa pureza de coisas simples), mas que o coloca em crise justamente por aplicá-lo a um espaço ao qual a princípio ele não pertence: um museu cosmopolita de uma grande cidade europeia. Esse movimento, por si só, desloca e estremece seus sentidos, conferindo-os um estranhamento revigorante. Não deixa de ser muito interessante pensarmos na forma com que o filme lança mão da sua relação com Pieter Bruegel – que se torna o foco central das suas observações sobre arte – e as percepções sobre sua obra e suas qualidades documentais – a certa altura o filme se interrompe para realizar uma palestra sobre o tema – para realizar uma dobra a mais sobre esta ideia. Pois o feito de ''Museum Hours'' é colocar em questão a arte como instituição – e não somente a dos museus. A relação de Cohen com arte sempre primou pela pluralidade (sua entrada no cinema se deu por documentários sobre música, assim como o guarda do filme é, ele próprio, um ex-membro da cena punk rock européia) e, se seus filmes geralmente revelam pouco interesse por códigos já estabelecidos, isto se deve justamente a uma crença na pluralidade de arte e a um tom sempre casual, desinteressado em enquadrá-lo em algum ideal. Em seu passeio pelo Kunsthistorisches e na forma como sua curiosidade aos poucos costura relações variadas entre as obras, expostas ali, e os sons, cores e movimentos à sua volta, Museum Hours permite um olhar mais amplo sobre a instituição-cinema e as várias maneiras que o olhar sobre ele e dentro dele pode se viciar. Daí a importância da maneira com que o filme ao mesmo tempo bebe e se distancia do hibridismo em voga: o ato simples de Cohen é o de desconfiar do olhar dominante ao seu redor. Mesmo as tentativas de buscar um olhar renovado exigem esta desconfiança constante, para que algum frescor possa ser preservado. O risco do academicismo e da acomodação – uma questão de olhar, tanto quanto de estética – estará sempre à espreita. Que o filme reestabeleça esta desconfiança sem, com isso, lançar mão de um decadentismo fácil só aumenta sua grandeza. Museum Hours é todo construído através de trocas de olhares e experiências entre o guarda Johann e a turista Anne (Mary Margaret O’Hara), e, por toda a simplicidade da sua trama central, há uma exatidão na maneira com que Cohen traça o seu progresso que garante que ele nunca se reduza a uma simples justificativa dramática de um dispositivo. Se frequentemente o cinema pode assumir um olhar de visitante a passeio, para quem as coisas interessam apenas a certa e funcional distância, aqui radiografamos dois olhares que saem deste estado suspenso inicial e, pelo viés do seu encontro, chegam a um envolvimento muito mais direto, uma caminhada reproduzida pelo próprio cineasta, que não só jamais trabalhara num chave tão próxima da ficção, mas também nunca construíra um registro tão próximo e convidativo. Trata-se de uma tentativa muito bem sucedida de redimensionar o potencial de encantamento do espaço público, como na sequência em que um dos visitantes do museu acidentalmente olha para a câmera de Cohen. Afinal, é um filme sobre formas de olhar. A câmera de Jem Cohen passeia por rostos e objetos – e, pelo olhar do filme, são todos tratados com equivalência – e aos poucos estabelece uma prioridade específica para tratar cada um deles. É um discurso que se resolve de forma prática no plano, por mais que o filme tenha muitos momentos discursivos. Neste sentido, usa-se muito bem da ocupação de Johann e de como ela o deixa com muito tempo livre para pensar. O desejo é buscar um olhar despojado sobre o museu, seus corredores, obras e visitantes, e dali encontrar um olhar despojado sobre o cinema como um todo. "Museum Hours'' tem crença nas suas ideias, mas assume que é um filme contaminado pelo seu entorno. O que Jem Cohen busca exprimir, e encontra com sucesso raro, é a passagem do olhar documental objetivo para uma ficção subjetiva, e uma forma de livrar tal negociação do peso institucional do chamado cinema contemporâneo e o discurso que o fundamenta. No processo, encontra novas formas de ver e animar as coisas, e, muito mais que a maioria dos seus pares, realmente encontra imagens que, na sua banalidade, nos chegam novas." (Felipe Furtado)

18 Metacritic

Date 11/03/2015 Poster - ########

14. Hercules (I) (2014)

PG-13 | 98 min | Action, Adventure, Fantasy

47 Metascore

Having endured his legendary twelve labors, Hercules, the Greek demigod, has his life as a sword-for-hire tested when the King of Thrace and his daughter seek his aid in defeating a tyrannical warlord.

Director: Brett Ratner | Stars: Dwayne Johnson, John Hurt, Ian McShane, Joseph Fiennes

Votes: 140,194 | Gross: $72.69M

[Mov 01 IMDB 6,1/10] {Video/@} M/47

HÉRCULES

(Hercules, 2014)


''Quem entrar no cinema para ver algo como Fúria de Titãs ou Conan, o Bárbaro, com dragões, monstros alados e outras criaturas fantásticas, vai se decepcionar. Quem buscar a sofisticação de um Gladiador, no qual Ridley Scott injetou uma trama de disputa política entre lutas sangrentas na arena, também pode torcer o nariz. Pois "Hércules" é um pouco de cada um desses, e vai agradar bastante a um tipo de público: o fã de alguma aventura que precisa apenas de um fiapo decente de história para ancorar cenas de batalha espetaculares. O diretor Brett Ratner já assinou 25 trabalhos entre cinema e TV. Nunca se destacou para o público - o melhor de seu currículo é ter produzido a série Prison Break. Mas é um artesão competente no mercado, e é só disso que uma produção como "Hércules" necessita atrás das câmeras. Importante mesmo é ter alguém com estofo certo para o papel. Dwayne Johnson, já estabelecido como astro de ação anos depois de brilhar na luta livre americana como The Rock, funciona. Em outra comparação com Gladiador e Conan, ele não é e nunca será um Russell Crowe, mas se sai melhor do que Arnold Schwarzenegger. Seu Hércules é um guerreiro fortão, que vaga por aí com a fama (ou lenda?) de ser filho de Zeus e ter enfrentado os monstros mais absurdos em 12 missões heroicas. Ele e alguns comparsas são contratados por um nobre para que treinem seu exército e partam para a luta contra outro tirano poderoso. Hércules é um soldado da fortuna a serviço de senhores da guerra. Na verdade, o roteiro poderia dar ao personagem outro nome e dispensar a história dos 12 trabalhos, tal o distanciamento que propõe da figura conhecida de Hércules. É o que fez o diretor Guy Ritchie com Sherlock Holmes e a Warner com Superman na série de TV Smallville: um personagem tão diferente da versão clássica que chega a ser questionável sua utilização. Mas "Hércules" é um desfile de sequências de batalhas empolgantes, com os quesitos básicos: vilões sádicos, umas bonitinhas no elenco (a sueca Rebecca Ferguson e a norueguesa Ingrid Bolsø Berdal) e o herói imbatível (apesar da ridícula pele de leão que Johnson veste em algumas cenas)." (Thales de Menezes)

''Na década de 1990, estourou na televisão uma série do personagem mitológico Hércules, cujo protagonista parecia ter saído de algum comercial de condicionador de cabelos. O seriado era tosco, mas ao menos era um trash divertido. O mesmo não pode ser dito deste “Hércules". A única dúvida que fica após uma sessão deste novo filme de Renny Harlin (Duro de Matar 2, Risco Total) é sobre como esse longa saiu do papel. Desde o elenco até a direção de arte, passando pelo roteiro, nada na fita funciona. Esta tentativa clara de aproximar os mitos gregos da geração Crepúsculo sai pela culatra de uma maneira absolutamente vergonhosa e chega até mesmo a confundir Grécia e Roma em alguns momentos. Nesta história de origem, que ainda acrescenta elementos da história de Cristo (!) à trama, o príncipe Alcides (Kellan Lutz) é o segundo filho do cruel rei Anfitrião (Scott Adkins). Após ser traído pelo seu pai e pelo seu irmão Ificles (Liam Garrigan) e escravizado por conta de seu amor proibido pela bela Hebe (Gaia Weiss), Alcides acaba por abraçar sua verdadeira origem e nome, tornando-se Hércules, filho de Zeus, tendo de lutar para recuperar Hebe e seu reino. Não é apenas o fato do guião ser um samba do grego doido que transforma esse filme em um espetáculo deprimente. A versão da Disney para o herói também pouco tinha em comum com os mitos originais, mas funcionava naquilo que se propunha. Aqui, a proposta de se criar um 300 romântico e sem sangue esbarra nas batalhas mal conduzidas, atuações canastronas e em efeitos especiais que parecem ter saído de um fan-film de Star Wars. O 3D possui momentos que remetem aos saudosos filmes espaciais da sedutora Emmanuelle, com a câmera girando entre os atores durante os diálogos. Sem contar a insistência em acrescentar partículas mal renderizadas na tela para criar a ilusão de profundidade. Kellan Lutz está terrível no papel principal e chega a ser menos expressivo que o Hércules da versão animada sessentista que gritava Olímpia!. O rapaz tem o porte atlético que o papel pede, mas não tem nenhum carisma ou presença em tela. Mesmo seu envolvimento em cena com a beldade Gaia Weiss, com a qual tem zero de química, só se justifica pelo fato de que os dois certamente não foram contratados pela suas capacidades em entoar falas com emoção (algo ausente na dupla), mas por suas respectivas belezas físicas. Aliás, há de se ressaltar a sabedoria desconhecida do casting em escalar Rade Serbedzija, ator croata famoso por interpretar vilões russos, para viver o mentor grego do herói usando o mesmo sotaque carregadíssimo dos seus papéis mais conhecidos. Tal feito só pode ser superado pela escalação do canastrão profissional Scott Adkins – o único do elenco com reais habilidades de luta – para viver o terrível imitador de Leônidas, quer dizer, o Rei Anfitrião. Detalhe que Adkins é apenas nove anos mais velho que Lutz, que vive o seu filho no filme. Contando ainda com uma direção de arte que parece aproveitar refugos de segunda unidade da série de TV Spartacus, “Hércules" é uma verdadeira quimera natimorta que serve apenas para atestar o triste fim de carreira de Renny Harlin e a eterna capacidade de realizadores com pretensões hollywoodianas de estragar qualquer história. Desde já, um sério candidato a pior filme de 2014." (Thiago Siqueira)

''Assim como o Drácula, este ''Hércules'' vem muito diferente. Quem quer incríveis proezas do semideus encarando seus famosos 12 trabalhos deve procurar outros filmes. A história se passa depois desses episódios fantásticos - que talvez nem sejam tão fantásticos assim. Hércules e um bando de capangas bárbaros são guerreiros de aluguel. A trama é centrada numa guerra por terras e poder. Hércules não tem a aura gloriosa da mitologia, é apenas um soldado bem fortão - e vai bem Dwayne Johnson, o ex-lutador que cada vez aprende mais como ser um ator.'' (Thales de Menezes)

Paramount Pictures Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) Flynn Picture Company Radical Studios Mid Atlantic Films

Diretor: Brett Ratner

89.442 users / 20.247 face

25 Metacritic

Date 06/05/2015 Poster - #

15. Blackhat (2015)

R | 133 min | Action, Crime, Thriller

51 Metascore

A furloughed convict and his American and Chinese partners hunt a high-level cybercrime network from Chicago to Los Angeles to Hong Kong to Jakarta.

Director: Michael Mann | Stars: Chris Hemsworth, Viola Davis, Wei Tang, Leehom Wang

Votes: 49,818 | Gross: $7.10M

[Mov 07 IMDB 5,4/10] {Video/@@} M/51

HACKER

(Blackhat, 2015)


''Há certos diretores que foram muito promissores mas por alguma razão nunca confirmaram inteiramente seu talento. Conheço vários críticos que apostavam em Michael Mann, achando que ele deveria fazer parte do primeiro time de Hollywood, mesmo sem nunca ter ganhado um Oscar, apesar de ter sido indicado como produtor de O Aviador, diretor, coroteirista e produtor de O Informante, que ele fez com Russell Crowe. Agora com 73 anos, Mann seria mais famoso como o criador da série de TV Miami Vice (fez também o longa para cinema), tendo ganhado Emmys pelo tele filme Maratona Final e Drug Wars: The Camarena Story, 90. Também fez outros filmes respeitáveis como Profissão Ladrão ou Ruas de Violência, Caçador de Assassinos ou Dragão Vermelho, O Último dos Moicanos, Fogo Contra Fogo, Ali e o meu favorito Colateral. O filme anterior a este foi o decepcionante Inimigos Públicos (Public Enemies, 2009 com Johnny Depp, Christian Bale) e a decepcionante série de TV Luck (2009, com Dustin Hoffman). A má noticia é que este vem a ser o pior trabalho de toda sua carreira e fica difícil entender mesmo porque ele foi se meter num projeto tão discutível quanto esta aventura de ação rodada em Djarkata. Longo, sem personalidade (lembra qualquer outro filme oriental apátrida), não sabe aproveitar o eficiente galã Thor (Hemsworth) nem a excelente Viola Davis. Só ao final tem uma cena de perseguição numa praça onde acontece uma feira musical que tem certo charme. Até o titulo original é confuso, Blackhat é mesmo chapéu preto que descreve um vilão que nos velhos faroestes usavam chapéu preto. Assim um hacker também comete crimes cibernéticos por lucro e daí o horrível título original. A trama foi inspirada no caso Stuxnet, quando um vírus de computador foi criado para atacar os controles de um complexo industrial. Descoberto em 2010, Stuxnet arruinou quase um quinto dos lugares nucleares do Irã e nunca se descobriu sua origem. Foi totalmente rodado em sistema digital em Los Angeles, Indonésia (Jakarta), Kuala Lumpur (Malásia), Hong Kong (túnel) e China. Custou 70 milhões de dólares e foi um fracasso tremendo (não rendeu mais de 7 Milhões e 889 mil e outros 9 milhões no exterior!). O filme abre com uma explosão numa usina atômica em Hong Kong e oficiais chineses chamam Chen Dawai (Leehom) que também chama a irmã Lien (Tang) e depois um velho amigo de escola, Nick (Chris). Reparem nos livros que irão aparecer durante o filme e entenderão porque alguns críticos adoram Mann (são livros pretensiosos como O Sistema dos Objetos, crítica neo-marxista, Disciplina e Punição de Michel Foucault, A Condição Pós Moderna de Jean-François Lyotard). Tudo isso fazendo nos supor que o nosso mundo hoje é uma prisão de alta segurança. Viola faz um agente do FBI que entra na história e certamente eleva um pouco o resultado, mas o consumidor normal não vai perceber as citações filosóficas e vai reclamar de cenas de ação mais interessantes e um filme mais consistente. Não que eu quisesse falar mal do filme, mas sua carreira já fala por si mesma." (Rubens Ewald Filho)

O que tem de humano no Cinema.

''A antítese. Não há um elemento tão característico no cinema de Michael Mann quanto o trabalho de por em jogo elementos opostos para, daí, criar um notável contraste e certo efeito de sentido. O homem tem consigo uma curiosa estética de diálogo entre os personagens e o espaço em que estão inseridos; no caso do elemento mais recorrente, o contraste entre a escuridão e a luz, fica notável seu compromisso em tratar certos conflitos sentimentais, tal como a solidão (a noite – seja ela da forma como se manifesta - e o que pode haver de artificial nela, e a fascinação de observar o ser humano desnorteado nesse meio), e qualquer elemento central da narrativa termina por se tornar uma consequência da experiência que seus personagens têm dela. Enfim, o excesso. Hacker tem tudo isso, e mais um pouco: estamos diante de uma obra conceitual em vários aspectos – trata-se, basicamente, de Michael Mann filmando algo que diz respeito à era cibernética; o difícil seria imaginar outra pessoa fazendo isso sem cair no lugar-comum (dito isso: poucos usam o formato digital com tanta propriedade; esse artifício, somado a esse ponto temático, naturalmente que daria poucas chances para que algo de errado pudesse ter acontecido). Assim que Nicholas Hathaway (Chris Hemsworth) aparece, nota-se uma postura fria facilmente associada a uma pessoa perigosa e de poucos amigos: é tratado como um animal imundo na prisão, de evidente arrogância e com uma capacidade incrível de calcular suas ações de modo a, apesar de sua situação de prisioneiro, nunca perder o tratamento de superioridade para com seus carrascos. A exploração da intimidade de seus personagens, tão comum ao cinema de Mann, no entanto, não tarda a demonstrar fortes sinais: Hemsworth fitando o céu após ter sua liberdade (o desnorteamento), é praticamente o principal ponto de partida para a nossa compreensão de toda a evolução do personagem e sua ligação com os demais. A solidão a qual me referi há pouco é um ponto direto no relacionamento interracial existente no filme (lembranças a Colin Farrell e Li Gong em Miami Vice [idem, 2006]); não é criada uma base na paixonite: é apenas a câmera que capta olhares maliciosos (pernas, nuca, o constrangimento denunciado pelo desvio do olhar etc) para demonstrar o puro desejo sendo em seguida traduzido pela ação sexual, e o amor como uma consequência final disso – ou seja, o oposto: a paixão que nasce a partir do desejo carnal. Uma linha entre o uso berrante de cores e o desenvolvimento do suspense cibernético perdura na trama; o processo é coordenado: são investigações e ameaças ocorridas no meio digital que sempre terminam em suor e sangue – a influência de um meio sobre o outro. Não é tão espantoso de ver Chris Hemsworth incorporando seu personagem, a princípio visto apenas como um gênio da informática, segurando uma arma e matando com a mesma perícia de seus inimigos – que, por mais que não tenhamos conhecimento sobre suas origens, aqui ocorre uma quebra do imaginário popular acerca de uma pessoa apresentada à forma inicial. Os personagens não apresentam qualquer informação relevante de origem (e mesmo quando algum resquício dela surge, é para dar certo suporte para o estado presente deles – a policial, de forma seca e dolorosa, respondendo ao seu colega quando lhe pergunta quem ela perdeu no ataque ao World Trade Center, no 11 de Setembro de 2001: “Meu marido.”), mas nos identificamos porque os reconhecemos como iguais (o fator humano que ali é contido). A violência atinge em cheio o carnal e seu efeito destrutivo vem para confirmar sua humanidade; no filme, o universo digital é apenas uma extensão do humano - a já citada relação entre os personagens, as questões diplomáticas levantadas na narrativa, a economia que move o mundo etc. As sequências de tiro, por exemplo, não nos deixam dúvidas quanto às intenções comuns ao cinema de Michael Mann: sem aquela montagem picotada; tudo filmado com a maior calma do mundo e com a prevalência da câmera na mão – é importante essa impressão passada, de uma pessoa manejando o instrumento que nos fará testemunhar a ação. E para testar a força desse efeito de proximidade entre o espectador e a narrativa, fica óbvio que faz parte do pacote de ideias retirar certas peças do tabuleiro, o que desperta pelo menos dois aspectos: 1) a ousadia para brincar com a narrativa justamente para fortalecê-la e 2) a confiança no próprio tato para domar a tal ousadia – estamos falando em alguém experiente, e isso não é surpresa. Não é a toa que o filme não poupa de momentos de orgasmo para o espectador: atmosfera, impregnada em tudo (a situação mais bela do filme certamente consiste em um simples contraplongé em um prédio iluminado, simulando o olhar de alguém à beira da morte). É um trabalho de fácil identificação, sua assinatura é mais que explícita. Existe uma cena em que Chris Hemsworth reflete sobre as pistas de sua caça e começa a pensar em voz alta, procurando adivinhar o que se passa naquela mente, a união da caça ao caçador (É nisso que você está pensando, não é?): quase uma releitura de William Petersen obcecado por adentrar no psicológico de um assassino em série em Caçador de Assassinos (Manhunter, 1986), estabelecendo uma relação de voyeurismo, praticamente de cumplicidade. Aliás, melhor dizendo, a semelhança grita entre os dois: pessoas importantes e problemáticas que se veem obrigadas a abandonar a zona de conforto, voltando à ativa não apenas com o objetivo de atender a necessidades externas, mas sobretudo para exorcizar seus demônios. ''Hacker'' é Michael Mann puro; em sua filmografia, é um olhar para o passado, porém com os pés fixos no presente, algo que já foi feito antes, mas que passa por um processo de ressignificação aqui – prova de que a forma como se filma tem mais relevância qualitativa que o objeto a ser filmado (toda leitura de determinado item é uma questão de perspectiva – aí reside sua substância). Michael Mann é o cara. Acho que isso muita gente já sabe. Ou precisa saber." (Victor Ramos)

Forward Pass Legendary Pictures

Diretor: Michael Mann

16.131 users / 8.037 face

37 Metacritic

Date 24/05/2015 Poster - #####

16. The Amityville Horror (1979)

R | 117 min | Horror

28 Metascore

Newlyweds move into a large house where a mass murder was committed, and experience strange manifestations which drive them away.

Director: Stuart Rosenberg | Stars: James Brolin, Margot Kidder, Rod Steiger, Don Stroud

Votes: 33,391 | Gross: $86.43M

[Mov 08 IMDB 6,2/10] {Video/@@}

HORROR EM AMITYVILLE

Amityville - A Cidade do Horror (alternative title)

(The Amityville Horror, 1979)


''Após se mudarem para uma casa onde aconteceram terríveis assassinatos de uma mesma família, George, Kathy e seus filhos passam a viver uma forte experiência sobrenatural. As forças diabólicas que ali habitam perturbam toda a família durante 28 dias. No 28° dia, eles decidem tomar uma atitude." (Filmow)

"A história da mansão mal-assombrada em Amityville, em Long Island (EUA), ficou mundialmente famosa em meados da década de 1970. Um casal de antigos moradores da casa escreveu um livro relatando fatos assustadores que teriam acontecido com ambos, enquanto moravam na residência. O livro freqüentou as listas de mais vendidos durante muito tempo, o suficiente para alimentar os pesadelos de muitos garotos e, claro, fazer Hollywood comprar os diretos do livro e transformá-lo em filme. Terror em Amityville é o fruto cinematográfico de um dos casos de assombrações mais famosos de todos os tempos. Por alguma razão obscura, no entanto, o longa-metragem não recebeu os cuidados de produção que merecia. Um elenco de relativa fama, na época, foi escalado. Ele incluía a atriz Margot Kidder, que acabava de entrar para o hall de estrelas pela participação como Lois Lane em “Super-Homem”, e um ator ganhador do Oscar, Rod Steiger, em participação especial, além de um candidato a galã de Hollywood, James Brolin. De qualquer forma, parece que os produtores gastaram na contratação do elenco, mas resolveram economizar em outras áreas. A trilha sonora, por exemplo, reutiliza canções compostas para O Exorcista que o diretor William Friedkin recusou em 1973. Os atores promissores também foram prejudicados por um roteiro que é um completo desatino de lógica, sem pé nem cabeça. A rigor, o próprio livro que deu origem ao filme não passa de um relato cronológico de sustos inexplicáveis. O longa-metragem começa quando o casal George (Brolin) e Kathy (Kidder) Lutz, que narra o filme, se muda para a mansão recém-comprada, à beira de um lago. Com um casal de filhos e pouco dinheiro disponível, eles mal acreditam na sorte por encontrar uma residência tão barata, em uma área nobre da cidade. Descobrem, mais tarde, que a casa foi palco de uma tragédia familiar quando, anos antes, um rapaz adolescente matou os pais a tiros. Mas isso não os preocupa. Uma vez na residência, os Lutz começam a enfrentar situações inexplicáveis. Enxames de moscas, vultos que se esgueiram à noite, janelas e portas que fecham sozinhos e amigos imaginários começam a perturbar a vida dos quatro moradores da mansão. George é o mais afetado pelos eventos: sentindo um frio incomum a toda hora, mesmo diante da lareira acesa, ele se torna um homem indolente, preguiçoso e agressivo. Um padre amigo da família (Steiger), que aparece na casa para benzê-la, toma um enorme susto ao ouvir uma voz ameaçadora alertando-o para ir embora dali. Ele fica perturbado, vai embora e não volta. Caprichando nas situações de medo, valorizadas por uma fotografia escura e sombria, o roteirista Sandor Stern parece ter esquecido de desenvolver os personagens. Eles são caricaturas tão absurdas que parecem, todos, coadjuvantes. Quem é George? O que ele faz? Como ganha dinheiro para sustentar a família, enquanto permanece febril em casa, durante semanas? E quanto a Kathy? Como é a personalidade dela? É medrosa, apegada aos filhos, desligada ou inteligente? Não sabemos. Como é possível que um padre que sabe da natureza maligna de uma casa deixe uma família ficar lá? Não podemos imaginar. Os sustos se sucedem, mas os personagens jamais são inseridos em uma trama lógica e simplesmente não possuem personalidades. Além de tudo, “Horror em Amityville” sofre de uma perigosa síndrome que acomete filmes ruins de terror: os personagens parecem ignorar que há algo de errado em certas situações, por mais evidentes que elas sejam. Em certo momento, por exemplo, os Lutz encontram um cômodo secreto na residência, todo pintado de vermelho. O rosto de um fantasma (!) flutua lá dentro. Uma médium que visita o lugar diz que ali fica situada uma passagem para o mundo dos mortos. Mas George e Kathy, mesmo sofrendo de pesadelos diários que os fazem acordar sempre no mesmo horário não fazem nada quanto a isso. Não abandonam a casa, não chamam um exorcista. Simplesmente ficam passivos. Esperam pelo próximo susto. “Terror em Amityville” só sobrevive porque possui, sim, alguns momentos aterrorizantes. O amigo imaginário que aparece para as crianças, por exemplo, é responsável por algumas cenas arrepiantes. Em resumo, o filme de Stuart Rosemberg vai ser visto com uma boa dose de curiosidade por fãs do gênero, mas não se compara a clássicos de filmes com casas assombradas, como A Casa da Noite Eterna e Desafio ao Além. (Rodrigo Carreiro)

52*1980 Oscar /37*1980 Globo

American International Pictures (AIP) Cinema 77 Professional Films

Diretor: Stuart Rosenberg

25.299 users / 1.941 face

Check-Ins 611

Date 27/06/2014 Poster - #####

17. Helen (2009)

R | 120 min | Drama

A talented professor is forced to come to terms with her clinical depression.

Director: Sandra Nettelbeck | Stars: Ashley Judd, Goran Visnjic, Lauren Lee Smith, Alexia Fast

Votes: 1,818

[Mov 10 Fav IMDB 6,4/10] {Video/@@@@@}

HELEN

AS FACES DE HELEN (alternative title)

(Helen, 2009)


"Uma talentosa professora de música e mãe sofre de uma profunda e debilitante depressão. A família tenta ajudá-la, mas ninguém é capaz de lidar com sua dor quanto uma jovem estudante que conhece muito bem o estado depressivo." [Filmow)

{A morte está tão próxima e promete tanto} (ESKS)

{Eu estava preparada para lutar, mas não para perder} (EsKS)

Egoli Tossell Film Filmstiftung Nordrhein-Westfalen Helen Productions Insight Film Studios

Diretor: Sandra Nettelbeck

1.358 users / 580 face

Date 17/06/2015 Poster - #####

18. Men, Women & Children (2014)

R | 119 min | Comedy, Drama

38 Metascore

A group of high school teenagers and their parents attempt to navigate the many ways the Internet has changed their relationships, their communications, their self-images, and their love lives.

Director: Jason Reitman | Stars: Kaitlyn Dever, Rosemarie DeWitt, Ansel Elgort, Jennifer Garner

Votes: 28,896 | Gross: $0.46M

[Mov 08 IMDB 6,7/10] {Video/@@@@} M/38

HOMENS, MULHERES E FILHOS

(Men, Women & Children, 2014)


TAG JASON REITMAN

{esquecível}


Sinopse

''Homens, Mulheres e Filhos conta a história de um grupo de adolescentes do ensino médio e de seus pais, que tentam lidar com a forma como a internet mudou seus relacionamentos, a comunicação, suas imagens de si mesmos e suas vidas amorosas. Conforme cada personagem e relacionamento são testados, fica claro a variedade de caminhos que as pessoas escolhem – alguns trágicos, outros cheios de esperança – e que ninguém está imune a enorme mudança social que vem através de telefones, tablets e computadores.''
"Reitman fala novamente sobre o contemporâneo, mas abandonando o cinismo do final de Amor sem Escalas para tratar o espectador como idiota em um melodrama de soluções preguiçosas. (Gabriel Papaléo)

"Ainda é possível enxergar o Reitman de 'Juno' e 'Up in the Air' em algum lugar, mas essa sua mais recente empreitada é fria e carente de personalidade própria (as soluções do roteiro, inexistentes no livro, estão entre as mais prolixas dos últimos anos)." (Rafael W. Oliveira)

Jason Reitman esquece a fuga para o dramalhão com retorno ao agridoce mundo das relações humanas em queda virtual.

''Jason Reitman é um cronista do seu tempo, do mundo que o rodeia. Ok, isso é lugar-comum e já foi repetido por todos, admiradores e detratores; não é necessariamente um defeito ou uma qualidade, mas uma característica. Sua capacidade de radiografar comportamentos e aspectos da sociedade contemporânea teria ruído no longa anterior, o infeliz Refém da Paixão, seu ponto fora da curva, de toda ela. Como acordado de um transe ruim, o mais talentoso filho de Ivan volta a seu berço, dessa vez mostrando algo que nem é tão novo assim: a ruptura que os tempos modernos sofreu com o advento da tecnologia. Há de se tirar benesses de redes sociais e afins, sabendo utilizar com parcimônia e sapiência. E quem o faz assim hoje? O filme Homens, Mulheres & Filhos deixa claro que os problemas já existiam e todos iriam se afastar de qualquer forma; a tecnologia só acelerou o processo. Pais, filhos, amigos, vizinhos, maridos, esposas, a palavra de ordem é individualidade há algum tempo, mas agora ela se transformou quase em grito de guerra, e o que parecia um direito se transformou num dever... e dai para o isolamento passaram segundos. O filme deixa muita coisa clara, mas nenhuma dela é nova ou necessitava de ajuda na conclusão. Para secar o isolamento tecnológico, claro que precisamos nos preocupar com o semelhante (ainda mais se ele estiver dividindo o mesmo teto, ou o mesmo afeto que você) e deixar de lado os excessos. O que Reitman filho faz mais uma vez é humanizar e escancarar uma situação da qual já sabemos o rumo, talvez até o desenrolar inteiro... mas estando nas companhias certas, óbvio que a mensagem fica não somente mais clara, como também muito melhor difundida. E ninguém pode acusar Jason de estar deitado sobre o fácil. Misturando um elenco de novatos com veteranos não necessariamente de talento comprovado (e repetindo - e voltando a acertar - o risco Jennifer Garner), o jovem (ainda?) diretor nos provoca e instiga, desnudando a atriz já citada de qualquer luz, tirando o conforto que a comédia é para Judy Greer cena a cena, arremessando o recém descoberto Ansel Elgort num papel depressivo, revelando vigor em um Dean Norris veterano e acima de tudo, transformando Adam Sandler numa sombra pálida sem qualquer carisma ou histrionismo, um homem distante e de voz introspectiva, o brilho de intérprete insuspeito que só Paul Thomas Anderson tinha sido capaz de atrair. Contando com esse time de personagens nunca expansivos vividos por atores desafiados, Reitman tinha um tesouro nas mãos que só ele mesmo poderia lapidar como já vimos em suas produções anteriores. Mas algo não arremata o nó ao final. Temos diversas grandes cenas (o despertar da mãe que não percebia a exploração que lançava à própria filha; o desfecho sutil e acachapante do pai de família que se percebe traído, e traidor; o desespero entre pai e filho, que se enfrentam em cena aberta sem saber os reais motivos pelo qual estão duelando), temos o elenco acertado, temos uma tecnologia crescente que permite dar mobilidade, modernidade e sentido a uma trama já escrita e interpretada... mas não temos o grande 'tchan'. Vejamos: a internet é esquecida lá pelas tantas, depois da metade. Mesmo que fosse claro que "problemas reais devem ser resolvidos no mundo real", nem pra fechar a coerência da narrativa o tema é retomado. Além disso, por melhor desenho que tenham e por mais sofisticados que sejam suas entregas, alguns personagens soam datados e já vistos além da conta. Parece tudo pequeno diante do interessante desenrolar dessas carcaças já petrificadas pelo afastamento digital, e o filme alça voo em diversos momentos; jamais conseguiria chamar o produto final de algo menor que muito bom. Tenho plena consciência de que o diretor de Amor sem Escalas ainda não voltou, mas depois do susto com o péssimo longa estrelado por Kate Winslet esse ano, esse novo filme chega a refrescar. Mesmo que o conflito tecnológico do filme acabe perdendo o foco e ficando em segundo plano, ao menos não falta humanidade a "Homens, Mulheres & Filhos". (Francisco Carbone)

RReducionista acusação à internet como (nova) culpada para antigas (e atrapalhadas) escolhas humana.

''A sinopse da distribuidora diz que o filme é sobre um grupo de adolescentes e seus pais que tentam lidar com as mudanças sociais que a internet impôs a seus relacionamentos, comunicações e vidas amorosas. Um estudo (SIC) sobre a maneira como as famílias têm adequado suas estratégias educacionais na era da comunicação virtual instantânea. Para tal estudo foram escalados vários tipos mais ou menos comuns: 1)Tem a mãe que persegue filha adolescente pelo facebook, celular e por onde mais a mocinha “anda” (ou navega): lê mensagens que chegam antes da filha ter acesso e deleta o que acha inadequado. Para essa mãe tudo é perigoso, nada é divino-maravilhoso. Uma personalidade controladora obsessiva ensandecida com a desculpa de que só quer o bem da cria. 2)Tem a mãe que alimenta sonhos de fama & celebridade dos dotes físicos da filha adolescente: fotos na internet, blogs e sites da mocinha em poses cada vez mais sensuais. Sem autocrítica alguma, a mãe é mais adolescente sem-noção do que a própria filha bonitinha (e fazendo vestibular para ordinária em qualquer reality show de TV). 3)Teve mãe que nem aparece no filme porque largou marido e filho, foi pra Califórnia (literalmente), casou de novo, mudou e não deixou endereço. Mas em tempos de vidas públicas via internet , o filho descobre os passos dela e fica arrasado. Também via internet, a partir de leituras superficiais sobre a imutabilidade das coisas ao longo de séculos e séculos (Gandhi e Hitler eram feitos das mesmas moléculas-sic), deduz que nada faz sentido na vida. Nem ser um talentoso desportista. Deprimido, abandona o time de futebol (americano) do colégio, onde parece que era ótimo jogador transformando-se em objeto de ódio dos colegas, vergonha para o pai, preocupação para os professores - e diretores que chegam a lhe propor menos tarefas escolares se aceitar voltar para o time. Resultados esperados: I) Este rapaz, deprimido e desvitalizado, vai - naturalmente - se envolver com a desvitalizada e coagida filha da mãe controladora, mãe que vai interferir enormemente no que poderia ser uma relação menos doentia entre esses jovens neuróticos - a ponto de ser criada uma situação do tipo “romeu&julieta” em pleno século XXI. II) Já a mocinha exibida vai ficar com um garotão que ainda vive de sexo só pela masturbação estimulada pela internet, o mesmo meio de excitação usado por seu pai cuja vida sexual com a esposa está mais devagar do que tartaruga perneta preguiçosa. Daí para o pai buscar relacionamentos casuais através de sites de encontros temos outro resultado esperado. Descobrirá que sua esposa e dedicada mãe de família faz o mesmo. III) Para completar, uma menina anoréxica/bulímica (bulimia orientada pela internet, claro: a "maldição" que o filme quer denunciar) escolhe transar pela primeira vez como se fosse uma tarefa a mais, uma espécie de dever de casa extracurricular, com um rapaz mais velho que se interessa por ela menos do que por sua guitarra, e que faz sexo com ela quase que por obrigação, entediado. Evoluções: As situações enfocadas no mais recente filme assinado por Jason Reitman são mais do que plausíveis, mas o discurso estabelecido pela dramaturgia do roteiro e do filme tem um ranço moralista acentuado que só se agrava com a inserção de uma péssima narrativa em off feita pela habitualmente ótima Emma Thompson, mas que desta vez naufraga e colabora para o naufrágio. Como álibi, a atriz narradora poderia alegar o texto em si, de uma filosofada tão banal quanto pretensiosa, falando de nosso planetinha como um cisco no universo e blábláblá...nada necessariamente conectado com os (melo)dramas burgueses exibidos. A culpa de tudo, parece dizer o enredo apresentado, é da internet! Como se adultério nunca tivesse sido a saída (bem ou mal sucedida) para casamentos amortecidos; como se romeus e julietas nunca tivessem existido; como se supermães doentias e controladoras nunca tivessem atormentado as vidas de seus filhos e filhas; como se nunca dantes houvesse, ainda que sem internet, pornografia excitante para insatisfeitos sexuais buscarem satisfação compensatória para suas frustrações; como se não existissem em passado nem tão distante mães de miss (ou de starlets de cinema ou TV, ou de pretensas top models) tentando viver de modo vicariante o acalentado sucesso das filhas bonitinhas, sucesso narcísico que elas não viveram... E hoje em dia também já sabemos que muita gente que morria romanticamente por deixar de se alimentar, fosse por amor frustrado ou qualquer outro motivo, já eram anoréxicos - sem que a doença fosse descrita com tal nome. (No antigo romance O Morro dos Ventos Uivantes os personagens centrais param de se alimentar e morrem - assim como a autora do livro, Emily Brontë, também o fez, um prato (des)feito para doenças secundárias à desnutrição e baixa de imunidade, como tuberculose e similares, tão mais mortais na época). O rapaz que abandona o time, para padrões americanos, é visto como um verdadeiro traidor e passa a sofrer bullying. Essa liberdade de dizer não a participar de um esporte que funciona como identidade nacional (ainda que o não seja por motivos questionáveis, como, no caso, um sintoma a mais de estado depressivo) mereceria um roteiro por si só - mas não deste tipo que se contenta com culpados fáceis (a tecnologia, a internet) deixando de lado o óbvio: o que é mostrado, em essência, são atrapalhadas opções e escolhas humanas de sempre. Demasiadamente humanas''. (Luiz Fernando Gallego)

"Homens, Mulheres e Filhos" é menos um trabalho cinematográfico do que um catálogo de patologias contemporâneas ligadas ao uso da tecnologia. A estrutura do filme coral - em que histórias de diferentes personagens aos poucos se entrelaçam - parece ter sido adotada para dar conta do maior número possível de disfunções psicológicas. Baseado no livro homônimo de Chad Kultgen, a narrativa acompanha cinco adolescentes que estudam na mesma escola e também seus pais. Entre eles, o garoto (Ansel Elgort) abandonado pela mãe que se refugia nos videogames e a garota (Elena Kampouris) que pega dicas de emagrecimento em sites de bulímicas. Há uma mãe superprotetora (Jennifer Garner) que vigia todos os passos da filha na internet e outra superpermissiva (Judy Greer) que publica fotos eróticas da filha para lançá-la como modelo, mas que acabam atraindo pedófilos. Há o marido (Adam Sandler) que trai a mulher com uma prostituta encontrada na web e também sua mulher (Rosemarie DeWitt), que o trai simultaneamente com um homem que conheceu em um site. Aos personagens não é permitida uma existência, e sim uma função: ser o símbolo de um desvio comportamental que a tecnologia não cria, mas facilita. Apesar de uma nuance aqui e outra ali, o olhar sobre a internet é, no geral, moralista, condenatório e generalizante. Alinhavando a trama há a narração de Emma Thompson que cita o vídeo Pálido Ponto Azul, em que o cientista Carl Sagan reflete sobre a pequenez humana diante da imensidão do universo. É uma tentativa deslocada de dar uma pátina de profundidade a um filme que se mantém na superfície dos temas. Depois do constrangedor drama romântico Refém da Paixão, "Homens, Mulheres e Filhos" é mais um passo atrás na carreira do diretor canadense Jason Reitman. Ele começou sua trajetória emendando filmes acima da média: a sátira Obrigado por Fumar e as comédias dramáticas Juno, Amor sem Escalas e Jovens Adultos. Com toda sua leveza, esses filmes eram mais densos que o pretensioso "Homens, Mulheres e Filhos". (Ricardo Calil)

Paramount Pictures Right of Way Films

Diretor: Jason Reitman

18.250 users / 4.964 face


Soundtrack Rock

Hall & Oates
36 Metacritic

Date 09/10/2015 Poster - ######

19. Ant-Man (2015)

PG-13 | 117 min | Action, Adventure, Comedy

64 Metascore

Armed with a super-suit with the astonishing ability to shrink in scale but increase in strength, cat burglar Scott Lang must embrace his inner hero and help his mentor, Dr. Hank Pym, plan and pull off a heist that will save the world.

Director: Peyton Reed | Stars: Paul Rudd, Michael Douglas, Corey Stoll, Evangeline Lilly

Votes: 530,545 | Gross: $180.20M

[Mov 06 IMDB 7,6/10] {Video/@@@} M/64

HOMEM-FORMIGA

(Ant-Man, 2015)


TAG PEYTON REED

{divertido / simpático}


Sinopse

''Dotado com a incrível capacidade de diminuir em escala mas crescer em força, o vigarista Scott Lang (Paul Rudd) precisa assumir o lado heróico e ajudar seu mentor, Dr. Hank Pym (Michael Douglas), a proteger os segredos por trás do espetacular traje do Homem-Formiga de uma nova geração de ameaças. Contra obstáculos aparentemente intransponíveis, Lang e Pym precisam planejar e realizar um assalto que salvará o planeta.''
"Sem pretensões filosóficas, à la "O Incrível Homem que Encolheu", com que poderia se parecer, o roteiro aposta - e acerta - no tom leve, na auto-ironia, nas 'in-jokes', e no carisma de Paul Rudd (um achado). Michael Peña rouba o filme. Boa diversão." (Régis Trigo)

**** "Herói de segundo time da Marvel, o ''Homem-Formiga'' não se compara a Thor, Hulk e outrasestrelas da editora. Mas rendeu um filme que é bom passatempo. A maior surpresa é Paul Rudd como herói. Ator de comédias românticas, ele passa a fragilidade que caracteriza os heróis daMrvel.Mas fãs radicais do quadrinho podem surtar com as alterações que a produção ao gibi original. A principal é que o cientista Hank Pym não veste a roupa do herói. Ele cria o traje que dá a um humano o poder de reduzir seu tamanho ao de um inseto, mas entrega a Scott Lang, um ex-presidiário que se reabilita como benfeitor. Nem adianta dizer que Michael Douglas cria um charmoso Dr. Pym ou que Rudd cai bem como herói. Para os fanáticos, os estrago já esta feito. O "Homem-Formiga" é diversão suficiente, mas passa na tela a impressão de ser um primo pobre dos Vingadores." (Thales de Menezes)

''Quem lê gibi sabe que o ''Homem-Formiga'' é um herói de segundo time na editora Marvel. Não se compara a Thor, Hulk, Homem-Aranha e outras estrelas. Quem assistir a "Homem-Formiga" no cinema pode discordar. O filme é um bom passatempo, puro lazer em duas horas sem precisar pensar em mais nada. Tem boas cenas de ação e efeitos visuais legais (bem, isso é o mínimo que uma produção dessas deve oferecer). A boa surpresa é Paul Rudd. Ator sempre ligado a filmes românticos, tanto faz se drama ou comédia, ele se sai bem no papel do Formigão. Passa certa fragilidade que caracteriza muitos heróis da Marvel. O filme, porém, tem problemas para aqueles que justamente compõem seu público-alvo: os fãs radicais de HQ. Essas pessoas costumam surtar a cada alteração que uma adaptação cinematográfica imprime ao gibi original. E "Homem-Formiga" exagera nas mudanças. A principal é que o cientista Hank Pym não veste a roupa do herói, como acontece nos quadrinhos. Ele cria o traje que dá a um humano o poder de reduzir seu tamanho ao de um inseto, mas o entrega para Scott Lang, um ex-presidiário que ganha a chance de bancar o bonzinho. Nem adianta argumentar que o veterano Michael Douglas faz um charmoso dr. Pym ou que Rudd cai bem no papel. Para os fanáticos, o estrago já está feito. Outro problema que pode incomodar, neste caso aos fãs de cultura pop e cinéfilos em geral, é que a brincadeira de inserir um humano minúsculo entre objetos normais que agora passam a ser gigantescos não é algo novo. Nos anos 1960, a série de TV Terra de Gigantes e o longa Viagem Fantástica exploraram o tema e encantaram a todos. A lista tem muitos outros, mas a origem desse filão na ficção científica segue até hoje como seu filme mais impactante: O Incrível Homem que Encolheu. Lançado em 1957, mostra um homem exposto a produtos químicos que o fazem diminuir cada vez mais de tamanho. Tem direção de Jack Arnold, responsável por outro clássico da ficção científica, O Monstro da Lagoa Negra. O cineasta carrega o filme com um desespero angustiante. Peyton Reed, diretor mediano sem nenhum grande filme no currículo, tem muito a aprender com Arnold, porque seu "Homem-Formiga" carece de força narrativa. Fica evidente a ideia de ancorar a trama na figura de um pai buscando o amor da filha. O protagonista Scott Lang luta pela guarda da criança, e os roteiristas acreditam que ser um herói do tamanho de um inseto vai ajudá-lo nisso. Difícil crer que as cenas do pai com a filha fiquem na memória de espectadores que vão delirar com Lang cavalgando uma formiga ao liderar um exército delas. Assim, equilibrado entre drama familiar e imagens alucinógenas, "Homem- Formiga" vinga como diversão, mas não evita a impressão de que é um filme menor da Marvel, como um primo pobre dos Vingadores. Hank Pym é um dos Vingadores originais nos gibis. Excluído da franquia dos personagens no cinema, parece agora querer entrar de penetra na festa."(THales de Menezes)

"Desde o segundo Superman, desde o último Batman de Tim Burton, desde os primeiros Homem-Aranha eu não tinha, que me lembre, satisfação de ver filmes de super-herói. Mas, enfim, “O Homem Formiga” se sai bem divertido, com alguns momentos mortos (não tempos fracos – é outra coisa), algumas intuições de cena interessantes e muito humor. Vários pontos o diferenciam das sagas correntes, a começar que não enfrenta esses caras que querem acabar com o mundo e tal: temos ali um decente supervilão, honesto, um ressentido à maneira dos inimigos do Aranha. Depois, ele não é jornalista, nem bom rapaz. É um assaltante, aliás bem talentoso, mas no geral fracassado. Na ação que abre o filme, como mais tarde, terá a seu lado uma gangue de fracassados também. E por aí vai. Ele também não tem nenhum grande segredo a esconder, e sua transformação é quase risível: consiste em encolher enormemente e crescer de forma instantânea, na boa. Mas enquanto ele ainda não domina o uniforme, quando se vê reduzido a nada, há cenas boas, como aquela em que ele, formiga, vai dar numa discoteca, com mil e duzentos saltos prontos a amassá-lo. Essas situações paradoxais, em que o cara (ou a gente) poderia estar do outro lado são bem desenvolvidas, assim como um duelo entre dois mini-super-inimigos num trenzinho de brinquedo, como se fosse um duelo de faroeste. Em suma, a intuição cênica está longe de ser ruim. E, para completar, o filme é construído como a visão de uma menina, como a maneira como ela idealiza ou recupera a imagem paterna. Um filme bem sonhado, enfim – o que tem sido dramaticamente raro.(Claro, com um quê adocicado, mas em geral isso é cortado rapidamente)" (* Inácio Araujo *)

*** ''O que há de mais interessante em "Homem Formiga" ven do nome: temos ai um supr-heroi cuja principal caracteristíca e diminuir a dimensões ínfinitas. Ao mesmo tempo, é por isso mesmo, o filme abre caminho para demonstração de como super-hérois podem ser qualquer coisa: aranhas, morcegos ou lá o que seja, existe algo de infantil em sua constituição que não transita até nossos olhares adultos. Sim, "Homem Formiga" sabe que todos nos preservamos um tanto infantis e que isso é motivo paraa glória dos produtos Marvel nos dias atuais. Joga com amgia dos superpoderes de um herói que colabora para avelha e boa salvação do mundo e no mesmo gesto se esvasia.'' (** Inácio Araujo **)

Um pequeno gigante.

''Vou ser 100% sincero com vocês: adoro os filmes da Marvel, mas nenhum chegou a arranhar o status que Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008) alcançou. Os dois primeiros ‘Homem de Ferro’ são bacanas, mas mais pelo carisma de Downey Jr. do que pelos filmes em si; os dois ‘Capitão América’ vieram numa crescente que deixam o terceiro, baseado na Guerra Civil, banhado de boas expectativas; Hulk teve altos e baixos porque o personagem foi um dos poucos que não conseguiu se firmar; Thor é quase um mundo a parte e Os Vingadores vale pela galhofa, bagunça do cacete. Coube aos filmes menos conhecidos, Os Guardiões da Galáxia e agora este "Homem-Formiga", manter os heróis em evidência, mas acabaram fazendo mais do que isso e são, até aqui, os melhores representantes Marvel no cinema. É bem verdade que a fórmula de Homem-Formiga não o difere tanto de seus irmãos mais famosos, especialmente na narrativa. Começamos em 1989, quando o Dr. Hank Pym (Douglas) está saindo da empresa onde é renomado por achar que a tecnologia que inventou (e esconde ter feito isso) poderia ser perigosa demais para a humanidade. Pulamos para 2015, onde seu pupilo está perto de descobrir o mesmo método e Hank, disposto a impedir, treina Scott Lang (Rudd) para ser o ''Homem-Formiga'', um cara que vestirá uma roupa capaz de deixá-lo pequeno o suficiente para passar despercebido pelas pessoas no geral, mas com a força de um homem de 90kg para executar suas ações. Claro que é um mérito do filme narrar a origem do herói desde o começo pacientemente, afinal, é uma história a se contar, e isso é feito de maneira eficiente e não sentimos que algo foi atropelado. Entendemos as motivações de cada personagem na hora certa e sem pressa. Agora, o maior acerto de Homem-Formiga é, sem nenhuma sombra de dúvida, assumir-se como um filme de comédia de vez, com pitadas de ação ao invés do inverso. Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, 2013) já havia tentado a empreitada, mas falhou pelo excesso justamente por não ter uma história boa (até hoje não aceito aquela reviravolta; sabe-se lá como diabos a Marvel aprovou aquilo), o que não é o caso aqui. Filmes debut são mais fáceis nesse sentido, é justo dizer, mas há de se mencionar que a comédia funciona de maneira muito natural e eficiente do começo ao fim de ''Homem-Formiga'' e isso nos aproxima de um personagem até então desconhecido do grande público. Acontece que é um filme de comédia de luxo, milionário, com bons atores (os amigos de Lang, especialmente, são sensacionalmente engraçados), de trilha sonora excepcional, com boa técnica e efeitos impressionantes (ok, devo confessar que amei o 3D, principalmente por trabalhar perspectivas), então acabamos relevando todo o clichê na construção dos personagens e nos diálogos rasos e previsíveis. A ação, quando acionada, não deixa barato e aproveita bem os recursos que um personagem daquele tamanho oferece, principalmente na sua habilidade de encolher / reerguer em pleno combate. Você verá isso tudo acontecer de maneira compreensível e crível, dentro do universo diegético criado pelo longa. É legal quando um filme explora todas as possibilidades que seu tema oferece, ao contrário dos outros de herói já citados, que se escoram no nome ao invés de criar um mundo fascinante para quem está assistindo. Não é a toa que os dois melhores são justamente os que melhor exploram essas possibilidades. Serei honesto mais uma vez: funcionando em tela, não importa todo o resto. E Homem-Formiga funciona muito bem. Não sei se é fiel ou não, mas deixei a frescura e a desconfiança de lado, sentei na cadeira, comi pipoca e vi um dos melhores trabalhos da Marvel, que não se leva a sério e nos faz o respeitá-lo muito mais por isso. É um filme sem frescura, calculado do início ao fim para ser um entretenimento direto, que faz suas ligações com a franquia Vingadores para, obviamente, reciclar um elenco que estava ficando caro demais. Que esses novos Vingadores façam jus, porque começar melhor do que os de mais nome, isso eles começaram. Ps: Há duas cenas extras, uma durante os créditos e outra, menor porém mais importante, depois." (Rodrigo Cunha)

''Engraçado notar como muita gente parece estar torcendo que a Marvel Studios amargue seu primeiro grande fracasso nos cinemas, em um estranho caso de schadenfreude. Com a conturbada produção de “Homem-Formiga” e a troca da diretores que aconteceu a poucos dias do início das filmagens (Edgar Wright, que também co-escreveu a primeira versão do texto e cuidou do projeto por anos deu lugar a Peyton Reed), parecia que finalmente o estúdio iria passar o seu primeiro perrengue. O fato de que o diminuto herói não é um dos personagens mais conhecidos da companhia também contribuiu para o ceticismo geral. Felizmente, os temores se mostraram infundados e “Homem-Formiga” calhou de ser um dos filmes mais originais e divertidos dessa segunda fase da empresa, sustentado por um clima leve e divertido e pelo carisma de seu protagonista, Paul Rudd. Esta também é a adaptação da Marvel Studios que mais se distancia dos quadrinhos originais, criados por Stan Lee, Jack Kirby e Larry Lieber. Isso porque a fita, escrita pelo já citado Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo) e Joe Cornish (Ataque ao Prédio), e posteriormente reescrita por Adam McKay (O Âncora) e Paul Rudd, mistura um filme de assalto e uma história de passagem de bastão, apresentando rapidamente o Homem-Formiga original, o cientista Hank Pym (Michael Douglas), e colocando seu sucessor, o bem-intencionado ladrão Scott Lang (Rudd) como protagonista. Na trama, o aposentado herói e tecnólogo Pym é alertado por sua filha Hope (Evangeline Lilly) que seu outrora assistente e atual presidente de sua empresa, Darren Cross (Corey Stoll) está prestes a desvendar os segredos da tecnologia de encolhimento do traje do Homem-Formiga – agora rebatizado de Jaqueta Amarela – e vendê-la para quem pagar mais – ou seja, para criminosos. Para evitar que sua invenção caia em mãos erradas, Pym recruta o azarado larápio Scott para se tornar o novo Homem-Formiga e roubar o traje de Cross, prometendo ao simpático criminoso que ele será o herói que sua pequena Cassie (Abby Ruder Fortson) já vê nele. Esta aventura segue a linha trilhada por Guardiões da Galáxia, contando com um protagonista não muito certinho em uma trama com um humor mais constante. A diferença entre os filmes está na influência dos heist movies como Onze Homens e Um Segredo e, sem trocadilhos, na escala. Scott, Hank e Hope não estão tentando salvar o universo ou impedir que um robô megalomaníaco destrua o mundo, mas sim acabar com os planos de um ganancioso homem de negócios. As piadas são costuradas dentro do roteiro de maneira que não diminuem (novamente, sem trocadilho) a importância da ação para os personagens e dos dramas pessoais destes, servindo até mesmo para aliviar as tensões nos momentos certos e lembrar a audiência da loucura daquilo tudo. Por mais que esta seja uma trama menor dentro do Universo Cinematográfico Marvel, ela é extremamente relevante para a vida dos envolvidos. Para Pym, significa impedir que o trabalho de sua vida não seja transformado em uma ferramenta destrutiva. Para Lang, uma chance de abraçar seu herói interior. Em um ponto mais pessoal, Scott e Hank estão tentando também se redimir perante suas respectivas filhas, mas é uma pena que o roteiro trabalhe com isso de maneira tão pesada que esse plot chega a ser ressaltado de maneira expressa em uma linha de diálogo do vilão. Por sorte, os atores conseguem transmitir as nuances dessas atrapalhadas relações familiares de maneira mais eficiente que o texto. Outro ponto fraco do guião é o antagonista. Por mais que Corey Stoll seja um ator competente (assistam a S01 de House of Cards, onde o ator dá um verdadeiro show), seu Darren Cross é unidimensional e caricato, passando longe da complexidade de alguns de seus pares como Loki, Alexander Pierce ou mesmo Ultron. Apesar do roteiro tentar mostrar que a loucura de Cross pode ser resultado de exposição a substâncias químicas, o filme não mostra isso, ao contrário, por exemplo, do Norman Osborn de Willem Dafoe em Homem-Aranha, até mesmo o ódio que Cross sente de seu antigo mentor parece deslocado, pois não vemos nada em cena que justifique tal sentimento. Quanto aos Formigas em si, Paul Rudd ganha rapidamente a simpatia do público em uma interpretação carismática e humana de Scott Lang. Cercá-lo de personagens divertidos e leves também foi uma ótima ideia. Suas interações com o grupo de criminosos atrapalhados liderados por seu amigo Luis (Michael Peña, roubando cenas e máquinas de sorvete) e com o policial certinho (Bobby Cannavale) noivo de sua ex-mulher (Judy Greer) não só rende cenas divertidas, como também dá um maior background para o herói. Michael Douglas, por sua vez, mostra o seu Hank Pym como um cientista genial, mas que não é exatamente um primor de controle. Logo em sua primeira aparição na tela (que conta com uma ótima maquiagem digital), Douglas já chega mostrando que Pym não leva desaforo para casa, desafiando seus superiores e esmurrando um deles sem dó. Mesmo envelhecido, Hank não perde essa veia, diferenciando-o de outros cientistas da franquia, como Tony Stark e Bruce Banner. Aliás, o forte posicionamento do personagem quanto aos Vingadores pode render muito posteriormente se bem explorado. Fechando o elenco principal, Evangeline Lilly retrata sua Hope como uma mulher de personalidade forte e extremamente competente, muito parecida com seu pai, embora não se dê bem com ele. Quanto ao trabalho de Peyton Reed, vê-se claramente a influência de Edgar Wright no visual e nas cenas de ação, embora falte-lhe o senso de urgência e o dinamismo visual únicos do seu colega britânico. A plasticidade das setpieces (especialmente na viagem inaugural de Scott com o traje) captura a atenção do público e casa muito bem com o IMAX3D, embora não seja igualmente bem sucedida no 3D tradicional. Considerando as circunstâncias turbulentas, Reed se saiu muito bem e impôs um bom ritmo à produção, que diverte e avança de maneira inusitada o Universo Cinematográfico Marvel, entregando de maneira insólita e surpreendente seu herói mais humano até aqui. P.s.: O filme conta com duas importantes cenas pós-créditos.'' (Thiago Siqueira)

Marvel e a serialização de seu universo.

''O desenvolvimento do universo Marvel enquanto franquia aparentemente é realizado num esquema similar ao da televisão. Para quem não sabe, as séries de TV possuem um showrunner, a mente responsável pela criação e desenvolvimento da história; o showrunner possui um staff de escritores, normalmente não mais que 10, cada um escrevendo um ou dois ou até mesmo três episódios por temporada; e cada episódio é dirigido por um diretor cuja função é produzir o mais fidedignamente possível o roteiro previamente escrito. A lógica da TV transforma o showrunner no autor (auteur) da obra, e os diretores em mera força de trabalho porque historicamente a televisão americana especializou-se em aspectos narrativos da história, e menos nos visuais. O cinema, por outro lado, sempre foi encarado como uma forma de arte mais elevada e, se nos últimos anos, o artífice da televisão conseguiu superar inequivocamente em termos de história o cinema americano, dificilmente essa superação se dava em termos de imagens e sons. As telonas ainda, até mesmo nos dias de hoje, persistem em ser o centro do que se produz imageticamente na indústria cultural americana. O problema é que a partir de Os Vingadores, e não é coincidência que a Marvel buscou como cérebro de sua mais dispendiosa franquia um estudioso da TV (Joss Whedon), a lógica de produção da Marvel parece mais próxima da televisão do que do cinema: há os cérebros responsáveis pelo desenvolvimento do universo, provavelmente alguns engravatados em prédios altos com sinais de dólar em seus olhos; há os roteiristas, normalmente uns 4 ou 5 (e quando o número de roteiristas creditados é tão alto, pode apostar que existem uns incontáveis anônimos que foram pagos pelo caminho), responsáveis pela criação das histórias de cada filme, e os diretores são incumbidos da missão de reproduzir esse roteiro, aparentemente impossibilitados de investirem esteticamente nos filmes que eles próprios dirigem. O principal rebuliço ao redor de ''Homem-Formiga'' certamente foi o abandono de Edgar Wright da produção. Em meados de 2014, o diretor da trilogia das catástrofes saiu pela porta dos fundos do projeto que desenvolvia (inicialmente de maneira independente, e depois junto à Marvel) desde 2006. Wright, goste-se dele ou não, é um diretor de pegada forte que provou ao longo de sua carreira ser capaz de imprimir marcas pessoais de sua visão de mundo nos seus trabalhos, tendo inclusive dirigido televisão (o seriado Spaced, desenvolvido pela televisão inglesa, em moldes diferentes da americana). Os rumores da partida de Wright dão conta que as diferenças criativas responsáveis pelo rompimento são particularmente três: a Marvel exigia uma integralização contundente com o universo de suas franquias (especialmente Vingadores); havia também restrições dos estúdios quanto à moral do protagonista (um ex-prisioneiro); e a inclusão, no próprio filme, de outros personagens do universo Marvel. As três mudanças foram supostamente forçadas numa das inúmeras reescritas do roteiro (e de fato, essas questões, que foram anunciadas ainda no ano passado, estão presentes no filme, o que dá certa credibilidade aos rumores), sendo a gota d'água para o diretor inglês. Minha intenção com certeza não tem a ver com imaginar o filme que Homem-Formiga poderia ter sido com Edgar Wright no controle. Embora eu acredite que o filme provavelmente teria marcas visuais mais idiossincráticas e seria mais moralmente fiel aos quadrinhos originais, tudo que envolve esse tipo de conjectura não passa de especulação. Mas olhar para o fato de que um diretor de renome, amplamente ligado à cultura geek, foi rechaçado pelos estúdios Marvel deixa claro que tipo de filme eles desejam produzir. Wright vem de quase vinte anos de carreira sem colecionar fracassos comerciais. Apesar de Scott Pilgrim Contra o Mundo (Scott Pilgrim vs. the World, de 2010) não ter atingindo os valores do orçamento, o filme é bastante elogiado pela crítica pelos riscos que aceitou correr.Uma carreira de sucesso crítico e comercial não foi suficiente para que Wright se mantivesse à frente de um projeto desse porte, pois o objetivo dos estúdios Marvel claramente é dotar seus filmes de um caráter imediatamente serializado, diluindo as articulações artísticas individuais de cada filme em prol do universo como um todo. O esteticismo vigente desses filmes envolve o humor como fio condutor da narrativa e o CGI como a maior potência dramática: aspectos que testificam o fracasso previamente anunciado desses filmes. Não importa para onde se olhe, a ordem do dia de Homem-Formiga é a bagunça esquecível, um amontoado de cenas e momentos dotados de uma completa falta de personalidade. Não se troca Edgar Wright por Peyton Reed à procura de uma, inclusive. Paul Rudd parece muito preocupado em investir seu carisma para dar ao filme alguma dignidade, Michael Douglas parece francamente meio senil, e Evangeline Lilly tem em mãos uma personagem vergonhosa, e faz pouco para salvar-se. Logo após sair da prisão, Scott Lang (Rudd) está disposto a viver dignamente para reatar o contato com sua filha Cassie (Abby Ryder Fortson). Como a vida de um ex-presidiário não é fácil e sua ex-esposa (Maggie, interpretada por Judy Greer) pressiona para que ele pague a pensão, Scott planeja um último grande assalto. Depois de passar por dois imensos cofres, ele encontra apenas uma roupa de couro. Ao vesti-la, transforma-se em Homem-Formiga, com a habilidade de encolher até medir alguns milímetros e controlar um exército de insetos. Sob a tutela do Dr. Hank Pym (Douglas) e com a ajuda de Hope van Dyne (Lilly), Scott precisa treinar para controlar os poderes do uniforme e roubar a pesquisa das Cross Industries, que planejam utilizar a tecnologia de encolhimento para fins paramilitares. As três exigências já mencionadas da Marvel ao roteiro de Wright estão presentes aqui. O Falcão Negro faz uma breve, mas relevante participação (que aparentemente será desdobrada no próximo filme do Capitão América, A Guerra Civil, previsto para 2016); os Vingadores são repetidamente mencionados; e o crime responsável por colocar Scott Lang na cadeia foi numa vibe mais Robbin-Hood-tirando-dos-ricos-e-dando-para-os-probes do que descaradamente criminosa de fato. Vamos aos problemas. ''Homem-Formiga'' é um filme de redenção, algo que é explicitamente mencionado várias vezes pelos personagens (o roteiro esforça-se, e muito, para ser o mais explícito possível). O problema é que, em relação ao protagonista, não há o que render. Se ele hackeou sistemas de grandes e corruptas corporações para dar aos mais necessitados, ele já é, em gênese, um herói. Moralmente falando, é claro. Além disso, Lang já tem uma excelente relação com a filha, conturbada apenas pela mãe e padrasto (o policial Paxton, interpretado por Bobby Cannavale), que exigem o dinheiro da pensão. Por não haver motivo para redenção, a construção da estrutura narrativa muito ligada a isso faz com que a jornada de Lang enquanto herói seja vazia e, no final, insatisfatória. Não há corrupção moral no Scott Lang do filme, há apenas uma pequena dificuldade prática de conseguir cumprir com obrigações legais. Não se criam heróis (ou ainda mais super-heróis) por causa disso. Uma segunda trama ocorre no filme envolvendo a relação de Hope com seu pai, o Dr. Pym. Hope guarda um rancor de seu pai, aparentemente porque ele se recusa em lhe contar a verdade sobre a morte da mãe. Além disso, Dr. Pym se nega em deixar Hope vestir o uniforme de homem-formiga, embora ela seja obviamente muito mais qualificada que Scott, e por isso ela o ressente mais ainda. Por volta da metade do filme esse conflito é solucionado: Dr. Pym esclarece que a mãe de Hope morreu em uma missão, salvando o mundo e etc., e que por isso ele receia deixar que Hope use o uniforme, com medo de perdê-la também. Se essa trama lhe parece fraca, é porque, meu amigo, certamente o é. Não há o menor compromisso do filme em investir efetivamente tempo e carga dramática na construção, desenvolvimento e resolução do conflito particular entre esses dois personagens. A coisa toda discorre num monte de diálogos maçantes e estoicos. Hope, inclusive, é uma personagem especialmente revoltante, certamente sabotada pelos roteiristas. Embora seja qualificada, inteligente, habilidosa e ocupe um cargo de alta confiança na empresa que seu pai pretende sabotar, ela não passa se um trampolim para que Scott torne-se um pouco melhor em campos que ela já domina, e termina o filme fazendo um par romântico inexplicável com o herói. Ou seja, além dela dar força, perícia e meios para que Scott torne-se um bom super-herói, ela acaba por também lhe dar o sexo. O público-alvo das empreitadas Marvel (homens de até 25 anos) vão, misoginamente, ao delírio. Eu devo admitir que, à princípio, a ideia de uma certa serialização cinematográfica não me seja absolutamente repulsiva, pois reconduz ao cinema uma força que foi essencial para que ele se estabelecesse como 1. expressão artística autônoma e 2. fenômeno cultural de entretenimento. Repossibilita que a experiência de ir em uma sala de cinema volte a ter algum significado real, coletivamente falando. O problema está na postura da Marvel, atuando como mente-mestre por trás do espetáculo, dotando de um bruto controle absurdo capaz de liquidar as autonomias estético-expressivas de cada filme, pasteurizando o visual e o conteúdo para que, só então, o filme possa figurar publicamente com o selo Marvel de qualidade. A serialização na televisão funciona, aliás, somente quando o showrunner trabalha com um material dramático de qualidade, normalmente retratando a vida de um personagem ou um grupo de personagens enquanto questões ético-morais são questionadas e ressignificadas. Quando não há a menor possibilidade de um confronto apurado de ideias, do ponto de vista estético ou moral, a própria figura do showrunner não tem significado, e a série já nasce inodora e fracassada (exemplos de séries péssimas em redes de televisão aberta nos EUA, infelizmente, são a regra e não a exceção). Sob esse ponto de vista, até mesmo franquias extremamente poderosas e monetariamente ultra relevantes como Harry Potter ou Senhor dos Anéis se saem melhor: a primeira porque permite devaneios criativos de cada diretor, em menor ou menor grau (basta reparar, por exemplo, em A Pedra Filosofal, de 2001, O Prisioneiro de Azkabam, de 2004, e A Ordem da Phoenix, de 2007 e reparar como cada filme de Harry Potter possui características individuais), a segunda porque a mente-mestre é a do próprio diretor, Peter Jackson, cujo trabalho hoje em dia parece fazer jus ao que é praticado em Senhor dos Anéis (de 2001 a 2003). Infelizmente, as previsões não são animadoras. A mobilização em torno dos filmes da Marvel parece aumentar e os estúdios mostram uma tendência cada vez maior de integralizar seu conteúdo, utilizando-se do controle ferrenho das etapas de produção para alcançar esse objetivo. Provavelmente já haja captação de recursos acontecendo para filmes que serão lançados daqui dez ou quinze anos e a minha curiosidade a respeito desse fenômeno é cada vez mais intensa. A cada novo lançamento, da Marvel ou de qualquer outra empreiteira, o futuro do cinema enquanto indústria do entretenimento torna-se cada vez mais instável e inseguro, até o momento em que alguma coisa nova surgir, reconfigurando essa nebulosa ordem vigente. Estaremos de olho quando isso acontecer. (Guilherme Bakunin)

Marvel Studios

Diretor: Peyton Reed

158.423 users / 49.954 face


Soundtrack Rock

The Wiggles / The Commodores / The Cure / Adam and the Ants
43 Metacritic

Date 15/11/2015 Poster - #######

20. The Roaring Twenties (1939)

Not Rated | 106 min | Crime, Drama, Film-Noir

Three men attempt to make a living in Prohibitionist America after returning home from fighting together in World War I.

Director: Raoul Walsh | Stars: James Cagney, Humphrey Bogart, Priscilla Lane, Gladys George

Votes: 11,942

[Mov 09 IMDB 7,9/10] {Video/@@@@@}

HERÓIS ESQUECIDOS

(The Roaring Twenties, 1939)


TAG RAOUL WALSH

{inesquecível / nostálgico}


Sinopse

''Eddie Bartlett é um veterano de guerra desempregado que se torna contrabandista de bebidas, trocando as batalhas por garrafas. Enquanto cresce seu império, Eddie enfrenta ameaças externas e internas, constantes batalhas territoriais, confrontos de gangues e traições.''
"Raoul Walsh era excelente na condução de suas cenas de ação, mas isso é apenas parte da força presente em Heróis Esquecidos. Sua grande crítica ao descaso com os veteranos de guerra, assunto em voga na época, é igualmente potente e impressionante." (Heitor Romero)

***** "O que acontece a um herói de guerra depois da guerra? De forma moderna (e angustiada), Clint Eastwood tratou do tema em A Conquista da Honra. Raoul Walsh, cineasta clássico, não tinha tanta necessidade de se angustiar. Os heróis da Primeira Guerra propostos em "Heróis Esquecidos" não hesitam em buscar novos destinos. Um deles se torna advogado. Os outros dois (James Cagney e Humphrey Bogart) são gângsteres. No cinema da velha Warner, não havia muito segredo: voltou da guerra, não tem dinheiro, entra para o ramo das bebidas clandestinas. Se você é um durão, tipo Cagney, sobe na vida com relativa rapidez. Walsh provê o filme do senso de urgência que marcava o destino de seus personagens. Nada pode ser adiado. A terra queima sob os pés dos heróis (ou anti-heróis). Eis o que faz de Walsh um cineasta raro: sempre trata a trajetória dos personagens em função do destino trágico que lhes é reservado. Não há o que esconder: todos sabemos que as coisas não terminarão bem. Não é preciso esconder isso do espectador ávido por surpresas. O gênero já nos leva para lá. Mas o que poderia ser mera punição do mau comportamento, Walsh sabe trabalhar como a grandeza de ambição desses homens, que poderiam ser policiais ou taxistas, mas não se contêm: é preciso ao menos tentar ser grande, matar para viver seu destino e morrer com grandeza." (* Inácio Araujo *)

***** Se "Heróis Esquecidos" trata dos soldados que, ao voltar da Primeira Guerra Mundial, não tinham lugar na sociedade, seu autor, Raoul Walsh, hoje tende a ser esquecido. À primeira injustiça, os heróis responderam aderindo ao gangsterismo, casos, aqui, de James Cagney e Humphrey Bogart. À segunda, não se sabe muito bem como responder. Walsh dirigia como um possesso, criando um ritmo muito particular (acelerado, quase sempre) para seus filmes, disfarçando sob a aventura e a violência seu refinamento de pioneiro (ele começou como ator e assistente de D.W. Griffith e já dominava sua arte, perfeitamente, no cinema mudo). Walsh sabia dar vida e movimento a toda cena importante que dirigia. Essa arte clássica por excelência atualmente é pouco conhecida, um tanto oprimida sob os frufrus do pós-moderno e a seriedade do moderno. Seu equivalente atual talvez seja Brian de Palma, de O Pagamento Final." (** Inácio Araujo **)

Top Década 1930 #33

Warner Bros.

Diretor:Raoul Walsh

9.041 users / 550 face

Check-Ins 697

Date 18/04/2014 Poster - ######

21. Hitman (I) (2007)

R | 100 min | Action, Crime, Thriller

35 Metascore

A gun-for-hire known only as Agent 47 hired by a group known only as 'The Organization' is ensnared in a political conspiracy, which finds him pursued by both Interpol and the Russian military as he treks across Russia and Eastern Europe.

Director: Xavier Gens | Stars: Timothy Olyphant, Dougray Scott, Olga Kurylenko, Robert Knepper

Votes: 156,213 | Gross: $39.69M

[Mov 07 IMDB 5,7/10] {Video/@@@@} M/28

HITMAN - ASSASSINO 47

(Hitman: Agent 47, 2015)


TAG ALEKSANDRE BACH

{simpático}


Sinopse

''Hitman: Agente 47, um assassino de elite que foi geneticamente programado para ser uma máquina mortífera perfeita, e é conhecido apenas pelos dois últimos dígitos do código de barras tatuado em seu pescoço. Ele é o resultado de décadas de pesquisa – e 46 clones anteriores – dando a ele força, velocidade e inteligência nunca vista antes. Seu último alvo é uma mega corporação que planeja revelar o segredo do passado do Agente 47, criando um exército de assassinos cujo poder ultrapassa o seu próprio.''
***** ''A estreia, com duas semanas de intervalo, de dois filmes de ação em que a organização do mal tem o mesmo nome, Sindicato, não é mera coincidência. É falta de imaginação mesmo. "Hitman - Agente 47" é um Missão: Impossível - Nação Secreta piorado. Há locações internacionais com arquitetura de última geração, personagens que mudam de lado a toda hora e pancadaria incessante e acelerada. Mas não tem Tom Cruise nem o charme de franquia antiga. No lugar, Hitman oferece um futurismo requentado e um elenco mais conhecido em séries de TV. A trama, adaptada de uma franquia de games, segue as peripécias de uma jovem perseguida por um agente robótico. Ambos são frutos de manipulações genéticas e alvos de um gênio do mal. Nem chegamos a acompanhar a história, pois o filme se baseia no ritmo intenso de fugas, lutas e tiroteios, ou seja, em ação. No entanto, essa dinâmica peculiar dos jogos não funciona em um longa. O fluxo logo se torna repetitivo, pois o espectador não pode escolher nem tomar decisões. O problema aqui é o mesmo da maioria dos filmes adaptados de games. Enquanto a vantagem dos jogos é interatividade e imersão, no cinema o jogador fica na posição idiota de quem olha, quer participar e ninguém deixa." (Cassio Starling Carlos)

''Costuma-se dizer, entre hitmanos fãs de games (grupo do qual não faço parte), que a adaptação de um jogo para as telonas é sempre uma tarefa bastante complicada. A expectativa é sempre muito alta, e a decepção também. Como atribuir uma identidade e independência a uma história que já tem personalidade própria e é completamente interativa? O transporte de uma linguagem para outra, seja de uma peça, de um livro, ou de um jogo, exige sempre certa destreza dos realizadores. No caso deste “Hitman – Agente 47”, não posso julgá-lo em termos de adaptação primeiro porque nunca usufrui do jogo que deu-lhe origem; segundo porque isso não cabe ao crítico de cinema, que deve restringir-se somente ao produto cinematográfico, sendo este, por sua vez, bastante limitado. É bom lembrar, inclusive, que já houve uma tentativa de transportar o jogo para as telonas; em 2007, chegou aos cinemas “Hitman – Assassino 47”, obra também de qualidade bastante questionável. Dirigido por Aleksander Bach, aqui o longa acompanha o agente especial (Rupert Friend) geneticamente modificado para ser uma perfeita máquina de matar que atende pelo nome de “47”, número tatuado em sua nuca juntamente com um código de barras. Suas armas mais poderosas são a ousadia, a falta de medo e dor, e a destreza absurda com que desfere seus golpes. Encarregado de destruir uma operação que pretende usar o segredo de sua criação para a formação de um grande exército, ele se une a Katia van Dees (Hannah Ware), uma misteriosa jovem que é muito mais do que aparenta. O início exageradamente expositivo, onde somos apresentados à basicamente quase todos os indivíduos-chave que irão compor a trama por um narrador que só aparece nessa parte da projeção, em um pobre recurso de linguagem, prejudica a sequência da história e o nosso envolvimento com os personagens. Em meio a tais dificuldades, vamos estruturando tudo aquilo que nos foi jogado nos primeiros minutos por meio de mais diálogos expositivos ao longo do filme, contrariando uma das premissas básicas da linguagem cinematográfica: mostre, não diga. De todo modo, quando chamado à ação, o longa responde razoavelmente bem, entregando sequências dignas de um bom pipocão hollywoodiano. Bach filma com habilidade e aproveita com eficiência os talentos especiais de seus personagens e as locações onde os confrontos se passam para dar-lhes consistência e fluidez. Destaque para o seguimento na embaixada dos Estados Unidos em Singapura e para as sucessivas batalhas entre o 47 e o vilão John Smith, interpretado por Zachary Quinto em atuação segura e convincente. Aliás, não podemos culpar o mau desempenho geral da película pelo trabalho de seus atores. Quinto, Ware e Friend oferecem todos composições bastante satisfatórias, e ainda temos o ótimo Ciarán Hinds fazendo uma ponta pequena, mas importante, na metade final. O que falta mesmo é um pouco mais de acidez e personalidade ao texto de Skip Woods, Kyle Ward e Michael Finch, sempre frio e atribuindo pouco carisma aos sujeitos do enredo. Há uma faísca de boa discussão, quando insere-se o tema do determinismo como central para entendermos como funciona o modus operandi dos agentes geneticamente modificados, mas é logo deixada de lado, desperdiçando o que poderia ser uma excelente questão para dar mais profundidade à trama. Dessa forma, temos uma obra que nos desperta o interesse muito maior pela ação em si, do que pelas pessoas que a protagonizam. Em nenhum instante, chegamos a nos importar, de fato, pelo destino dos personagens que estamos acompanhando, o que confere um erro grave na estrutura da película. Isso tudo é evidenciado por uma péssima construção de relacionamento entre pai e filha, onde toda a carga dramática é depositada e não causa efeito nenhum no espectador quando o clímax chega em tela. No final, ainda há uma sugestão de gancho para uma continuação, o que, dado o resultado bem abaixo do esperado da presente obra, acredito que dificilmente acontecerá. E se acontecer, que seja melhor do que esta." (Arthur Grieser)

***** ''Existem filmes que funcionam melhor na TV do que no cinema. Em especial, filmes de ação que mais parecem videogames, nos quais a plástica espetacular de tiros e pancadarias vale mais do que as motivações dos personagens. "Hitman - Assassino 47", de 2007, é um bom exemplo. Vai além de parecer com um game, porque "Hitman" é realmente um jogo de muito sucesso. Timothy Olyphant, ator inexpressivo, interpreta (?) o número 47 de uma linhagem de matadores profissionais. Quando cumpre mais uma missão e, de forma surpreendente, a vítima reaparece em público, o Agente 47 percebe que está envolto numa trama cabeluda e virou alvo de outros matadores. A diversão é ver como ele enfrenta dezenas de outros iguais a ele. Um filme para garotos crescidos." (Thales de Menezes)

Twentieth Century Fox Film Corporation TSG Entertainment Fox International Productions Infinite Frameworks Studios

Diretor: Aleksander Bach

62.664 users / 19.195 face

27 Metacritic 615 Down 6

Date 09/08/2016 Poster - #####

22. The World's End (2013)

R | 109 min | Action, Comedy, Sci-Fi

81 Metascore

Five friends who reunite in an attempt to top their epic pub crawl from twenty years earlier unwittingly become humanity's only hope for survival.

Director: Edgar Wright | Stars: Simon Pegg, Nick Frost, Martin Freeman, Rosamund Pike

Votes: 244,991 | Gross: $26.00M

[Mov 08 IMDB 7,1/10] {Video/@@@@@} M/81

HERÓIS DE RESSACA

(The World's End, 2013)


TAG EDGAR WRIGHT

{divertido / hilário}


Sinopse

''Vinte anos depois de tentar um pub crawl - uma maratona de bebedeira em vários bares diferentes numa única noite - um grupo de cinco amigos de infância se reúne novamente para arriscar o feito, quando um deles convence os demais. A diferença é que agora eles têm 40 anos e chegar ao pub The World's End (o fim do mundo), parada final da maratona, será bem mais difícil.''
"A tal trilogia de Edgar Wright e Simon Pegg termina de forma muito competente, com reviravoltas surpreendentes, originais e piadas especialmente inspiradas. O filme tem pouca ou nenhuma moral, mas quem se importa?" (Alexandre Koball)

"Sátira infeliz aos filmes do tipo As Esposas de Stepford e A Aldeia dos Amaldiçoados.A longa duração, as barrigas (demora 40 minutos pra começar), e o excesso de efeitos visuais anulam a eficácia da maioria das piadas, e o saldo final é de decepção." (Régis Trigo)

"A trilogia das catástrofes de Edgar Wright não fecha fazendo jus ao filmes antecessores, ficando em um nível mais abaixo. Ainda assim, diverte e empolga e demonstra que Wright sabe tratar muito bem de seus personagens." (Guilherme Bakunin)

{Simon Pegg, como sabe quando está bêbado se nunca está sóbrio?} (ESKS)

''Em 2004, o diretor Edgar Wright e os atores Simon Pegg e Nick Frost iniciaram a chamada Trilogia dos Três Sabores de Cornetto (Three Flavours Cornetto Trilogy) com o já clássico Todo Mundo Quase Morto (Shaun of The Dead). A comédia, que subvertia os clichês e homenageava os filmes de zumbi, foi um grande sucesso devido aos seus diálogos ágeis e engraçados, roteiro bem amarrado e ótimas atuações da dupla de protagonistas e do elenco de apoio composto por comediantes britânicos. No ano de 2007, foi a vez de Chumbo Grosso (Hot Fuzz), filme igualmente engraçadíssimo e que prestou uma sensacional homenagem aos filmes de ação. A Trilogia agora chega ao fim com ''Heróis de Ressaca'', uma pérola que homenageia os filmes de ficção-científica, mais precisamente os de invasão alienígena. Cada filme é relacionado a um sabor diferente do sorvete Cornetto – os protagonistas se referem, compram ou visualizam o sabor adequado a cada situação. Em Todo Mundo Quase Morto, o sabor é de morango (vermelho); em Chumbo Grosso, o sabor clássico (azul); e em Heróis de Ressaca, menta (verde). A brincadeira com as cores do Cornetto é ainda uma paródia com a série de filmes Trilogia das Cores (Trois Couleurs) do diretor Krzysztof Kieślowski. Estrelado pela impagável dupla Simon Pegg e Nick Frost, além de Martin Freeman, Paddy Considine, Eddie Marsan, Rosamund Pike, Pierce Brosnan e Bill Nighy em participação especial, Wright novamente conseguiu fazer um filme engraçadíssimo, com roteiro muitíssimo bem amarrado (escrito em conjunto com Pegg), diálogos sensacionais e momentos impagáveis, principalmente em seu terço final. Na trama, 20 anos após tentarem um pub crawl – uma maratona de bebedeira em vários bares diferentes numa única noite -, um grupo de cinco amigos de infância se reúne novamente na cidade do interior da Inglaterra, onde moravam, para arriscar o feito, quando um deles convence os demais. Porém, ao chegarem no local, percebem que coisas estranhas têm acontecido na cidade. Simon Pegg e Nick Frost, a dupla de protagonistas, estão impagáveis como sempre. Pegg entrega uma interpretação inspirada e alucinada, ainda que com alguns toques de melancolia, para o seu Gary King. A simpatia com o personagem é imediata. Frost faz Andy, melhor amigo de Gary e o melhor sucedido da turma. Seu processo de desconstrução ao longo do filme é divertidíssimo. Martin Freeman, Eddie Marsan e Paddy Considine também entregam interpretações inspiradas. Apesar de serem mais contidos, talvez pelos próprios personagens que interpretam, os três têm momentos engraçadíssimos e não servem somente como escada para as piadas da dupla principal. Vale também destacar a presença da linda Rosamund Pike, que faz uma mocinha pouco convencional, objeto de desejo e de (divertida) disputa entre as personagens centrais. As participações de Pierce Brosnan e Bill Nighy como figuras importantes do passado do grupo são impagáveis e essenciais para a trama. A fotografia do filme é excelente e há ótimo uso das locações e cenários. Aos poucos, a bonita e simpática cidade de Newton Haven vai se transformando em um cenário opressor. O ritmo vai de uma escalada constante até chegar a um ponto vertiginoso, e as cenas de ação e luta são orquestradas magistralmente. Nota-se também uma certa influência de Scott Pilgrim Contra o Mundo, trabalho anterior do diretor, na edição da película. Algumas transições são muito parecidas, ainda que mais discretas. Em resumo, a Trilogia dos Três Sabores de Cornetto encontra aqui o seu desfecho de ouro com esse sensacional filme que agrada em cheio a qualquer público, mesmo àqueles que não são familiarizados com o cinema de Edgar Wright." (Bernardo Mazzei)

A trilogia loser chega ao fim.

''Em Heróis de Ressaca", Edgar Wright mais uma vez aposta na extrema estilização, fazendo da montagem (de técnicas como o raccord, falso raccord e a elipse) e dos enquadramentos e movimentos de câmera parte integrante da narrativa que mais uma vez promove um choque entre os desejos e devaneios de seus protagonistas e o mundo que os cerca, que não necessariamente correspondem à maneira que eles desejam enxergar. O evento sobrenatural ou extraordinário é sempre o que faz o protagonista ter que se dar conta de sua própria condição de pária e da sua inabilidade de atender aos padrões, tendo que passar da inércia alienante de um indivíduo deslocado, condição inicial de todos os seus protagonistas, para completar a jornada como um rebelde ativo, enfrentando as ameaças extraordinárias que acabam sendo o ponto mais caricatural e grotesco dos mundos que os puseram à parte. Novamente se reaviva a questão de uma imaturidade socialmente desprezada, individualizante e egoísta contra uma maturidade sempre clamada, uniforme e excessivamente preocupada. Em Todo Mundo Quase Morto, o protagonista via-se obrigado a amadurecer emocionalmente para deixar de fazer parte de uma horda de zumbis alienados, sem individualidade própria; em Chumbo Grosso, o policial disciplinado e ordeiro vê-se obrigado a encarnar o herói de cinema de ação para combater a elite de uma pequena cidade. Aqui, o protagonista interpretado por Simon Pegg sonha em refazer com seus amigos em sua cidade natal uma maratatona de bares que quase conseguiram completar no passado. Os dois empecilhos que enfrenta é que primeiro, ele é o único que continua com a vida boêmia e despreocupada, ao contrário de seus amigos de adolescência, agora todos responsáveis homens de família pouco propensos feito ele de chegar até o bar The World's End. O segundo é que a cidade foi invadida por alienígenas e virtualmente todos os habitantes foram abduzidos e substituídos por réplicas obedientes e pacíficas, numa referência ao filão de filmes iniciado por Vampiros de Almas, de Don Siegel. Alienígenas estes puristas e moralistas, apropriando-se de recursos como bases subterrâneas e fortes luzes para expressar seu desejo de fazer uma sociedade pura, justa e uniforme, ou seja, tudo o que contesta o personagem de Simon Pegg, bêbado sem vida social com objetivos fúteis e nem um pouco nobres. Com esse protagonista elencado deve-se necessariamente pela lógica construída no filme torcer para um mau-exemplo - cuja lógica é invertida na crescente e determinada degradação física e mental do protagonista para defender a glória individual e egoísta que seus protagonistas reclamam – de que cada um, se assim quiser, não se comprometa com nada e frequentemente estrague tudo, desde que feito com sinceridade. “Meter o pé na jaca como um direito inalienável. Wright constrói seu universo particular onde losers devem procurar uma nova forma de desajustes em ordem de não serem uniformizados baseado em pura cultura popular, com o efeito cômico sendo obtido pela destruição e então ressignificação de obras anteriores que levavam seus recursos estilísticos como efeito dramático. Ecoam em enquadramentos, cortes, músicas e diálogos a aura trangressora do cinema comercial classe B feito entre a década de cinquenta e setenta: do sci-fi humilde dos primeiros filmes sobre invasão alienígena à cultura motoqueira e low rider, Heróis de Ressaca reinventa universos separados – dramas íntimos e cinema-catástrofe – em apenas um. Seus protagonistas correm por suas vidas e correm pela superação de seus problemas, confundindo as duas noções e por vezes preterindo uma a favor da outra. Repaginando de forma irônica a jornada heróica onde seus protagonistas correm riscos em duas esferas – pessoal/emocional e física, encontro da comédia dialogada de roteiro e a comédia visual obtida das estratégias narrativas possíveis de se operar com tempo e espaço – após eleger seus heróis, o filme de Wright frequentemente os explica e justifica através de tempo, espaço e montagem, com a câmera tornando-os indivíduos e a montagem conferindo-os e destacando seus movimentos, com os diálogos rápidos e rítmicos ilustrando os altos e baixos da vida perdedora, obsessão do trio Wright, Pegg e Frost desde o seriado cult Spaced. A cultura popular vista não pelos olhos dos heróis, mas dos medíocres, alienados e vagabundos encontra sua derradeira e terceira versão neste filme que encerra a Trilogia dos Três Sabores de Cornetto, onde referenciando a trilogia de Krzystof Kieslowski Wright desde o início mostra a conexão ordinário/extraordinário através dos sabores que seus personagems provam simbolizando o filme que habitam (morango/vermelho para zumbis, baunilha/azul para polícia e menta/verde para ficção científica). Com o precedente aberto pelo cinema popular dos anos noventa, que fundia subjetividade e indústria, autoralidade e gênero, Wright fala de desajustados não muito distantes dos gângsteres violentos e entediados de Tarantino ou dos slackers desocupados e angustiados dos Irmãos Coen. Gente que só vê chance de escapar de vidas miseráveis e sem perspectivas quando confrontam-se de vez com o lado grotesco e exagerado de tudo que odeiam. E nessa tênue linha entre comer sorvete e correr por sua vida é que Wright, mais uma vez, levanta a bandeira da comédia estilística e referencial como símbolo da defesa de uma arte particular, não comprometida com nada além dos próprios dramas e com nada a dever além de suas próprias referências. Seja perdedor, seja herói." (Bernardo D.I. Brum)

Universal Pictures Focus Features Relativity Media Working Title Films Big Talk Productions Dentsu Fuji Television Network

Diretor: Edgar Wright

187.359 users / 50.589 face


Soundtrack Rock

The Housemartins / The Sisters of Mercy / Silver Bullet / The Sundays / Saint Etienne / PM Dawn / Definition of Sound / The Doors / Inspiral Carpets / The Stone Roses / Teenage Fanclub / Pulp / The Charlatans / James / The Beautiful South / Suede / Happy Mondays / Soup Dragons / Blur / 808 State
45 Metacritic 1.265 Up 175

Date 11/09/2016 Poster - ########

23. Deepwater Horizon (2016)

PG-13 | 107 min | Action, Drama, History

68 Metascore

A dramatization of the disaster in April 2010, when the offshore drilling rig called the Deepwater Horizon exploded, resulting in the worst oil spill in American history.

Director: Peter Berg | Stars: Mark Wahlberg, Kurt Russell, Douglas M. Griffin, James DuMont

Votes: 139,475 | Gross: $61.43M

[Mov 07 IMDB 7,2/10] {Video/@@@@} M/68

HORIZONTE PROFUNDO - DESASTRE NO GOLFO

(Deepwater Horizon, 2016)


TAG PETER BERG

{intenso}


Sinopse ''Mike Williams, chefe de manutenção da Deepwater Horizon, está preocupado com a situação da plataforma, assim como o supervisor Jimmy Harrell. Mas a companhia de exploração BP está incomodada com os atrasos do projeto e exige a continuidade mesmo assim. História do pior vazamento de óleo da história dos Estados Unidos, que ocorreu em 2010.''


"Um thriller bastante eficiente sobre uma grande tragédia de nosso tempo." (Alexandre Koball)

"Os mais nocivos casos de ação do mar de petróleo consegue virar um filme de ação muito bom. Em 20 de abril de 2010, aplataforma americana Deepwater Horizon explodiu e jogou no Golfo do México uma mancha de vários quilômetros. O filme contao que aconteceu. Na primeira parte, mostra o dia a dia na plataforma. Na segunda metade, vem aluta desesperada dos funcionários para sobreviver. Ali Mark Wahlberg faz de novo seu melhor papel: o sujeito comum obrigado pelas circunstâncias a assumir o papel de herói. O filme acerta porque não aposta em cenas de superação impossíveis. Até onde dá, é uma aventura realista." (Thales de Menezes)

''Peter Berg está assustado. E ele não é um cineasta dos mais sensíveis e frágeis. Seus filmes já lidaram com atentados a bomba na Arábia Saudita (O Reino), o mundo cruel do futebol americano universitário (Tudo Pela Vitória) e com missões americanas fracassadas no Afeganistão (O Grande Herói). Mas "Horizonte Profundo: Desastre no Golfo", lançado na quinta no Brasil, provocou um novo sentimento no diretor. "Ainda estou assustado", afirmou à Folha em setembro, na première mundial do longa, no Festival de Toronto. "Nunca fiz um filme em que precisasse lidar tanto com advogados. Eles discutiam cenas comigo, liam o roteiro, ficavam olhando sobre meus ombros na sala de edição e até debatiam como iríamos vender o longa. Foi horrível. Trata-se da história do maior vazamento de petróleo dos EUA, ocorrido em 2010, no Golfo do México. A plataforma semissubmersível que batiza o filme explodiu após um problema na pressão do poço de extração, o mais profundo registrado até então (mais de 10 mil metros de extensão), matando 11 pessoas e causando um desastre ambiental na região da Louisiana. O projeto circulava em Hollywood desde 2011, com J.C. Chandor (Margin Call) sendo contratado em 2014. Após a saída de Chandor por diferenças criativas, Berg assumiu o projeto interessado em contar a história não apenas dos funcionários mortos mas também dos sobreviventes. Ele se baseou em uma reportagem de David Barstow publicada no New York Times e nas memórias de Mike Williams, técnico-chefe de eletrônica da plataforma, interpretado por Mark Wahlberg, ator preferido de Berg. Berg decidiu filmar perto do local da tragédia, no ano passado, para utilizar mão de obra especializada e conferir mais realismo. Mas não esperava encontrar tantas dificuldades: vários consultores contratados não apareciam ou largavam a proposta. Pressão da britânica BP, dona da plataforma? Não podemos provar, mas os consultores falaram que tiveram problemas com empresas e não podiam mais nos ajudar. Perguntava se era a BP e nos olhavam em silêncio, afirma Berg. A equipe de filmagens também se disse hostilizada nas cidades ribeirinhas afetadas pelo desastre que liberou 4,9 milhões de barris de petróleo nas suas águas. As pessoas nos expulsavam, porque estavam com medo, conta. "A economia do Estado é muito conectada ao petróleo." A saída foi reconstruir a plataforma em Chalmette, próxima a New Orleans. Ela equivale a 85% da Deepwater Horizon real. Dois tanques de mais de 7,5 milhões de litros de água foram erguidos do lado do cenário para as cenas oceânicas. Aquela explosão era um momento vital e foi como comer um peru: você não pode engolir a ave inteira, precisa ir pedaço por pedaço, diz Berg. Naquele momento, o homem foi o mais próximo que podia do núcleo do planeta. Em um lugar que não deveria ser tocado. Foi como Ícaro, mas no fundo do oceano." (Rodrigo Salem)

''Fazer um filme sobre um vazamento gigante de petróleo no Golfo do México parece receita de uma produção engajada, até panfletária. Mas escalar atores que costumam aparecer em tramas de ação machonas, como Mark Wahlberg e Kurt Russell, pode indicar um resultado final encharcado de testosterona. "Horizonte Profundo - Desastre no Golfo" é uma das boas surpresas da temporada porque não é uma coisa nem outra. Trata-se de um filme sério e intenso, no qual boas intenções se convertem em espetáculo cinematográfico. O filme é a dramatização da tragédia real de 2010, quando a plataforma Deep Horizon explodiu e causou o maior vazamento de óleo em mar aberto da história dos EUA. O enredo compra a ideia de que a causa foi a ganância da empresa petrolífera, representada na tela pelo executivo sem escrúpulos interpretado por John Malkovich. O diretor Peter Berg tem 20 filmes no currículo (além de outros 48 como ator). Entre eles, acertos como Hancock, com Will Smith, e O Grande Herói, nervoso drama de guerra com o mesmo Mark Wahlberg, que desta vez faz o papel de um técnico de extração petrolífera, Mike Williams. Berg realmente deposita confiança em Wahlberg, porque Williams é o fio condutor da trama. Na parte inicial, é com ele que o espectador trava contato com o dia a dia numa plataforma bem distante da costa. É um modo de vida incomum, que o filme consegue tornar atraente. Depois, quando os incêndios deixam a plataforma entre os riscos de explodir totalmente ou de simplesmente afundar, Williams tem intervenções essenciais nos episódios de resgate de seus colegas. O grande mérito de Berg é não exagerar nas tintas. Seus personagens não fazem peripécias sobre-humanas, ninguém ali é um James Bond. Eles escalam estruturas tomadas pelo fogo porque simplesmente não há outra alternativa para tentar sobreviver. Horizonte Profundo tem parentesco direto com a safra de filmes-catástrofe dos anos 1970, que teve Aeroporto, Inferno na Torre e Terremoto. Acrescenta uma dose de engajamento ecológico que não compromete sua missão de entretenimento." (Thales de Menezes)

89*2017 Oscar

Summit Entertainment Participant Media Di Bonaventura Pictures Closest to the Hole Productions Leverage Entertainment TIK Film

Diretor: Peter Berg

107.504 users / 23.333 face

52 Metacritic 722 Down 80

Date 17/06/2017 Poster - ########

24. Spider-Man: Homecoming (2017)

PG-13 | 133 min | Action, Adventure, Sci-Fi

73 Metascore

Peter Parker balances his life as an ordinary high school student in Queens with his superhero alter-ego Spider-Man, and finds himself on the trail of a new menace prowling the skies of New York City.

Director: Jon Watts | Stars: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr., Marisa Tomei

Votes: 468,340 | Gross: $334.20M

[Mov 04 IMDB 7,6/10] {Video/@} M/73

HOMEM ARANHA - DE VOLTA AO LAR

(Spider-Man: Homecoming, 2017)


TAG JON WATTS

{esquecível}


Sinopse ''Peter Parker tenta conciliar a vida de estudante do colegial com a de super-herói ao mesmo tempo, desde que Tony Stark pediu sua ajuda. Vigiado a distância por Happy Hogan, ele não deve agir demais e interferir tanto nos problemas da cidade. Mas quando Adrian Toomes resolve ganhar dinheiro vendendo sobras de armas alienígenas das lutas dos Vingadores, ele não consegue ficar parado.''


"Bem ambientado e divertido, resgata fórmulas com eficiência pra revitalizar a juventude do personagem e explorar seus contatos iniciais com as responsabilidades do mundo adulto - como homem ou como herói. Não é Raimi, mas superior à média Marvel/DC atual." (Daniel Dalpizzolo)

"Ao adentrar o emaranhado de Os Vingadores, e ter as piadas mais sem graça, previsíveis e repetitivas de todo esse mundo cinematográfico, Homem-Aranha - como obra cinematográfica - perde a pouca identidade que lhe restava." (Alexandre Koball)

"O filme é só mais uma prova de como a fórmula da Marvel se esgotou, sentimento potencializado por ser o enésimo filme do aracnídeo. As piadas são sem graça, não há suspense, drama ou emoção e o CGI é excessivo - o clímax no avião é incompreensível. Tédio." (Silvio Pilau) "Custa a começar, mas acerta o prumo quando o herói para de bajular o Iron Man e foca na própria jornada de passagem da adolescência pra fase adulta. Holland tem seu carisma e certas cenas, apesar do CGI, impressionam (ataque ao monumento de Washington)." (Régis Trigo)

"O novo tom dado pelo roteiro e pela escalação do elenco oferece fôlego e justifica mais um reboot para o personagem e prova que talvez o Homem-Aranha funcione melhor como parte do universo dos Vingadores do que numa história à parte." (Heitor Romero)

"O vilão é besta e o roteiro se apropria um tanto demais dos estereótipos de colegial, mas 'Homecoming' se beneficia muito de seu tom mais leve, das tiradas pontuais e do carisma de Tom Holland. Mas o aracnídeo pode mais." (Rafael W. Oliveira)

***** "Homem-Aranha: De Volta ao Lar" é um dos filmes mais conflituosos já produzidos. Enquanto joga o herói novamente na adolescência (com 15 anos!), o que resgata a ideia original do criador Stan Lee nos quadrinhos, apresenta inovações no personagem que podem fazer um fã antigo do gibi surtar. Quem puder se dedicar ao exercício de imaginar o filme como se os quadrinhos e os longas anteriores nunca tivessem existido, tarefa difícil, provavelmente vai encontrar uma aventura divertida, com roteiro engenhoso. Tom Holland, 21, é um verdadeiro achado. Convence como adolescente e tem o tempo de comédia correto para transmitir a empolgação e a insegurança de garoto. A tecnologia melhorou demais a movimentação do Aranha escalando prédios e saltando de um ao outro. O vilão Abutre, original dos gibis, é o ótimo Michael Keaton, numa participação que brinca com o papel que ele fez no também ótimo Birdman. O filme derrapa justamente no que deveria ser um trunfo: Robert Downey Jr. como Tony Stark/Homem de Ferro. O ator imprimiu charme antes inédito nos filmes baseados em HQ. Esta é sua sétima atuação como o herói, sem contar uma pontinha mínima em O Incrível Hulk. Stark surge como tutor de Peter Parker, como já insinuava o roteiro de Capitão América: Guerra Civil. E isso acaba provocando a maior aberração no novo filme. Ele dá ao garoto seu uniforme para combater o crime. Por fora, parece o bom e velho Aranha. Por dentro, está muito mais para a armadura do Homem de Ferro. Está inserido nele um cérebro artificial com voz feminina, supercomputador capaz de ajudar Parker em qualquer situação. A roupa tem várias configurações, como "modo de combate", "modo interrogatório" e outras bobagens, além de turbinar a teia do herói, que pode ser lançada em dezenas de tipos diferentes (explosiva, elétrica etc.). É difícil para o fã acompanhar um herói com seus poderes particulares por cinco décadas e depois testemunhar uma versão tão diferente e facilitadora, e ainda por cima copiada de outro personagem. A inovação é tão desastrosa que as outras (muitas) modificações em relação ao gibi e aos filmes anteriores nem assustam tanto assim. Se a escalação de uma tia May bonitona (Marisa Tomei) causa estranheza, o nerd gordinho que é o melhor amigo de Parker deu muito certo. De Volta ao Lar é um bom filme, mas exige uma grande anuência dos fãs." (Thales de Menezes)

Um novo lar.

''Todas as três leituras cinematográficas para o Homem-Aranha partem de Peter Parker como um estudante de colegial. É este, afinal, o ponto de origem do personagem, apesar de sua passagem pela adolescência ser consideravelmente breve e distante nos quadrinhos. Há um apelo óbvio, principalmente a um público mais novo, na ideia do super-herói que está na escola. Apresenta-se o personagem como um adolescente rejeitado, o seu interesse amoroso como a rainha do baile, o ganho de poderes aparece como uma metáfora para a puberdade, e a vitória sobre o valentão surge como o primeiro ponto de reviravolta para o herói. E o personagem é assim desenvolvido, apoiando-se em um estereótipo de cada vez. Homem-Aranha: De Volta ao Lar, como os outros filmes, utiliza-se desses estereótipos, mas dessa vez não como um mero arco de etapas para a jornada do herói. O filme realmente se apropria desse imaginário do colegial americano, brinca com seus tipos e clichês (o clube de debate, a detenção, o baile de homecoming). O fator super-herói surge aqui como o remate de um filme coming of age: o garoto que luta contra o crime na hora do recreio. Ao se aproximar desse mundinho típico do cinema adolescente, o filme coloca Peter Parker (Tom Holland) à margem do universo cinematográfico da Marvel, agindo sobre as ruínas deixadas pelas aventuras do elenco principal de super-heróis. O filme todo, mesmo pontuado pela participação de Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), percebe os Vingadores como um sonho distante. Na primeira cena, um desenho infantil representando a equipe na luta contra Loki em Nova York toma a tela. O vilão do filme (Michael Keaton) segura essa imagem em suas mãos e comenta sobre essas figuras. Ele é um operário que trabalha com os detritos dessa grande batalha, e a vitória de um enfrentamento entre deuses diz muito pouco para ele além de entulhos a serem transportados. Quando rouba alguns dos materias alienígenas que ficaram entre as ruínas para fabricar armas, ele só consegue se tornar um projeto de super-vilão, sem nunca alcançar a mesma dimensão de ameaça daqueles que antes detinham a mesma tecnologia. Na segunda sequência introdutória, vemos uma série de filmagens de um tipo de diário em vídeo mantido por um Parker muito extasiado durante os eventos de Capitão América: Guerra Civil. O desenho da primeira cena, o trabalho do vilão e a atitude deslumbrada de Parker diante do mundo em que foi abruptamente inserido afastam De volta ao lar da ação principal, acenando até mesmo para o contexto de produção do filme: um acordo de colaboração muito singular entre a Sony e a Marvel Studios. E estabelecer essa distância fez muito bem ao objetivo de introduzir o personagem e seu entorno. De volta ao lar é um filme bem resolvido em si mesmo, e não está preocupado - como os dois Espetacular Homem-Aranha, por exemplo - em juntar o máximo possível de referências para o universo do cabeça de teia e garantir ganchos para uma longa série cinematográfica. O que se percebe esgotado, no filme, nunca é o personagem, mas o esquema típico do filme de super-herói, que aqui se repete: o herói se depara com o perigo do antagonista em uma primeira cena de ação, tem um avanço significativo na segunda, um recuo frustrante na terceira e uma vitória final na quarta. Pode ser um pouco decepcionante antecipar quase todo o caminho da trama. É curioso perceber, no entanto, que as viradas e soluções realmente interessantes e até mesmo originais do filme não se dão para o Homem-Aranha, mas para Peter Parker. De Volta ao Lar parece procurar um pouco o tom juvenil e contemporâneo do Aranha de Miles Morales nos quadrinhos. O ambiente escolar, além de mais presente, é menos caricato do que os outros filmes - dessa vez é possível ao menos conceber os atores como adolescentes em idade de colegial -, e a recriação dos personagens é bem simpática. Ned Leeds (Jacob Batalon) foi totalmente repaginado à semelhança de Ganke, o amigo e ponto de confiança de Miles nos quadrinhos. Tony Revolori faz uma ótima leitura pro Flash como um bully que ninguém leva a sério. Tia May (Marisa Tomei) é conduzida a uma relação de um pouco mais de igualdade com Peter. E há um boa surpresa reservada para Michelle (Zendaya). Agrada-me que, ao mesmo tempo que esses atores evocam personagens queridos, é dada bastante liberdade para subvertê-los e trazer assim algo de novo para esse cenário do Homem-Aranha - é um tipo de relação mais saudável com o material originário que as adaptações para a televisão e serviços de streaming têm adotado com mais frequência que o cinema. O último gancho de De volta ao lar é delicioso e mostra que ainda há bastante espaço para o personagem nesta nova franquia, mesmo distante dos Vingadores, em bons e melhores filmes." (Cesar Castanha)

{Então, para se tornar um Vingador, tem algum teste, ou uma entrevista…?} (ESKS)

''Se Homem-Aranha: De Volta ao Lar fosse mais um reboot independente não relacionado a mais nenhum produto audiovisual do momento, certamente seria digno da adjetivação “desnecessário” por grande parte do público e da crítica. Proveniente do acordo entre a Sony e a Marvel Studios, que trouxe o personagem e sua mitologia para dentro do Universo Cinematográfico Marvel, este certamente é um produto esperado por muita gente – e nem pouco desnecessário aos olhos destes. Contudo, é de se estranhar as reclamações oriundas de boa parte dos fãs relativas ao minucioso entrelaçamento do personagem com o resto dos acontecimentos da cronologia deste novo universo. Apesar dos diversos receios antecipados, este é um dos principais pontos positivos do filme e que logo de cara, o faz se destacar ao lado dos demais. De Homem de Ferro a Os Vingadores, diversos filmes dessa extensa saga fazem-se presentes, ou seja, vívidos dentro de um conto de proporções menores, mas tão espirituoso quanto. Esta não poderia ser uma aventura independente do personagem como fora Guardiões da Galáxia Vol. 2. O Homem-Aranha (Tom Holland) está de volta ao lar, e não em um um apartamento alugado por tempo indeterminado. Não faria sentido, após a sensacional introdução do personagem em Guerra Civil, o mesmo ater-se apenas ao seu próprio mundinho. Fomos apresentados a um garoto animado, atrapalhado, com vontade de sobra de participar das mais diversas atividades heroicas. Ele não tem que ser o Homem-Aranha, ele quer ser o Homem-Aranha. Nisso o filme dá margem ao contínuo distanciamento dos demais conflitos internos prévios. Fora uma menção indireta por meio da sentença “coisas que May passou”, não há espaço para a famigerada crise de poderes e responsabilidades e consequentemente, espaço para o lendário Tio Ben. De tal forma, o filme não traz apenas uma morada diferente para o personagem, como também uma inédita visão cinematográfica deste amigão da vizinhança. Isto posto, adentramos na jornada de um entusiasta à super-herói, com incríveis poderes mas pouca habilidade e que, por via da sorte e do acaso, conseguiu participar de sua primeira, até agora única, missão ao lado dos Vingadores. Enquanto clama por uma nova oportunidade de estagiar, o garoto continua seu trabalho como herói local, atuando pela sua região de Nova York e resolvendo conflitos mundanos; um ponto interessante, que torna as experiências de confrontos contra super-vilões menos frequentes, e mais intimidadoras. Entretanto, é na vida regular de Peter Parker, na escola e no dia-a-dia, que a obra encontra um caminho tão bom quanto a jornada do herói que será estabelecida posteriormente. Como temos uma May (Marisa Tomei) mais nova e menos fragilizada, dinheiro não é problema, o que faz o filme nem ousar explorar os méritos que fariam Parker um dia adentrar no Clarim Diário, como o cânone conta. Tais situações são adiadas para outros filmes, se assim os próximos roteiristas e a Marvel optarem por abordar. O que temos embasado por agora é a vida escolar do personagem. Com menções a O Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado, o colegial americano ganha o ponto de vista do herói adolescente, que sofre pelas complexas relações escolares, assim como heróis adultos sofrem pelas suas próprias questões internas. Nem Homem-Aranha, nem O Espetacular Homem-Aranha. Nenhum desses dois longas de origem do herói adotaram o Ensino Médio como um organismo tão vivo quanto De Volta ao Lar o faz. O dia-a-dia do colegial ainda soa consideravelmente exaustivo para Parker, mas nem um pouco enfadonho para o público. O garoto não sabe lidar com as ofensas de Flash (Tony Revolori), então nem espere o descolado Peter de Andrew Garfield. Este não é, contudo, o nerd estereotipado, como o de A Vingança dos Nerds, muito menos o abobalhado de Tobey Maguire. Há uma linha cinza entre eles e é nela que o roteiro atua. E como atua bem, complementando o elenco jovem com personagens necessariamente diversificados. Antes de mais nada, é preciso entender que o Homem-Aranha clássico é um produto de seu tempo e que, para se adequar aos dias de hoje, são necessárias mudanças ao seu cenário. Décadas separam os anos 1960 dos dias atuais, ou seja, a revisão de estruturas sedimentadas é mais do que obrigatória, ou é realmente necessário vermos uma escola recheada de garotos e garotas caucasianos padronizados por puro fan-service? Flash foge do arquétipo de bully, tendo muito mais espaço na tela do que os personagens homônimos anteriores. O personagem não é um atleta musculoso, mas um baixote no mínimo imbecil e economicamente privilegiado. Uma prova de que alguém não precisa ser fisicamente violento para ser psicologicamente aborrecedor. Melhor amigo de Peter, Ned (Jacob Batalon) é um grande diferencial dos quadrinhos do Teioso. Primeiramente, acredita-se que este não se trata, pelo menos não até agora, de Ned Leeds, colega de trabalho e marido da primeira namorada de Parker, Betty Brant (Angourie Rice, em uma ponta pouco relevante). Suas semelhanças são mais comparáveis a Ganke Lee, personagem do finado Universo Ultimate dos quadrinhos da Marvel. De toda forma, o personagem é o maior alívio cômico do filme, funcionando muito bem no que se permite participar. Batalon é extremamente carismático, tendo muito mais química com Parker do que Harry Osborn teve na pele de James Franco na trilogia de Sam Raimi. Por outro lado, Liz (Laura Harrier), o par romântico do personagem, não é uma figura tão forte quanto Mary Jane e Gwen Stacy foram em obras antecessoras. A química entre a garota e Peter é baixa, mas não havia o porquê desta ser fortificada. O próprio filme garante à personagem o status de paixonite passageira. Algo efêmero, e não intrinsecamente verdadeiro no qual o destino promoverá o reencontro. Uma boa aproximação ao material fonte, visto que Liz Allan nos quadrinhos dos anos 60 também é um afeto – nada bem relacionável – de colégio, que nunca prova-se verdadeiro, retornando para as histórias apenas para tornar-se esposa de Harry Osborn. Em De Volta ao Lar, Liz Allan parte para Oregon após o clímax da obra em decorrência dos eventos que acontecem ao seu pai – algo que será analisado mais afrente. Após ser apresentado no início do filme através de uma divertidíssima sequência de gravações como o super-herói amigão da vizinhança, Tom Holland é ainda mais primoroso que Andrew Garfield fora no reboot anterior. As tiradas cômicas são em sua maioria excepcionais, com a voz levemente esganiçada de Holland contribuindo ainda mais para com o aspecto jovial do personagem. Ele realmente parece um garoto de quinze anos que coincidentemente adquiriu super poderes e um uniforme high-tech. A inexperiência do herói, entretanto, acaba dando origem a diversas situações inoportunas: da descoberta da identidade secreta de Peter por parte de Ned às tentativas contínuas de esquivar-se de May, que enfim provam-se fracassadas no final mais que hilário. Estes são elementos pequenos que modelam perfeitamente uma constante nos quadrinhos clássicos do herói, ou seja, a não conciliação da vida heroica do personagem com a vida rotineira. A inclusão do Homem-Aranha no Universo Cinematográfico Marvel soa ainda mais que crível. Ela soa orgânica. Entende-se perfeitamente por que o herói nunca antes fora mencionado. Sendo reduzido a um amigão da vizinhança e impedido de atuar livremente por Happy Hogan (Jon Fravreau em sua melhor aparição na franquia de filmes da Marvel), Peter acaba cometendo seu primeiro delito, logo após descobrir de planos criminosos envolvendo tecnologia alienígena, ao retirar o rastreador de seu uniforme. A empolgação esbarra em limites, mas o nosso sensacional herói ri dos limites. Outra das demais reclamações reside-se na hiper tecnologia aplicada ao traje do aracnídeo, com discursos puristas rejeitando-o. Interrompo logo os fãs xiitas por aí, pedindo-vos que reparem que o rastreador que o Cabeça de Teia usa no segundo Shocker (Bokeem Woodbine), um dos capangas – nada demais em termos narrativos – do antagonista principal, remete-se diretamente às clássicas edições de The Amazing Spider-Man, que também dão surgimento às múltiplas teias, paraquedas e às asas - estas mais consolidas no cânone – mas que ganham justificativas mais abrangentes. Todos estes são atributos desenvolvidos pela dupla Lee/Ditko, que apenas ganham explicações mais sólidas, baseadas na mitologia já estabelecida neste universo. Notifica-se ao espectador desatento que Jennifer Connelly é a voz por trás de Karen, a inteligência artificial por trás da versão “desbloqueável” do uniforme. A coesão desta saga ganha mais sustância na informação de que Jennifer é esposa na vida real de Paul Bettany, o Jarvis e consequentemente, o Visão. Mais uma polêmica que não encontra paralelo com a realidade do produto, Tony Stark (Robert Downey Jr.), o nome mais popular deste universo compartilhado, pontua muito bem em suas poucas aparições, abrindo definitivamente as portas para a glamourosa entrada do Homem-Aranha. Sem o tio Ben, Stark assume o papel de mentor, mesmo que este não traga uma carga dramática tão poderosa quanto a da velha figura paterna. O que falta à relação é a presença de diálogos mais intensos, e espaço para Downey Jr. mostrar seu imenso leque interpretativo além do alívio cômico. A retirada do uniforme high-tech, após o Teioso causar um gigantesco alvoroço e quase ocasionar centenas de vítimas em uma balsa, soa indevidamente hipócrita e desnecessária, ainda mais após o bem sucedido resgate de seus colegas do Decatlo anteriormente em Washington D.C. Custava dar mais uma chance ao garoto? Fora que nem houve vítimas. A fragilidade da carga dramática de De Volta ao Lar prejudica imensamente um momento específico do longa: a cena de Parker debaixo de escombros, sem seu uniforme high-tech, após ser derrotado pelo vilão, já no terceiro ato do filme. A cena é obviamente inspirada na épica sequência do clássico arco A Saga do Planejador Mestre, correspondente às edições #31 a 33, mas seu impacto é quase nulo. Enquanto na inspiração temos um herói capaz de levantar blocos de concretos pela sua tia May, próxima à morte, neste, o voice-over do Homem de Ferro chega a ser brochante, mesmo que a execução do momento seja bem feita – um pouco menos de escuridão seria melhor. Não espere outra sequência grandiosa do personagem como fora a sequência em cima do trem contra o Doutor Octopus (ainda o melhor vilão do Aranha nos cinemas, tendo sido interpretado brilhantemente por Alfred Molina) em Homem-Aranha 2. Aqui elas são menos inventivas, sendo que a última no terceiro ato do filme é deveras esquecível, mesmo que a escuridão excessiva de tal tenha sido utilizada como artifício para maquiar a artificialidade do boneco digital do herói. A aparição do vilão alado após a primeira intervenção do Aranha no contrabando é problemática, pois apesar do personagem ser visualmente ameaçador, a câmera tremida não caminha bem ao lado dos cortes rápidos. O diretor Jon Watts se favoreceria de planos mais longos, um estilo mais próximo ao Sam Raimi da trilogia original. Antagonista de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, o Abutre (Michael Keaton) também traz uma relação íntima com os acontecimentos de filmes anteriores, sendo introduzido como mais uma peça de um quebra cabeça de quase dez anos. A destruição da cidade de Nova Iorque é o ponto que alavanca a “vilania” do personagem. Ao ser informado que o Controle de Danos, no qual Stark é dono, irá tomar posse da retirada dos destroços e objetos alienígenas, Adrian encontra-se em meio a problemas financeiros, enxergando um caminho no roubo de tais artefatos cósmicos. O velho ladrão de bancos, criado logo na The Amazing Spider-Man #2, sofre uma adaptação humanizadora, tornando-se aqui uma figura com motivações mais compreensíveis, mesmo que a ganância tenha subido a cabeça do personagem mais e mais depois de tanto tempo. Ademais às previamente comentadas, também há mais mudanças bruscas na mitologia do vilão principal. Enquanto o(s) Shocker(s) e o Consertador são antagonistas relativamente menores, o urubuzão é um dos maiores vilões da vasta galeria do Homem-Aranha. Adaptações com tal personagem como as que ocorrem em De Volta ao Lar podem ser, para fãs mais extremistas, grandes problemáticas. A mais significativa delas é o fato de Adrian também ser o pai de Liz, visto que tal mudança também implica na alteração do background deste outro personagem coadjuvante clássico do Teioso. O plot twist do longa também remete-se diretamente a esta mudança, sendo que seu impacto, especialmente aos fãs hardcore, pode variar, mesmo que nada aqui se compare – nem de longe – ao que aconteceu com o Mandarim em Homem de Ferro 3 – um filme pouco compreendido, por sinal. A vasta maioria do público do filme irá definitivamente se surpreender, provando a eficácia desta reviravolta na trama. Para fins de progressão da análise do filme, o que acontece é que, ao buscar Liz na sua casa, após ter perdido seu uniforme para Tony, Peter é recepcionado por Adrian, revelando tal como pai da garota, causando tanta apreensão no personagem título quanto no público. A sequência ganha um teor mais tenso, caindo diversas vezes em uma comicidade nervosa diante da angústia. Rumo ao homecoming, o vilão gradativamente assimila o garoto ao herói que antes enfrentara. O diretor acerta ao transpor calmamente a reação da descoberto do Abutre que insinua aos poucos a sua descoberta a Peter, que encontra-se derradeiramente enclausurado no meio termo entre o medo e o desespero. A famosa conversa do paizão com o namoradinho da filha é subvertida, e Toomes abre mão da insinuação para a ameaça de fato, durante um excelente monólogo. Esta cena no carro ganha espaço fácil no panteão das melhores cenas da franquia de filmes do Homem-Aranha. Nela, Peter encontra-se em seu momento mais frágil, não podendo revelar-se como Homem-Aranha e tendo de submeter-se às ameaças proferidas pelo pai de Liz. Tom Holland consegue desempenhar muito bem seu papel como uma figura amedrontada, assim como desempenha Michael Keaton como uma figura amedrontadora. As ameaças de Toomes não residem-se apenas no clássico embate de heróis versus vilão. Por dentro o antagonista está tão assustado quanto o protagonista, temendo a exposição de suas atividades criminais não apenas para a polícia, mas para a sua família. O roteiro do filme, assinado por seis cabeças, permite ao Abutre, um clássico oponente do Teioso, despontar como o segundo melhor vilão dos filmes do Aranha, ao lado do Duende Verde de Willem Dafoe. Adrian Toomes não é verdadeiramente um homem mal, disposto a cometer atrocidades em vão e atormentado por uma vingança irrefreável. Suas ações são calculadas, e até o mais “cruel” dos seus atos – a morte do primeiro Shocker (Logan Marshal-Green) – acontece por engano, em uma troca inoportuna das armas desenvolvidas pelo Consertador (Michael Chernus). De tal modo percebemos a importância da primeira cena pós-créditos, que revela ao público a não-intenção de Adrian em vingar-se do Aranha – pelo menos ainda não. Fora todas as homenagens ao Homem-Aranha clássicos dos anos 60, é relativamente fácil de se perceber a vasta conexão deste filme com o Universo Ultimate. Trazendo de volta o conceito do personagem sendo fruto de sua época, já comentado anteriormente, o que acontece aqui é a permanência de uma essência de Peter Parker/Homem-Aranha nostálgico, mesmo que sua estruturação seja consideravelmente alterada. A maior parte das adaptações puxam da versão Ultimate do herói, encontrando eixos perfeitos para a jornada do personagem. O colegial, por exemplo, é muito breve nos quadrinhos regulares, sendo pouco pincelado pelo roteiro de Lee e Ditko que mais se preocupava nas aventuras contra o crime do personagem e na situações econômica do personagem – o Homem-Aranha junta-se ao Clarim Diário logo de cara, por exemplo. A maior homenagem ao Universo Ultimate encontra-se na participação de um criminoso chamado Aaron Davis (Donald Glover), que como mesmo revela no filme possui um sobrinho. O nome deste sobrinho, como apontam as HQs, é Miles Morales. Sim, o mais popular personagem Ultimate está no Universo Cinematográfico Marvel, quer seja apresentado futuramente ou não. Eu, particularmente, espero que seja. O filme ainda possui diversas situações triviais que encorpam a autenticidade do mito desenvolvido pela terceira vez nas telas. O fluido de teia sendo criado no laboratório da escola é outra inspiração vinda dos anos 60 e aqui ganha mais espaço, diferentemente de O Espetacular Homem-Aranha. É hilário ter algumas das perguntas mais constantes do personagem sendo respondidas com jocosidade. Sem os arranha-céus de Manhattan, a locomoção é muito mais problemática – mas tão divertida quanto – no Queens. Por fim, deve-se comentar da trilha sonora do filme, pouco memorável, mas bem funcional quando aplicada diegeticamente. Para acessar a crítica da trilha sonora original do filme, clique aqui. A obra possui diversas pequenas conclusões, e duas destas são extremamente expressivas. A primeira relaciona-se à personagem de Michelle (Zendaya), coadjuvante que apesar de ter pouco a fazer neste longa, revela-se no último momento como apelidada de MJ (apelido também da famosa Mary Jane). Esta mudança é a única que fez-me torcer o nariz de leve. Terei que esperar a sequência deste filme para digerir este fato até então pouco aprazível. O final de fato, coloca o Homem-Aranha à frente de Tony Stark, com este convidando o herói para fazer parte dos Vingadores. Após – com todo o sentido – recusar o convite (o que relembra a The Amazing Spider-Man Annual #3), indica-se ao espectador que tal era um teste, mesmo que depois de apenas alguns instantes após Peter sair da nova instalação do super grupo, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) surge revelando um cenário parecido com a coletiva de imprensa da super saga Guerra Civil. Por fora, pergunta-se: só eu que achei irresponsável Tony Stark chamar um garoto de 15 anos para fazer parte dos Vingadores? Em Guerra Civil já era meio errado o Homem-Aranha estar no meio de tudo aquilo, mas agora as coisas foram além. Eu entendo como sendo parte da personalidade despreocupada de Tony Stark, mas a chance de abordar isto, e suas possíveis consequências, era agora. Chance desperdiçada, relevarei tal preocupação para futuras obras (Vingadores: Guerra Infinita, por exemplo). ''Homem-Aranha: De Volta ao Lar'' não é superior aos dois primeiros filmes da trilogia original, mas segue o melhor caminho possível para o personagem. As incongruências encontradas no roteiro e a direção pouco inspirada não se aliam muito bem à espetacular atmosfera criada no filme. As atuações principais são fortes, sendo que Tom Holland é definitivamente o melhor Homem-Aranha do cinema. As liberdades poéticas que o roteiro encontra para progredir a narrativa pode encontrar barreiras nos corações de leitores e espectadores mais fervorosos. Pessoalmente, agraciei-me com a maioria das mudanças. Com uma participação de Stan Lee mediana, e a segunda cena pós créditos sendo a melhor já feita, alguns detalhes menores fazem toda a diferença para a obra. De Volta ao Lar certamente não é um filme esquecível, visto que momentos grandiosos como a já famigerada cena no carro irão permear a memória do espectador por muito tempo. Enfim, bem vindo de volta, Cabeça de Teia." (Gabriel Carvalho )

Columbia Pictures Marvel Studios Pascal Pictures

Diretor: Jon Watts

249.977 users / 28.185 face


Soundtrack Rock The Rolling Stones / Spoon / Ramones / A Flock of Seagulls / Traffic / The Beat / Canned Heat / Yello / Galactic


51 Metacritic 64 Down 29

Date 08/09/2017 Poster - ####

25. Ant-Man and the Wasp (2018)

PG-13 | 118 min | Action, Adventure, Comedy

70 Metascore

As Scott Lang balances being both a superhero and a father, Hope van Dyne and Dr. Hank Pym present an urgent new mission that finds the Ant-Man fighting alongside The Wasp to uncover secrets from their past.

Director: Peyton Reed | Stars: Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Peña, Walton Goggins

Votes: 274,000 | Gross: $216.65M

[Mov 04 IMDB 7,1/10] {Video/@@@@} M/70

HOMEM-FORMIGA E A VESPA

(Ant-Man and the Wasp, 2018)


TAG PEYTON RED

{divertido}


Sinopse ''Após os acontecimentos de "Capitão América: Guerra Civil", Scott Lang tenta equilibrar sua vida familiar como pai com suas responsabilidades como Homem-Formiga, quando Hope Van Dyne e Hank Pym apresentam-lhe uma nova missão para trazer à luz segredos do passado, exigindo que ele se junte com Van Dyne como a nova Vespa.''


''Ok, pode não ter absolutamente nada de novo e o tom é até acima do que a Marvel costuma colocar de comédia nos seus filmes, mas não consigo negar que me diverti do início ao fim como um bom filme da Sessão da Tarde sabe fazer." (Rodrigo Cunha)

''Toda a criatividade do primeiro filme se dissipa em meio aos inúmeros vícios da linha de produção da Marvel. É a falta do toque autoral inspirado de Edgar Wright remanescente em Homem-Formiga." (Rodrigo Torres)

"Duas horas de ação aborrecida e repetitiva, piadas sem graça e efeitos especiais bem mais ou menos para conseguir realizar um link com o enredo de Os Vingadores '3'. Marvel continua no feijão com arroz." (Alexandre Koball)

"O estilo cool de Edgar Wright, que, mesmo à distância, dava o tom do 1o filme, some numa sequência que perde muito tempo falando sobre espaço-quântico, falha na construção da vilã e do seu mentor, e não acerta nem mesmo nas piadas. Marvel em tom menor." (Regis Trigo)

"Nada de diferente em relação ao original. Há algumas boas piadas, o carisma de Paul Rudd e efeitos especiais bacanas, mas a história é de uma tolice só e grandes atores são desperdiçados (o que Michelle Pfeiffer faz aqui?). Mais do mesmo, como sempre." (Sivio Pilau)

''Depois do recente terceiro filme dos Vingadores, com uma trama complicadíssima, quase 30 personagens e muitas referências pop que só fanáticos por HQ captaram, ver algo simples e tão bacana como "Homem-Formiga e a Vespa" é um bálsamo. Simples, no caso, é o enredo, um jorro de ação e humor que pode ser apreciado até por quem nunca leu um quadrinho dos heróis. Na área tecnológica, o filme é bem complexo. Os dois protagonistas, Scott Lang (Paul Rudd) e Hope van Dyne (Evangeline Lilly), têm o poder de diminuir de tamanho, a partir de experiências científicas do pai dela, Hank Pym (Michael Douglas). Com sutis diferenças. Ela, a Vespa, tem asas para voar e consegue diminuir ou aumentar o tamanho de objetos. Isso rende cenas engraçadas como a heroína arremessar um saleiro no bandido e torná-lo enorme no meio do trajeto, para nocautear o sujeito com o vidrão. Ele, o Homem-Formiga, precisa cavalgar moscas, que controla telepaticamente, para voar quando está diminuto. Em compensação, tem a capacidade de aumentar de tamanho, transformando-se num gigante da altura de um prédio. A tecnologia dos estúdios Marvel permite que as reduções e crescimentos dos heróis ganhem um ritmo alucinante. Eles podem variar seus tamanhos a cada segundo, dependendo do que a luta exige. Daí uma ação frenética, como poucos filmes de super-herói conseguem. Depois da boa estreia, há três anos, a segunda aventura do Homem-Formiga começa com Scott Lang em prisão domiciliar, devido aos danos causados ao patrimônio público numa missão com o Capitão América. Ele vai levando a detenção na boa. Recebe visitas da filha pequena, que mora com a mãe e o padrasto, e toca uma empresa de vigilância com o sócio (interpretado pelo latino Michael Peña, em ótimo desempenho cômico). Mas Scott vai acabar burlando a prisão para ajudar o dr. Pym e a Vespa no resgate da mãe dela, Janet (Michelle Pfeiffer), que era a Vespa original e está desaparecida há anos no universo quântico, uma dimensão microscópica. Vilões em busca das invenções de Pym vão atrapalhar os heróis, mas o problema maior é uma misteriosa mulher que também está atrás do cientista. E ela tem superpoderes, para encarar a dupla de mocinhos. Paul Rudd, famoso por comediazinhas românticas, achou o personagem de sua vida no uniforme do Homem-Formiga. Imprime charme a um tipo mais divertido do que heroico. Evangeline Lilly, musa nerd depois da série Lost, é bonitinha e funciona no humor. Michael Douglas deita e rola como o ranzinza Hank Pym. Longe da aposentadoria, parece se divertir muito no set. Já assinou contrato para mais dois filmes com esse personagem (provavelmente um terceiro Homem-Formiga e o próximo Vingadores). "Homem-Formiga e a Vespa", em sua despretensão, é melhor do que o primeiro filme e disputa um lugarzinho no pódio dos melhores longas baseados em heróis dos gibis da Marvel. Um balde gigante de pipoca é recomendável." (Thales de Menezes)

O padrão de qualidade Marvel.

''Quando Edgar Wright deixou a direção do filme Homem-formiga (2015) por divergências criativas com o Marvel Studios, resultando no filme de Peyton Reed, uma série de problemas então recorrentes dos filmes realizados pelo estúdio se expunha: a relação difícil entre a companhia e a equipe criativa, a crescente padronização dos filmes no universo cinematográfico e o desinteresse geral por se investir em um projeto minimamente alternativo a esse padrão estabelecido. Se o tempo no circuito tem aos poucos transformado os filmes da Marvel - tornando-os, digamos, mais carismáticos , ajudando o estúdio, pelo menos desde Guardiões da Galáxia Vol. 2, a disfarçar um pouco essa faceta mais industrial, os novos filmes começam a mostrar suas próprias repetições e um cansaço, também, desse novo formato. Pode não ser coincidência que o segundo filme de Peyton Reed com a casa seja, mais uma vez, aquele a apresentar os problemas que passam pelo universo cinematográfico da Marvel como um todo. Não digo que o diretor não tenha um trabalho criativo específico com que contribuir - ele o tem, e bem mais em ''Homem-Formiga e a Vespa'' que no filme anterior -, mas é de algum modo ainda surpreendente como Reed adota o estilo do estúdio de maneira tão característica. Apesar do que o título sugere, a mudança em relação ao filme anterior é bem menos em termos dos personagens e da dinâmica entre eles que em termos de estilo. Scott Lang, o Homem-Formiga interpretado por Paul Rudd, ainda é basicamente o protagonista do filme. A sua companheira de equipe, Hope Van Dyne, ou Vespa (Evangeline Lilly), tem mais espaço nas sequências de ação, mas Homem-Formiga e a Vespa ainda é conduzido pela trajetória do personagem de Lang e por seu próprio percurso de formação como herói. O filme, por outro lado, como outros recentes da Marvel, está mais confortável com a comédia e apropriadamente adaptado ao gênero. Há também uma maior disposição por perceber a trama como uma continuidade do universo cinematográfico mais amplo, sem se limitar a um texto particular aos personagens ou ao investimento dramático em desenvolvimentos independentes do contexto de outros filmes. Embora isso não seja um problema por si só (acho interessante que a Marvel assuma e dê conta dessa continuidade mais sofisticada com os outros produtos, inclusive, em algum nível, os da televisão), a tentativa de apresentar novos personagens e conflitos, quando vinculada a um desinteresse de levar esses mesmos personagens e conflitos adiante, mostra-se o problema mais sério do filme, que é incoerente e empobrecido no tratamento de personagens como a vilã Ava (Hannah John-Kamen) e o cientista Bill Foster (Laurence Fishburne), desperdiçados em uma subtrama atrapalhada e incongruente. A insistência em se recorrer a um antagonismo bem demarcado para os heróis (outro problema que já vem de outros filmes da Marvel) impede, inclusive, que o texto do filme desenvolva com mais cuidado a relação de Hank Pym (Michael Douglas) e a filha com a ausência da Vespa original, Janet Van Dyne (Michelle Pfeiffer), e o esforço para trazê-la de volta do mundo quântico. Enquanto o texto se perde nesses problemas de estrutura, a direção de Reed já é (até certo ponto e sempre dentro dos limites de adequação aos padrões da Marvel) mais acertada. O primeiro ato do filme, até a apresentação das motivações da antagonista, demonstra um domínio muito apropriado do diretor tanto do gênero do super-herói e da comédia quanto do formato do estúdio. As cenas de ação são sempre bem dirigidas (embora distribuídas de maneira um tanto afobada pela narrativa), utilizando-se bem da visualidade que os personagens oferecem, e inclusive se aproveitando acertadamente da especificidade cinematográfica dessa dinâmica. Isso por si só já justifica a opção por um personagem mais cômico no traje do herói, considerando que o sisudo Hank Pym não permitiria a Reed o mesmo exercício formal que as interações de Scott Lang e Hope Van Dyne com seus poderes e com o espaço cênico permitem. É preciso dizer, também, que mesmo na enorme (e ainda em crescimento) sequência de heróis cômicos da Marvel — os bobos carismáticos que vão de Thor (Chris Hemsworth) ao Homem-Aranha (Tom Holland) — o trabalho de Paul Rudd como Scott Lang consegue se destacar muito bem. A boa realização do elenco (não só Rudd, como Lilly, Michael Peña, a excelente revelação Abby Ryder Forston e até participações menores, como Bobby Canavale, Judy Greer, T.I., David Dastmalchian e Randall Park) opera mais organicamente o humor do filme, uma grande vantagem que Homem-Formiga e a Vespa tem em relação à franquia Guardiões da Galáxia, por exemplo. O equilíbrio do filme, entre a comédia e a construção dos personagens, prejudica-se precisamente na incapacidade de Reed de comprometer o arranjo típico dos filmes deste universo cinematográfico. A expansão da Marvel já tem forçado o estúdio a buscar algum tipo, por mais mínimo que seja, de diferenciação ao padrão geral a partir do qual os primeiros filmes foram organizados. Mas, se dois anos desta repaginação já foi o bastante para expor seus pontos fracos, talvez seja necessário ao estúdio realmente repensar esse tipo de controle criativo e permitir a cada filme o seu próprio apreço para o quão confortáveis eles se devem fazer dentro do sistema. É evidente que Peyton Reed e o estúdio trabalham satisfatoriamente bem juntos, mas há muito ainda a ser dissuadido desse dito padrão Marvel de qualidade." (Cesar Castanha)

Aventura romântica espirituosa.

''Foi contra o favoritismo dos entusiastas por Edgar Wright, que abandonou a produção do primeiro Homem-Formiga após alegações de divergências criativas com a já gigante Marvel, que Peyton Reed se “intrometeu” na tarefa de finalizar e entregar a produção do pouco conhecido e “menor” (as aspas caem bem após estes dois filmes) dos heróis que a MCU nos trouxe até agora em suas histórias no cinema. Reed, oriundo do universo de comédias diversificadas e tão cheias de personalidade como o irresistível Abaixo o Amor e o pesado Separados Pelo Casamento, trouxe seu espírito de aventureiro romântico e bem-humorado aos toques perfeitamente notáveis no roteiro de Wright, que conseguiu segurar muito de sua identidade no estilo afiado do roteiro que havia sido escrito ao lado de Adam McKay, Joe Cornish e o próprio Paul Rudd, que assumiu a encarnação cinematográfica de Scott Lang, nosso herói em questão. Mas agora, o protagonista já não carrega seu nome sozinho ao filme. Pincelada no primeiro filme como o interesse romântico tão inevitável dentro de um óbvio produto comercial (e não há problema em não querer fugir disso), Hope Van Dyne (Evangeline Lilly, a Tauriel da trilogia O Hobbit) assume o manto da Vespa, que antes fora de sua mãe Janet (Michelle Pfeiffer), e se posiciona lado a lado ao protagonismo de Rudd. E Reed, agora livre das obrigações e das comparações com qualquer coisa em relação a Edgar Wright, se faz à vontade para imprimir em totalidade sua agilidade dentro de uma aventura absurdamente bem dosada, que transita com uma lógica impressionante entre os elementos sci-fi e a comédia romântica. Pois sim, Homem-Formiga e a Vespa (Ant-Man and the Wasp, 2018) é, no fundo, o filme que Peyton Reed sempre esteve acostumado a fazer. Dois anos após os eventos do grandioso Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016) e trancafiado em prisão domiciliar enquanto mantém sua relação mais do que saudável com a filha Cassie (Abby Ryder Fortson), Lang logo é procurado por Hope e seu pai Hank (Michael Douglas) quando surgem indícios de que Janet van Dyne pode estar viva após ter se perdido no Universo Quântico há mais de 30 anos. Os interesses do trio, é claro, logo entram em conflito com a misteriosa Fantasma (Hannah John-Kamen). A primeira surpresa é que, apesar desse tom um quanto auto-importante da trama, Homem-Formiga e a Vespa é um filme que assume identidades totalmente contrárias, igualmente complementando as apostas da Marvel em conceder maior controle para diretores de estética e olhares com um apuro próprio, seja com Taika Waititi no desesperado, porém inegavelmente refrescante Thor: Ragnarok ou a sutileza voraz de Ryan Coogler no fenômeno Pantera Negra (Black Phanter, 2018). As convenções de todo e qualquer produto lapidado para satisfazer cada vontade e esperança do público maior estão lá? De cabo a rabo. Mas Reed, auxiliado por um script equilibrado de cinco roteiristas (Andrew Barrer, Gabriel Ferrari, Paul Rudd, Chris McKenna e Erik Sommers, estes dois últimos responsáveis pelo inacreditavelmente satisfatório Jumanji: Bem-Vindo à Selva [Jumanji: Welcome to the Jungle, 2017]), se alia com inteligência às convenções, supostas soluções fáceis e didatismos que são explanados com muito bom humor (o diálogo em que as consequências de Guerra Civil são explicadas para uma criança deve ter sido um dos artifícios mais espirituosos em todos estes anos de produções Marvel). Tomando novamente Ragnarok como exemplo (estão vendo como é um filme com sua relevância, para o bem ou para o mal), Reed passa bem longe da grosseria estúpida e descabida promovida por Waititi, e faz de seu humor uma muleta para a narrativa que potencializa o que Homem-Formiga e a Vespa é no fundo, uma desventura romântica repleta de viradas, no melhor estilo de movimentos entre diálogos, ações e reações que se complementam em prol de um conjunto deveras bem explorado nessas tiradas que, em grande parte do tempo, acompanham o andar da carruagem com precisão, destoando-se pouquíssimas vezes da urgência das sequências ou até mesmo da funcionalidade dos efeitos sonoros, aqui ainda mais primordiais diante do quão gigante, em termos técnicos, a continuação se tornou. E como Reed finalmente abraça a liberdade de ser mais empático com o material em suas mãos, Homem-Formiga e a Vespa é naturalmente um filme mais acelerado e visualmente atrativo, sem grandes malabarismos para impactar o público, mas dono de uma câmera mais entrosada com todas as jogadinhas, gags, trajes que crescem e encolhem (perspectivas engraçadíssimas surgem disso) e outras invencionices que nos arrancam risadas gostosas ao longo da projeção. O próprio Universo Quântico recebe uma atenção especial por parte da equipe de efeitos visuais e, quando é explorado, se torna o único elemento a justificar a existência do 3D. Paul Rudd segue na sua jornada de quase referenciar o que Robert Downey Jr. deu início em Homem de Ferro (Iron Man, 2008), com uma performance gestual de timing cômico tão despreocupada e naturalista que fica claro o quão prazeroso deve ter sido esse encontro entre ator e personagem (e quando o roteiro lhe decide dar um pouquinho além disso numa cena de possessão, o resultado é sensacional). Evangeline Lilly cresce com facilidade em presença, confiança e equivalência ao protagonista masculino, apesar da impressão de que ainda lhe faltam momentos marcantes para se solidificar. Michael Douglas segura com um interesse genuíno essa desconstrução de sua persona marcante dos thrillers dos anos 80 e 90 como Wall Street - Poder e Cobiça , Instinto Selvagem e Atração Fatal , adotando uma ironia que torna tão bem-vinda essa redescoberta do ator no cinema de hoje. Michael Peña, novamente sem esforço, fecha com chave-de-ouro o bem estar do elenco (o momento do soro da verdade dispensa comentários), uma vez que Hannah John-Kamen e Laurence Fishburne pouco conseguem o que fazer diante de papéis tão mal-aproveitados, por mais que tenham mais tempo de tela do que uma luxuosa Michelle Pfeiffer. Estruturalmente, ''Homem-Formiga e a Vespa'' pode significar muito mais para as novas transições de tom da Marvel do que parece à princípio, em especial por essa aliança tão adequada entre o humor e a dramaturgia que se desenha com uma desenvoltura invejável pelas mãos de Peyton Reed, que cria conexões substanciais entre público e personagens ao mesmo tempo em que não nos deixa parar de rir. É de um dinamismo belissimamente calibrado, e quando o diretor repete o artifício da sincronia labial num único e ideal momento, temos a prova concreta do quanto Homem-Formiga e a Vespa é um exemplo de como dar certo.'' PS: há duas cenas pós-créditos. A última, apesar de uma informação subentendida que têm sua relevância, não acrescenta tanto. Já a primeira, mesmo previsível, é um assombro só.'' (Rafael W. Oliveira)

Marvel Studios

Diretor: Peyton Reed

268.502 users / 249.440 face


Soundtrack Rock Dusty Springfield / Morrissey


56 Metacritic 904 Down 178

Date 15/11/2018 Poster - ##

26. Solo: A Star Wars Story (2018)

PG-13 | 135 min | Action, Adventure, Sci-Fi

62 Metascore

During an adventure into the criminal underworld, Han Solo meets his future co-pilot Chewbacca and encounters Lando Calrissian years before joining the Rebellion.

Director: Ron Howard | Stars: Alden Ehrenreich, Woody Harrelson, Emilia Clarke, Donald Glover

Votes: 257,952 | Gross: $213.77M

[Mov 04 IMDB 6,9/10] {Video/@@@} M/62

HAN SOLO - UMA HISTÓRIA STAR WARS

(Solo: A Star Wars Story, 2018)


TAG Ron HOWARD

{simpático}


Sinopse ''As aventuras do emblemático mercenário Han Solo (Alden Ehrenreich) e seu fiel escudeiro Chewbacca (Joonas Suotamo) antes dos eventos retratados em Star Wars: Uma Nova Esperança, inclusive encontrando com Lando Calrissian (Donald Glover).''


''Com o perdão do trocadilho, esta pequena aventura que empresta o nome da saga de George Lucas nunca decola. Como fan service, até que funciona, mas no máximo dessa forma. Muito pouco pela força da marca." Alexandre Koball

''O universo de Star Wars é sempre interessante, mesmo em suas histórias mais desnecessárias. 'Solo' é uma aventura correta, mas também insossa, que peca por jamais fazer a plateia acreditar que aquele é mesmo Han Solo. Talvez o mais fraco da série.'' (Silvio Pilau)

''O universo de SW se acostumou e nos acostumou a um nível maior de ambição e complexidade, mas gosto de como 'Han Solo' se pensa como um filme a parte, distante das obrigações de uma franquia para um filme mais centrado em si mesmo. Elenco todo manda bem." (Rafael W. Oliveira)

''Ron Howard se vira nos 30, mas o roteiro encavala missões espaciais em sequência, com personagens mal desenvolvidos, que não aproveita a mitologia da série (o encontro de Han e Chewbacca é morno), e nem se liga à cronologia da saga. 'Star Wars' genérico.'' (Régis Trigo)

"Um filme muito fraco pro nome que carrega. Não tem uma passagem realmente marcante, não adiciona nada à mitologia da franquia e não conta bem a origem de um dos personagens mais queridos no cinema. Bem feito, mas faltou mais roteiro e menos fan service." (Rodrigo Cunha)

''Tinha tudo para dar errado. A ideia de criar uma juventude para um dos personagens mais adorados do cinema moderno corria o risco de ser rechaçada pelos fãs de Star Wars. Mas, surpresa, é preciso ser muito ranzinza para não gostar de "Han Solo". Muitos ainda vão chiar. Porque Alden Ehrenreich não é Harrison Ford. Porque o filme não tem uma lutazinha de sabre de luz. Porque a palavra jedi não é pronunciada. Ford era praticamente um ator desconhecido quando foi escalado para o primeiro "Star Wars", de 1977. Ehrenreich é tão desconhecido quanto era seu antecessor, e sua tarefa é bem mais difícil. Mas se esforça: fala com a mesma entonação de Ford e emula os sorrisos que conquistaram gerações. Se a carreira dele vai dar certo é outra coisa, mas passou no teste. O enredo é o ponto alto, criando situações que teriam contribuído para forjar o caráter duvidoso do contrabandista espacial transformado em herói pelas circunstâncias. Comparado à saga, "Han Solo" não é nada espetacular visualmente, mas tem cenas que atendem às expectativas dos fãs. O esperado primeiro encontro de Han e seu parceiro Chewbacca é muito divertido. Os personagens secundários ganharam um bom elenco. Quem rouba as cenas é Woody Harrelson, como Beckett, mercenário que encaminha o jovem Solo na carreira de larápio. Na falta de um mestre jedi no enredo, responde por conselhos e tiradas filosóficas. Paul Bettany faz de Dryden Vos um vilão intenso, enquanto o talentoso Donald Glover, da série Atlanta, vai bem como o charmoso e perigoso Lando Calrissian. Este, ao lado de Solo e Chewie, vem da trilogia inicial de Star Wars. O ponto fraco é Emilia Clarke (Qi'ra). Ganhou a vaga pelo sucesso como Daenerys Targaryen em Game of Thrones, mas desperdiça sua chance num potencial blockbuster. Não dá personalidade a personagem que tem estofo, passando de namoradinha de Solo a figura crucial na trama. Em comparação com Rogue One, o outro spin-off de Star Wars, este leva a vantagem imbatível de contar com Chewbacca. O pequinês gigante antropomórfico é uma das criaturas mais irresistíveis do cinema. Não por acaso, sobreviveu até o nono filme da saga. Como era esperado, "Han Solo" termina dando todas as evidências de que uma continuação chegará logo aos cinemas. Uma trilogia, talvez?" (Thales de Menezes)

O preço do fanservice.

''Star Wars: Capítulo VIII - Os Últimos Jedi foi motivo de grande controvérsia entre os fãs da saga de George Lucas por conta de inúmeras subversões e decisões ousadas dentro do universo. Não satisfez certa parcela ver tantos elementos mudados pelo filme de Rian Johnson. Mas, seja como o for, é um filme necessário dentro da saga - assim como também o era O Império Contra-Ataca. É a maior prova disso é o morno Han Solo: Uma História Star Wars. Calcado nos filmes de samurai e nos seriados de ficção científica, George Lucas criou um universo muito grande com personagens que colecionam feitos admiráveis. Só a própria quantidade de livros mostra que é impossível apenas a saga dar conta da vida de todos os personagens daquele universo, então a série de spin-offs A Star Wars Story surgiu como um conceito interessante de aprofundar para o espectador vários eventos que antes foram apenas mencionados. Nesse sentido, Rogue One: Uma História Star Wars surgiu como uma experiência bem sucedida, explorando o peso dramático do esquadrão suicida que se propôs a roubar a planta da temível Estrela da Morte. Ao tentar contar a história de Han Solo, a Disney-Lucasfilm, porém, parece desejar de volta o clima mais ameno de épocas como Despertar da Força e Rogue One e menos polêmica como Os Últimos Jedi - afinal, grande parte do motivo do universo trocar de mãos é o fato da grande e quase generalizada insatisfação com a trilogia prequel. Vai ver por isso que a origem do contrabandista mais amado e odiado da galáxia e seu fiel companheiro Chewbacca arrisque tão pouco. O filme teve uma gestação difícil após uma troca de diretores após as filmagens já iniciadas, com Ron Howard assumindo o lugar de Phil Lord e Christopher Miller (Uma Aventura LEGO) para filmar o roteiro de Lawrence Kasdan, roteirista de O Império Contra-Ataca, escrito em parceria com seu filho Jonathan. Cheio de grandes e pequenos êxitos na carreira como Splash - Uma Sereia em Minha Vida, Cocoon, Uma Mente Brilhante e O Código da Vinci, seu ecletismo fala por si. Mas, ainda que consiga comandar algumas cenas de ação empolgantes, há um elemento determinante em falta no filme: peso dramático. Contar de onde Han Solo veio, como conheceu Chewbacca e Lando Calrissian, de onde tirou seu sobrenome, sua blaster gun e sua nave Millenium Falcon, além de histórias como o percurso de Kessel em 12 parsecs parecia quase uma necessidade, mas o filme esqueceu quase que completamente da tensão de um conflito. Várias chances são desperdiçadas em favor de agradar um público supostamente interessado em apenas ver o que já conhece: tomemos como exemplo Qi’ra, personagem de Emilia Clarke (Game of Thrones), basicamente um apêndice de Han: a garota fantástica (o próprio arquétipo da manic pixie dream girl, como chamam em inglês, só que dando uns sopapos de vez em quando), par romântico do protagonista e que moldará sua visão das relações, não possui o potencial de ter entrado para uma organização criminosa devidamente explorado. Quando entra em cena, é para falar com o protagonista ou sobre ele. Esforçado, é chover no molhado dizer que Alden Ehrenheich não é nenhum Harrison Ford. Ainda que o intérprete original tenha aprovado sua atuação, o ator até pega direito o timing das tiradas carismáticas e o ar que mistura confiança e arrogância, mas ainda passa longe da personalidade cretina e conflituosa que tantos aprenderam a amar. Ainda parece muito duro como Solo, ainda na superfície do personagem. Não é o caso, por exemplo, de Donald Glover, que pega o personagem original de Billy Dee Williams e incorpora à vontade o estilo bufão e fanfarrão de Lando Calrissian sabendo tanto ser ácido quanto ridículo ou mesmo dramático, quando lhe é solicitado. Pessoalmente, um spin-off de Glover como Lando seria feito exatamente: é o caso de carisma que não só foi bem lido da fonte original mas também expandido. Sua relação afetiva e sugestivamente panssexual com a rebelde e individualista androide L3 possui uma química que Alden e Emilia jamais conseguem nem soltar faísca. E o próprio filme entrega vários pontos a mais para argumentar sua falta absoluta de peso: que seja observado o alienígena piloto Rio ou o mercenário Tobias Beckett, personagem de Woody Harrelson (Assassinos por Natureza), cujos grandes conflitos pessoais na vida são dispensados com um ou dois diálogos utilitários. Ou são esquecidos ou viram um apêndice de Han na construção de sua mitologia. Após sofrer perdas, o próprio Han ao corte de uma elipse já voltou ao estilo canastrão. Nisto o filme é sintomático, e não há nada que passe nem perto da dinâmica com Leia Organa ou o congelamento em carbonita: você gosta de Han Solo, você verá o nascimento do mito. Ainda que não haja nenhum mistério nesse mito, é verdade, que entrega o que foi pedido, não ofende ninguém, e termina. Solo é o que esperaríamos de um Star Wars em ponto morto. Alguns podem advogar a favor da despretensão, afinal trata-se de um heist movie, com um protagonista fanfarrão, não é para ser dramático que nem os filmes protagonizados pelos sisudos jedi… Mas se ficarmos na superfície, na base puramente das piadas e das referências, temos um filme mais preocupado em ser produto cultural que requenta o que já veio antes do que como uma narrativa interessante. Do jeito que saiu, não precisava nem ter sido feito, pois não agrega em muita coisa. Que argumentem que dá para “passar o tempo”, até dá; mas de tão inofensivo, é pouco provável que seja lembrado daqui a alguns anos. Que a próxima história Star Wars roube um pouquinho para sua narrativa do hipercombustível tão perseguido em Solo, senão era melhor ter parado em Rogue One." (Bernardo D.I. Brum)

91*2019 Oscar / 2018 Palma de Cannes

Lucasfilm Walt Disney Pictures

Diretor: Ron Woward

245.172 users / 228.236 face

54 Metacric 26 Up 3

Date 18/11/2018 Poster - ######

27. Holmes & Watson (2018)

PG-13 | 90 min | Comedy, Crime, Mystery

24 Metascore

A humorous take on Sir Arthur Conan Doyle's classic mysteries featuring Sherlock Holmes and Doctor Watson.

Director: Etan Cohen | Stars: Will Ferrell, John C. Reilly, Ralph Fiennes, Rebecca Hall

Votes: 25,130 | Gross: $30.57M

[Mov 01 IMDB 3,8/10] {Video/@} M/24

HOLMES & WATSON

(Holmes & Watson, 2018)


TAG ETAN COHEN

{esquecível}


Sinopse ''Sherlock Holmes (Will Ferrell) e seu fiel parceiro Watson (John C.Reilly) precisam impedir o maior dos planos malignos de Moriarty (Ralph Fiennes): assassinar a Rainha da Inglaterra.''


''Costuma-se dizer que Sherlock Holmes, o detetive lendário criado por Arthur Conan Doyle , fez as aparições mais exibidas na tela na história do cinema por um personagem fictício humano (embora ele ainda seja o segundo em aparências totais a Drácula). Não vou dizer claramente “Holmes & Watson”, o mais recente veículo de tela grande para o personagem que o encontra sendo interpretado por Will Ferrell e John C. Reilly como seu assistente, Dr. John Watson, é tão ruim que poderia interromper sua série aparentemente interminável de aparições em filmes. Mas se algum filme pode possuir esse poder, esse é esse. "Holmes & Watson" é tão terrivelmente horrível que você tem que se perguntar o que era, além dos salários deles, que poderia ter possuído o elenco e a equipe para voltar todos os dias, quando deve ter sido óbvio desde o primeiro dia de filmagem que o projeto era o caso mais desesperador que se possa imaginar. Como você deve ter percebido da presença de Ferrell e Reilly no elenco, o filme é um olhar cômico (pelo menos tecnicamente) para Holmes e suas extraordinárias habilidades dedutivas, uma abordagem que os cineastas vêm utilizando há quase tanto tempo quanto foram. trazendo o personagem para a tela grande. Alguns desses filmes têm sido bastante bom- Billy Wilder é falho, mas ambicioso A Vida Íntima de Sherlock Holmes e a brilhante, mas vergonhosamente pouco visto cult clássico ‘ Zero Efeito ’ -e alguns deles, como Gene Wilder 's “As aventuras do irmão mais esperto de Sherlock Holmes” e Michael Caine brincam “ Without a Pue, ”Têm sido bastante terríveis. Em todos esses casos, bons ou ruins, cada um dos cineastas tinha algum tipo de noção cômica discernível que estava tentando divulgar. Com este filme, parece que uma vez que Ferrell e Reilly foram escalados, todo o outro trabalho criativo foi interrompido no pressuposto de que as co-estrelas de "Talladega Nights: A Lenda de Ricky Bobby" e " Step Brothers " traga suco cômico suficiente para o processo para mantê-lo em movimento. Com base nas evidências disponíveis aqui, tudo o que eles conseguiram trazer entre eles foram vários litros de suor no flop. É revelador, por exemplo, que a parte mais engraçada do filme chega logo no início e não envolve nenhuma de suas duas estrelas ostensivas. Nele, vemos o jovem Sherlock Holmes sendo impiedosamente provocado por seus colegas de classe no colégio interno e usando seu intelecto aguçado para descobrir as coisas ruins que eles fizeram e expulsá-los - em pouco tempo, ele é o único aluno que restou para seus professores. focar e sua inteligência cresce exponencialmente como resultado. Essa cena funciona porque é óbvio que escritor / diretor Etan Cohenteve uma idéia cômica - o que a maior mente do mundo faria na infância quando se depara com agressores? - e a persegue até um ponto decente. Nesse ponto do filme, alguns espectadores podem se iludir ao pensar que "Holmes & Watson" pode ter promessas, afinal, apenas para ter essas esperanças quebradas alguns momentos depois, quando as estrelas chegam e tudo vai para o inferno. Esta versão de Holmes, tendo recentemente provado em tribunal que o arqui-vilão Moriarty ( Ralph Fiennes ) não era culpado do crime que ele foi acusado de cometer, é contratado pelo Palácio de Buckingham para descobrir uma conspiração para matar a rainha Victoria (Pam Ferris)daqui a quatro dias, por alguém que pode ou não ser o demônio. O maior problema aqui não é que esse enredo seja idiota na melhor das hipóteses e praticamente inexistente o resto do tempo. Não é o fato de que as piadas exibidas vão de humor profundamente sem graça no banheiro (incluindo um pouco longo e chiado em que os caras tentam criar eufemismos para masturbação em um tribunal) para igualmente anacronismos obscuros, como a tentativa de Watson de use uma câmera antiga para tirar uma selfie com a rainha. Nem sequer é o senso de que o que estamos assistindo é pouco mais do que uma série de tentativas de improvisação que começaram mal e nunca ganharam força. Não, o maior problema é que o filme não consegue decidir se Holmes é um gênio de proporções impressionantes que, por acaso, é uma brincadeira, ou um idiota vaidoso e pomposo cuja reputação de mentor na solução de crimes se deve em grande parte aos esforços dos bastidores de Watson. A maioria dos filmes cômicos de Holmes escolhe uma das duas abordagens e parte daí, mas "Holmes & Watson" alterna entre elas em praticamente todas as cenas. Essa abordagem aleatória pode ter funcionado se as piadas forem engraçadas, mas a coisa toda parece que alguém pegou as cenas sem graça que adornavam os créditos finais e as esticavam em seu próprio filme. Considerando que o resultado final é provavelmente o maior monte de filmes da temporada, a coisa mais próxima de um mistério real em “Holmes & Watson” é como um roteiro tão pueril quanto este pode atrair tantas pessoas talentosas. Além de Ferrell, Reilly e Fiennes, o filme também inclui as geralmente confiáveis Rebecca Hall e Kelly Macdonald nos papéis mais insultuosamente concebidos de suas carreiras, Hugh Laurie em um fracasso como irmão de Holmes, e até Steve Coogan e Rob Brydon , estrelas da hilária A Viagem, Como, respectivamente, um tatuador de um braço e o inspetor Lestrade - como as estrelas, todos se envergonham poderosamente. Acho que há um possível lado positivo disso tudo: talvez Coogan e Brydon tenham se juntado e decidido filmar-se em suas jornadas diárias para produzir essa empresa que acabou falhando. Se esse filme existisse, há uma chance decente de que ele pudesse realmente inspirar as grandes risadas sobre as quais Holmes & Watson é tão claramente ignorante." (Roger Ebert)

Top 96#250 (Bottom)

Columbia Pictures Gary Sanchez Productions Mimran Schur Pictures Mosaic Media Group Mosaic Province of British Columbia Production Services Tax Credit

Diretor: Ethan Choen

24.465 users / 18.750 face


Soundtrack Rock The Righteous Brothers / Dreams


25 Metacritic 1.488 Up 66 Date 25/12/2019 Poster - ##



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